Recomendando evitar setor de petróleo, HSBC vê OGX a R$ 0,60

Únicas opções que salvam entre as empresas de petróleo são Queiroz Galvão e Ultrapar, indicam analistas; HRT tem preço-alvo de R$ 1,40

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SÃO PAULO – “A fé acabou”. É com essa frase que o HSBC inicia a cobertura no setor de petróleo e gás. Segundo o banco de investimentos, o setor sofreu uma crise de crebilidade, em função da interferência do governo, guidance de produção excessivamente otimista e decepções com recursos de exploração.

Com isso, os analistas Luiz Felipe Carvalho, Filipe Gouveia e Shakthi Kumar são categoricos: gostamos de empresas defensivas, mas recomendamos evitar o setor. (O HSBC também iniciou nesta semana cobertura para setores de mineração e siderurgia, avaliando perspectiva desafiadora para as empresas).

A OGX Petróleo (OGXP3) e HRT (HRTP3) foram classificadas como underweight (desempenho abaixo da média), e preços-alvos de R$ 0,60 e R$ 1,40, respectivamente, configurando um potencial de queda de 26,83% e 30,69% em relação ao fechamento anterior.

Já a Petrobras (PETR4) e OSX Brasil (OSXB3) entraram no universo de cobertura do HSBC com recomendação neutra. O preço-alvo de cada papel é de R$ 20,00 e R$ 2,30, nesta ordem, representando um potencial de alta de 21,51% e 45,57%.

Segundo os analistas, apesar do desempenho da Petrobras de 14% acima do Ibovespa desde o início do ano, a empresa merece ser avaliada com cautela em função das tendências de crescimento da produção, menor chance de aumento do preço dos combustíveis no curto prazo e implementação de redução de custos e programas de venda de ativos. Eles apontam a preferência pelos papéis preferenciais, ao invés dos ordinários, devido a possibilidade de queda dos lucros, o que pode afetar a distribuição dos dividendos. 

Em relação à OSX, empresa de estaleiro do Grupo EBX, de Eike Batista, os analistas indicam que veem valor na carteira de pedidos do segmento de leasing, porém, o estaleiro ainda é destrutivo, com alto risco de execução. 

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Quem se salva nesse cenário são as ações da Queiroz Galvão e (QGEP3) e Ultrapar (UGPA3), ambas com recomendação overweight (desempenho acima da média), e preços-alvos de R$ 15,00 e R$ 61,00 – o que representa um potencial de valorização de 35,75% e 21,34% em relação ao último fechamento. Ainda assim, eles ressaltam que preferem evitar o setor de modo geral, considerando-o desestimulante no curto prazo.

De acordo com os analistas, as duas empresas têm suporte de valor de ativos de suas carteiras, com oportunidades de crescimento em diferentes áreas e oferecem perfil atrativo de risco/retorno.

Confira a análise detalhada das empresa:

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Petrobras: menor chance de reajuste de preços
Segundo os analistas, além da falta de visibilidade sobre a tendência de crescimento da produção, as chances de reajustes adicionais de preço do combustível diminuíram significativamente com os recentes protestos populares no Brasil e o futuro impacto sobre a inflação, exatamente antes das eleições. 

Os analistas ressaltam que os níveis de produção têm sido decepcionantes por 10 anos e a empresa não tem conseguido cumprir o guidance. A monetização das reservas em produção é o catalisador que causará uma virada na percepção dos investidores sobre a empresa, avaliam. Após três anos de produção estável, eles veem espaço para melhoria apenas em 2014, mas preferem aguardar até o quarto trimestre de 2013, pois então terão mais visibilidade sobre o escopo do crescimento. 

HRT e OGX exigem cautela
Os analistas indicam que as ações da OGX e HRT exigem cautela dos investidores, uma vez que as duas empresas precisam apresentar resultados em termos de produção para aumentar a confiança com a geração adicional de caixa. 

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Em termos exploratórios, eles consideram as duas carteiras como as mais arriscadas entre os pares, enquanto as restrições de caixa podem limitar os investimentos das empresas.

No caso da HRT, eles apontam que a estratégia de monetização obscura em Solimões, associada às descobertas limitadas em termos de volume de gás, praticamente não deixa esperança para aposta exploratória, a qual avaliam em zero. Também parece muito arriscada a aposta da Namíbia e, como não tem nenhum sinal de volume econômico viável, ainda avaliam como zero. 

QGEP e Ultrapar são beneficiadas pela baixa exposição cambial
Já sobre a Queiroz Galvão e Ultrapar, eles apontam que os papéis dessas empresas são mais defensivos devido à baixa exposição cambial. Por outro lado, a Petrobras é extremamente afetada pela defasagem entre seus preços de combustível em relação ao mercado internacional, enquanto a OGX tem 95% de sua dívida denominada em dólar. A estimativa é que o dólar termine o ano valendo R$ 2,15, e R$ 2,20 para o final de 2014.

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OSX: o estaleiro pode ser um elefante branco
Por fim, eles apontam que, apesar dos ajustes recentes, a principal preocupação sobre OSX continua sendo a capacidade do estaleiro e, como eles tem visão cautelosa sobre a demanda por estaleiros no Brasil daqui para frente, ainda tratam o segmento como destruidor de valor. 

Empresas Ticker Preço-alvo Upside/Downside*
Petrobras PN PETR4 R$ 20,00   +21,51%
OGX Petróleo OGXP3 R$ 0,60  -26,83%
Queiroz Galvão QGEP3 R$ 15,00  +35,75%
HRT HRTP3 R$ 1,40 -30,69%
Ultrapar  UGPA3 R$ 61,00  +21,34%
OSX Brasil OSXB3 R$ 2,30  +45,57%
*Em relação ao fechamento da última sexta-feira (21).