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SÃO PAULO – Em um dia positivo para o Ibovespa, que fechou com alta de 0,94%, a 50.563 pontos, os principais destaques da sessão foram papéis que que apresentam fortes posições alugadas, indicando que os investidores normalmente acreditam na queda desses ativos. Nesse cenário é comum vermos o movimento chamado de short squeeze, que ocorre quando o preço de uma ação sobe de tal forma que os investidores que se posicionaram vendidos no papel buscam fechar suas posições (ou seja, comprar essas ações) e zerar a posição.
Das quatro maiores altas do Ibovespa, três papéis registram subiam após apresentarem um alto volume de forte de posições alugadas. O destaque fica com a Eletropaulo (ELPL4), que disparou 16,94%, a R$ 11,25, seguida de perto pela Gafisa (GFSA3, R$ 3,72, +6,29%) e a Brookfield (BISA3, R$ 1,07, +5,94%).
Todas estas ações apresentam volumes acima da média. As ações ELPL4 já movimentaram R$ 120,19 milhões, conta média de R$ 16,86 milhões. Enquanto isso, Gafisa e Brookfield atingiram volumes de R$ 77,51 milhões e R$ 14,80 milhões, respectivamente, ante médias de R$ 29,81 milhões e R$ 7,82 milhões.
Fora do índice, destaque também para a a HRT Participações (HRTP3), que avançou 4,65%, a R$ 0,90, com volume cinco vezes maior que sua média, atingindo R$ 20,68 milhões. Ainda vale destacar o movimento da CSU CardSystem (CARD3), que apesar de não ter o short squeeze como gatilho, viu suas ações subirem 10,00%, a R$ 3,08. No caso da companhia, que tem pouca liquidez, chamou atenção a elevação de posições alugadas, que na segunda-feira (16) era de 5.020, passando para 49.220 no dia seguinte.
Eletropaulo e as decisões da Aneel
Segundo a equipe de análise da XP Investimentos, a Eletropaulo seguiu por meses com posições em aberto de aluguel de ações bastante elevada, ficando acima de 35% do free float da empresa. “O movimento de hoje pode ser creditado ao fato de que muitos clientes grandes podem ter vendido o papel ontem, mesmo sem a garantia do BTC (escasso nesse caso) e com isso estariam tendo que zerar suas posições vendidas hoje no mercado”, afirmaram.
Além disso, a empresa chamou atenção desde a véspera, devido à um agitado noticiário. Na última terça-feira, a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) reconheceu novos valores para a base de remuneração líquida da empresa, que passou de R$ 4,4 bilhões para R$ 4,67 bilhões, enquanto a base bruta passou de R$ 10,86 bilhões para R$ 11,14 bilhões. Segundo analistas, a notícia é positiva para a companhia e pode ter impacto positivo no preço dos papéis.
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Por outro lado, a mesma Aneel, determinou também que a companhia devolva aos consumidores R$ 626 milhões que, segundo a agência, a empresa recebeu irregularmente via conta de luz. De acordo com a Aneel, entre 2002 e 2011 a Eletropaulo incluiu, na sua base de remuneração via tarifa de energia, investimentos na implantação de 246 quilômetros de cabos de alumínio que não existiam. Ou seja, durante 10 anos, os clientes da distribuidora pagaram por investimentos que ela não fez. Porém, a companhia afirmou que irá recorrer da decisão.
Segundo analistas do JPMorgan, os R$ 626 milhões são muito maiores do que a estimativa de R$ 490 milhões deles. Contudo, eles trabalhavam com a hipótese de que esse saldo seria devolvido em três anos corrigido pelo IGP-M mais 7,5%. No entanto, o regulador determinou a devolução em quatro anos, atualizado pelo IGP-M apenas, a partir de julho do próximo ano. “No todo, a obrigação mais elevada é compensada pelo prazo mais longo de devolução do dinheiro”, disseram.
Para JPMorgan, as decisões da Aneel, combinadas, poderiam acrescentar R$ 0,50 por ação no preço-alvo da companhia. “Mas não mudamos ainda nossas estimativas e o preço-alvo, porque os números indicados pela Eletropaulo não estão ainda confirmados pelas notas técnicas da Aneel”, escreveram os analistas Marcos Severine e Henrique Peretti, em relatório. Com base na interpretação do mercado, o preço-alvo poderia cair R$ 1,9. Hoje, o preço justo estimado pelo JPMorgan é de R$ 5,00.