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SÃO PAULO – Para quem pensava que os problemas fiscais nos Estados Unidos estavam encerrados com a chegada a um acordo entre o governo e o Congresso em outubro, após a paralisação parcial, é melhor rever as suas projeções. De acordo com Alastair Newton, analista político sênior do banco de investimentos Nomura, o “fiasco fiscal” em Washington segue sendo uma preocupação para os investidores em 2014, conforme destacou a CNBC.
Conforme aponta Newton, os mercados podem até ter ficado otimistas após a resolução em outubro, mas ele acredita que esta reação silenciou uma batalha política mais feroz que poderiam incentivar os políticos republicanos, mais à direita, para empurrar os limites um pouco mais.
“A incerteza fiscal parece estar definida para o primeiro trimestre de 2014, o que pode adiar o tapring [redução do programa de estímulos do Federal Reserve] para o segundo trimestre do próximo ano”, ressaltou em nota.
Um acordo assinado pelo presidente Barack Obama em outubro prorrogou o teto da dívida até 7 fevereiro e reabriu o governo aprovando financiamento até 15 de janeiro. Isso significa que o país poderia ser levado a uma crise orçamental em alguns meses.
E ressaltou que não é claro que qualquer acordo deva incluir uma disposição para elevar o teto da dívida até 7 de fevereiro, , com a perspectiva de que o Tesouro dos EUA novamente teria de recorrer a medidas extraordinárias para evitar um possível default. E esta discussão deve se arrastar até meados de março.
Um dos principais riscos envolve ainda a disputa política entre os dois principais partidos norte-americanos: o Republicano e o Democrata. No final de setembro, em meio às discussões, a Câmara dos Representantes dos EUA havia aprovado um orçamento provisório tido como inaceitável pelo governo, adiando em um ano a implementação do Obamacare. Este foi o centro das discussões entre os dois partidos.
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De acordo com Newton, o senador republicano do Texas Ted Cruz parece determinado em enfraquecer o Obamacare, o que pode precipitar outra paralisação do governo e do teto da dívida. E acrescentou que o risco pode ser ainda maior uma vez que, dada a modesta reação do mercado para o impasse recente, o Tea Party parece estar disposto a ir ainda mais longe da próxima vez.
“Eu duvido que o Tea Party será movido por considerações eleitorais , embora as perspectivas de uma maioria republicana no Senado em 2014 possa ser prejudicada – e até mesmo a atual maioria na Câmara do partido seja colocada em risco”, finalizou.