Caíram as chances de “tempestade perfeita” no mercado, diz Delfim Netto

Em entrevista ao ValorPRO, ex-ministro da Fazenda ainda mostra preocupação com situação fiscal do País, mas prevê um crescimento mais otimista do PIB em 2014

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SÃO PAULO – A tão temida “tempestade perfeita” desenhada por Delfim Netto em outubro – que consiste em um cenário de simultânea deterioração nas contas externas, perda de confiança na situação fiscal, aperto monetário nos EUA e depreciação do real ante o dólar – parece ter diminuído as chances de chegar ao mercado em 2014, prevê o próprio autor do termo.

Em entrevista divulgada nesta segunda-feira (23) pelo ValorPRO e replicada na versão impressa do Valor, o ex-ministro da Fazenda atribui essa diminuição do risco à maneira como o Federal Reserve dará início à retirada do programa de estímulos à economia dos EUA. Conforme anunciado na semana passada, o Quantitative Easing 3 (programa que consistia até então na compra mensal de US$ 85 bilhões em títulos pelo Fed) sofrerá uma redução de US$ 10 bilhões a partir de janeiro. “Em minha opinião, [o Fed] agiu corretamente”, disse Delfim, que também elogiou a resposta imediata do BC brasileiro, que anunciou que manterá o programa de leilões diários no câmbio em 2014. Mesmo assim, ele ressalta que ainda é muito cedo para prever os próximos passos da autoridade americana.

Além disso, o ex-ministro ainda enxerga um “grave risco” de um rebaixamento de rating do Brasil no ano que vem, o que pode impactar o fluxo de investimentos para o País e, consequentemente, resultar em valorização do dólar. Para impedir isso, ele pede que o governo brasileiro reforce os cuidados com a questão fiscal, sugerindo um compromisso para meta de superávit primário de, no mínimo, 2% do PIB (Produto Interno Bruto). “O que está na nossa mão para impedir a tempestade perfeita é o fiscal. Ou fazemos um fiscal adequado ou vamos colher as consequências”, avalia. Contudo, ele reforça que “o apocalipse não está nos esperando na esquina”.

Mais otimista que o consenso do mercado, Delfim acredita que um crescimento entre 3% e 3,5% do PIB brasileiro em 2014 “não está fora de propósito”. A edição mais recente do relatório Focus, divulgado toda segunda-feira pelo Banco Central e que traz a mediana das projeções dos principais economistas do mercado, trabalha com uma estimativa de expansão de 2,01% para a atividade do País no ano que vem.


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