HSBC aponta 6 motivos para comprar Vale e avalia ação da MMX em R$ 1,00

Analistas iniciam cobertura de empresas do setor de siderurgia e mineração, possuindo recomendação overweight somente para Vale e Bradespar

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SÃO PAULO – O HSBC iniciou a cobertura para os setores de mineração e siderurgia, avaliando que a perspectiva para é desafiadora, uma vez que os preços de commodities mostram tendência de queda. 

Neste cenário, as ações da Vale (VALE3;VALE5) e da Bradespar (BRAP4) são as únicas com recomendação overweight (exposição acima da média), enquanto não veem o setor siderúrgico como atrativo. 

A posição positiva frente à Vale, segundo os analistas Leonardo Correa e Luiz Fornari, ocorre em meio à seis fatores positivos. O primeiro fundamenta-se no valuation atrativo da companhia, com a relação entre o valor da firma e o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) a 5,1 vezes, baixo na comparação com o múltiplo de 6 a 6,5 vezes. Além disso, as ações já estão descontando preços do minério de ferro em torno de US$ 85 a tonelada métrica seca (dmt), o que é excessivamente pessimista na visão dos analistas, que esperam uma queda para cerca de US$ 100 a US$ 110 o dmt.

Merecem destaque ainda, em terceiro lugar, os esforços da mineradora em cortar custos, vender ativos e a recuperação dos metais básicos. Em quarto lugar, está ainda a desvalorização do real em andamento que, em teoria, será positiva para o setor e é vista “como a salvação da indústria”, apesar dos analistas acreditarem que as preocupações com a inflação possam fazer o governo atuar para conter o câmbio. 

Dólar alto é bom para Vale e Gerdau
No caso da Vale, a empresa possui 100% de sua receita denominada em dólares; uma desvalorização de 10% do real teria um impacto no positivo no Ebitda de 7%. No setor siderúrgico, a Gerdau (GGBR4) também seria beneficiada com a alta do dólar. Em quinto e sexto lugares, estão ainda a recuperação da divisão de não ferrosos da Vale e os riscos regulatórios menores. 

Desta forma, Correa e Fornari também veem a Bradespar, que possui uma fatia da Vale, como uma boa opção, vendo como um veículo descontado para obter exposição à mineradora.

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MMX a R$ 1,00
Para a MMX Mineração (MMXM3), a recomendação é underweight (exposição abaixo da média do mercado), com preço-alvo de apenas R$ 1,00 por ativo. “Nossa visão é de cautela, devido a limitações de financiamento, baixa visibilidade de aspectos econômicos de projetos e riscos de execução”, apontam os analistas.

Setor siderúrgico não é atrativo
Correa e Fornari não veem um ambiente favorável ao setor siderúrgico, possuindo assim recomendação underweight também para os ativos da CSN (CSNA3), avaliando que a empresa deve continuar pressionada pelo aumento dos índices de alavancagem, risco com as fusões e aquisições, alocação de capital ineficiente e pendências judiciais. 

Para a Gerdau, Usiminas (USIM3;USIM5), e Magnesita (MAGG3), a recomendação é neutra frente aos ativos, avaliando que os múltiplos destas companhias estão caros. Com relação aos ativos GGBR4, Correa e Fornari acreditam que há potencial para mais decepções com os resultados e um ambiente mais fraco para as suas subsidiárias. 

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Já a Usiminas apresenta recuperação mais lenta de volumes e fraco ambiente global. Por fim, a Magnesita tem potencial de alta limitado, afirmam os analistas, além de perspectivas desestimulantes no curto prazo. 

Veja os principais pontos:

Ação Recomendação Preço-Alvo Upside* Fatores
positivos
Fatores negativos
VALE5 Overweight  R$ 41,00   +30,61% – Iniciativas de corte de custo em andamento
-É a empresa ganhadora em um cenário de desvalorização do real
-Vendas de ativos razoável
-Avaliação razoável, levando em conta perspectivas dos preços de minério
-Divisão de não ferrosos irá se recuperar
-Riscos regulatórios indiscutivelmente menores
 -Sinais de que China ainda atingirá o ponto mais baixo
-Geração de fluxo de caixa operacional limitada até 2015
-Mais oferta de minério de ferro a partir do segundo semestre
-Tributação em subsidiárias no exterior
-Vale negociada a um prêmio discreto frente à Rio Tinto, limitando interesse dos investidores globais 
BRAP4  Overweight  R$ 29,00   +25,24% -Compra do controle da Vale a um desconto
-Acordo de acionistas da Valepar deve se manter, ajudando a reduzir o desconto frente à Vale 
 -Passivo potencial decorrente da ação judicial da Eletron
-Catalisadores limitados no curto prazo 
MMXM3  Underweight  R$ 1,00   -27%  -Projeto de porto em andamento, oferecendo alguma proteção contra uma desvalorização das ações
-Potencial de fusões e aquisições, mas de difícil contabilização 
 -Baixa visibilidade sobre aspectos econômicos dos projetos;revisão dos investimentos pode trazer inflação
– A avaliação depende muito de preços do minério de ferro no mercado spot acima de US$100/dmt
– Alta alavancagem ao preço do minério de ferro no longo prazo representa um overhang
– Há mais certeza a respeito de financiamento, mas pode surgir uma lacuna daqui para frente
 
GGBR4 Neutra   R$ 14,00  +10,43%  -Ação é negociada a múltiplos atrativos no longo prazo
– Uma ganhadora da desvalorização do real, com risco mais baixo
– Desenvolvimento de projetos com valor agregado importante
– Ativos siderúrgicos de maior qualidadade e flexibilidade operacional 
 -Fraco momento de lucros
-Lucratividade em suas operações nos EUA, enquanto a empresa busca recuperar participação no mercado
-Convergência do preço local da sucata com mercado internacional
-Aumento da concorrência interna 
USIM5  Neutra  R$ 9,00   +10% -Forte progressão de lucros na comparação trimestral, mas partindo de base fraca 
-Venda de ativos não estratégicos em andamento
-Aumento da alavancagem operacional a uma recuperação de volumes
 -Avaliação parece cara, mesmo em cenários normalizados
-Ganhos operacionais adicionais serão graduais
-Preocupações com a inflação limitam um apoio adicional do governo
-Overhang gerado por uma possível venda de participação substancial da CSN na Usiminas 
CSNA3  Underweight   R$ 5,50  -16,91%  -Desalavancagem pode ser acelerada (empresa possui alternativas, como venda de fatia da Usiminas e reversão da consolidação da Transnordestina
-Ação está negociada a seus níveis mais baixos em muitos anos; apesar de verem potencial de baixa no curto prazo, os analistas veem os papéis como sobrevendidos
 -Riscos de fusão e aquisição, principalmente dos ativos da ThyssenKrupp das Américas
-Outros problemas de alocação de capital são fontes de preocupação há anos
-Expectativa de rebaixamento nas projeções de resultados
-Litígio fiscal e baixa confiabilidade nas operações 
 MAGG3 Neutra  R$ 7,50   +8,67% – Projetos de alta qualidade em andamento e ainda não precificados
– Participação cada vez maior de clientes industriais em seu segmento de refratários
–Potencial de crescimento nos EUA, focado principalmente em usinas siderúrgicas integradas (esse mercado é maior do que todo o mercado siderúrgico do Brasil)
– Crescimento seletivo em outras regiões
 
 
– Múltiplos caros e momento de lucros desestimulante no curto prazo, acreditando que a tese de investimento da Magnesita é para investidores orientados ao longo prazo
– Ainda extremamente alavancada ao ciclo do aço
– Prejudicada pela baixa visibilidade em seus principais mercados

*Em relação ao preço de fechamento da última sexta-feira (21)

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Lara Rizério
Mercados | Economia | Onde Investir

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.