Euforia diminui no Japão: “Abenomic” pode virar o “Abegeddon”?

Os dois primeiros planos de Shinzo Abe foram bem recebidos pelo mercado acionário mas agora, animação está bem menor: o que mudou no cenário japonês?

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SÃO PAULO – No início de abril, o Banco do Japão iniciou um agressivo programa de flexibilização monetária, de modo a reverter a estagnação econômica combinada à deflação que acomete o país por 15 anos. Esta política impulsionou a bolsa do país para os maiores patamares desde 2008 e contribuiu para a desvalorização do iene, tendo sido colocada apenas como a primeira de três medidas do “Abenomics” – nome dado para o pacote de medidas.

Já na última quarta-feira (5), o primeiro-ministro japonês Shinzo Abe disparou sua terceira e última “flecha” para estimular a economia do país. Em discurso, ele anunciou que o último pilar do “Abenomics” consiste em reformas estruturais para o crescimento, mas não deu detalhes sobre a forma que conduzirá o plano. A reação dos investidores foi completamente diferente daquela vista nos outros dois anúncios do ministro, com o índice Nikkei registrando queda de 3,38%, a 13.015 pontos, distanciando-se cada vez mais dos 15.096 pontos alcançados na metade de maio. Do topo pra cá, a queda acumulada já chega a 13,80%.

As duas medidas colocadas em prática neste ano referem-se à agressiva política monetária e a política fiscal, que juntas levaram a um drástico enfraquecimento do iene. Entre as políticas já adotadas, está a depreciação do iene, injeções monetárias e expansão de investimentos públicos, de modo a atingir uma inflação de  2% ao ano – atualmente, o Japão apresenta deflação de 0,7% – e recuperar o crescimento econômico do país. 

O “Abenomic” virou “Abegeddon”?
As políticas de Abe foram consideradas radicais pelo mercado e há quem acredite que o ciclo de renovação de máximas históricas do índice acionário Nikkei tenha chegado ao fim com o anúncio da terceira medida.

Ao revelar os novos instrumentos de política econômica, Abe manifestou a intenção de aumentar os investimentos das empresas no país, em um período em que a entrada de capital externo segue fraca.

Desde que o atual premiê começou a divulgar suas intenções, antes mesmo de assumir o cargo em dezembro de 2012, o índice Nikkei subiu mais de 40%. O otimismo visto no mercado, porém, arrefeceu nas duas últimas semanas. Apesar das tentativas de Abe terem dado resultados positivos a princípio, investidores e eocnomistas começam a questionar o fôlego que as medidas podem ter – e o ceticismo começa a tomar corpo no mercado.

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Em entrevista à CNBC, o chefe de investimentos globais da UBS Wealth Management, Alex Friedman, disse que o “Abenomics” falhou em restaurar a economia atual do Japão e acredita em um cenário de estagflação – inflação avançando e nenhum crescimento real. “Se você não tem crescimento, acaba em um potencial ‘Armageddon’, que pode ser chamado de ‘Abegeddon”, comentou Friedman ao portal.

Segundo o chefe de investimentos, o cenário aumentaria a preocupação dos investidores sobre a sustentação dos níves de dívida japonesa, que causaria uma “fuga em massa” dos investimentos em títulos públicos do Japão.

Por outro lado, o cenário é mais leve no curto prazo, segundo Friedman. “Mantemos uma visão um pouco otimista para o Japão, com posição overweight para os próximos seis meses enquanto monitoramos as possíveis mudanças no longo prazo”, explicou.

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Lara Rizério
Mercados | Economia | Onde Investir

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.