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SÃO PAULO – O ano de 2013 não foi nada fácil para as duas principais blue chips da BM&FBovespa, a Petrobras (PETR3; PETR4) e a Vale (VALE3; VALE5). Enquanto a petrolífera sofreu em meio às intervenções estatais e a “novela” sobre o reajuste de combustíveis, a queda dos dividendos das ações ON somadas à maior pressão sobre o caixa da companhia com a valorização do dólar e com os vultuosos investimentos, a mineradora sofreu em meio ao imbróglio com a justiça resolvido há pouco, além dos temores com a desaceleração da China e com uma superoferta do preço de minério de ferro.
Desta forma, após um ano bastante complicado, o que esperar das duas maiores blue chips da bolsa?
Petrobras: não deve ser desta vez
No caso da Petrobras, se o ano de 2013 não foi nada positivo para a companhia, o próximo ano também não parece ser o das mais promissores. E uma virada só será possível em 2015, conforme apontam analistas de corretoras e bancos como Credit Suisse, Ágora/Bradesco Corretora e Itaú BBA, uma vez que o mercado está bastante desconfiado em meio às intervenções governamentais na companhia. Um dos pontos que são vistos como positivos para a companhia é a retomada da produção, após uma redução em 2013.
E, segundo os analistas do Credit, que mostraram uma postura bastante pessimista em relatório de análise publicado logo após o anúncio dos reajustes de combustíveis no final de novembro, apenas um dos três pontos de otimismo está mantido: o aumento de produção. Enquanto isso, os outros dois pontos – a credibilidade da gestão, com as primeiras realizações para “promover uma virada” na companhia e a a possibilidade de uma atitude mais benigna da companhia para promover um aumento de preços – estão bastante abalados.
Para 2014, o ano deve ser extremamente delicado para a companhia, apontam os analistas Vinicius Canheu e Andre Sobreira, deixando ainda incertezas sobre o aumento de preços. Pesa o fato de que 2014 é um ano eleitoral com preocupações crescentes sobre a inflação e a desvalorização do real. Assim, sem aumentos significativos, avaliam os analistas, há pouco espaço para qualquer decepção operacional ou possíveis atrasos mensais na produção.
No próximo ano, avalia ainda a Ágora Corretora, se por um lado haverá um aumento da produção em 2014 de 6,5% e a recuperação da eficiência dos poços do pré-sal, por outro lado não se espera nenhum novo aumento dos preços de gasolina e diesel. Além disso, no próximo ano, os analistas do Citigroup veem outros catalisadores para a companhia. Enquanto há a expectativa da produção, as perspectivas para a Petrobras dependem ainda de decisões orçamentárias e do cenário eleitoral. A falta de detalhes também frustra os investidores, que esperam uma visibilidade maior sobre o fluxo de caixa e para a rentabilidade dos projetos futuros.
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Assim, a expectativa é de que melhores dias para a Petrobras virão somente em 2015. A visão é decorrente de que a companhia atinja maior paridade de preços naquele ano, com melhora da rentabilidade da empresa e uma redução do nível de alavancagem, avalia a Ágora. Enquanto isso, o Credit se questiona sobre o que precisa acontecer em 2015 para que a política de preços alcance a relação entre a dívida líquida e o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) de 2,5 vezes.
| Petrobras: o que o mercado deve se atentar em 2014? | |
| Pontos negativos |
Pontos positivos |
| Credibilidade da gestão da companhia |
Recuperação de eficiência no pré-sal |
|
Ano eleitoral deve aumentar vulnerabilidade |
Expectativa é de recuperação ocorra apenas |
| Preocupações com a alavancagem | – |
| Apreensão em relação aos novos reajustes | – |
Vale: dias melhores? A esperar…
Enquanto isso, as ações da Vale também caminham para encerrar o ano com uma forte queda, de 13% para os ativos ON e de 16% para os papéis prefenciais até o fechamento do último dia 11, mesmo após as indicações bastante positivas da mineradora durante o ano, ao se desfazer de ativos não-estratégicos e conseguir resolver as questões fiscais que se arrastavam há anos na Justiça com relação à tributação de coligadas e controladas do exterior.
As preocupações com a economia chinesa, com as indicações de que estaria mais voltada a expandir o consumo da população e reduzir os investimentos, levando assim a diminuir as importações, levou a maiores preocupações dos investidores com relação à mineradora. Desta forma, as notícias positivas foram ofuscadas pelas estimativas negativas do mercado com a mineradora, tendo como base principalmente o cenário macroeconômico. E, para 2014, a visão não é muito positiva para a mineradora, pelo menos para os estrangeiros, conforme ressaltou o HSBC em relatório desta semana. Após reunir-se com investidores estrangeiros, os analistas Leonardo Correa e Luiz Fornari destacam que eles não mostraram nenhuma melhora na percepção sobre a companhia, sendo classificada como underweight (exposição abaixo da média do mercado), com a Rio Tinto como preferida.
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Os investidores, avaliam, questionam o que o que causaria uma alta relevante nas ações em comparação ao nível atual. As principais preocupações do mercado são: o excesso de oferta de minério de ferro e expectativa de mais complicações relativas ao crescimento. No segmento de cobre, depois do desempenho muito abaixo do mercado no acumulado do ano das ações em comparação à commodity, vários questionam se este é agora um bom ponto de entrada.
Por outro lado, os analistas do HSBC seguem positivos com a companhia após o Investor Day, ressaltando o nível de US$ 4 bilhões em dividendos, que deve ser considerado um piso para 2014, as licenças ambientais para as minas em Carajás que devem ser anunciadas em breve e a provável renovação da Valepar e a redução de riscos de carvão/Moatize, o que é visto pelos analistas como uma decisão estrategicamente sensata. A visão é compartilhada pelo Deutsche Bank, que destacam as diversas iniciativas da companhia para diminuir os custos estruturais e investir apenas em bons projetos e destacam ainda o pagamento de US$ 4 bilhões em dividendos em 2014, que pode ser ainda maior.
O JPMorgan também reitera a sua visão otimista para a companhia no próximo ano, estimando que o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) da Vale em 2014 chegue a US$ 22,3 bilhões, o que é visto como bastante atrativo, de acordo com os analistas Rodolfo Angele, Mandeep Singh Manihani e Lucas Ferreira. Nos primeiros nove meses deste ano, o Ebitda somou cerca de US$ 16 bilhões.
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Com recomendação overweight para os ativos, os analistas avaliam que a mineradora segue como a preferida entre as empresas do setor na América Latina, ressaltando que a diretoria tem entregue consistentemente a sua estratégia de disciplina e simplicidade. E avaliam que a companhia entra em 2014 com um “peso a menos” sobre as costas, após ter acertado o pagamento da cobrança com a Receita Federal.
Por fim, está o preço do minério de ferro, que pode surpreender. Angele, Manihani e Ferreira revisaram para cima as projeções para US$ 125,00, com alta de 9% frente à projeção anterior e de US$ 110,00 em 2015, uma alta de 5%, o que pode fazer com que a Vale se desalavanque mais rápido do que o esperado pelo mercado e pagar dividendos mais altos no curtíssimo prazo. O cenário também é visto como favorável pela Ágora Corretora, ressaltando que o bom preço deve permanecer por pelo menos mais alguns meses, tendo em vista a chegada do inverno e aceleração das importações na China. Para 2014, a expectativa do preço médio do minério de ferro passou de US$ 110 para US$ 120 a tonelada.
Vale: que o mercado deve se atentar em 2014?
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| Vale: que o mercado deve se atentar em 2014? | |
| Pontos negativos |
Pontos positivos |
| Estrangeiros seguem “desconfiados” e preferem Rio Tinto |
Desinvestimentos de ativos |
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Desaceleração econômica da China, |
Decisão de aderir ao Refis no |
| Preocupações do mercado com cotação do minério de ferro |
Para o JPMorgan, expectativa é de alta na cotação do minério |
| Apreensão em relação aos novos reajustes | Dividendo mínimo de US$ 4 bilhões em 2014, que pode ser ainda maior |