Publicidade
SÃO PAULO – Duas empresas do setor de petróleo e gás listadas na BM&FBovespa têm enfrentado grandes dificuldades recentemente: OGX Petróleo (OGXP3) e HRT Participações em Petróleo (HRTP3). Enquanto a primeira encontrou petróleo e enfrenta grandes problemas na extração, a segunda ainda não conseguiu nem encontrar a commodity em nível comercial. O caixa da OGX está comprometido e preocupa o mercado, enquanto o da segunda deve passar a ser um problema a partir do ano que vem.
Com tantos problemas em pauta, o acionista de qual empresa consegue ter um sono mais tranquilo? “Acho que a HRT está, nesse momento, em uma situação mais confortável que a OGX”, afirma Carlos Müller, analista-chefe da Geral Investimentos. Para ele, isso se justifica pelo “maturidade” dos dois negócios: os problemas da OGX são muito mais complicados, por serem questões operacionais, ao passo que para a resolver sua situação HRT “basta apenas” encontrar petróleo.
Essa opinião, no entanto, não é unânime: há quem veja na petrolífera de Eike Batista uma situação menos turbulenta. “A OGX já tem petróleo, tem que passar por uma melhora de eficiência de caixa. Existe o ativo, o problema é que ele não era como se imaginava, mas ele existe”, afirma João Pedro Brugger, analista da Leme Investimentos.
Na dúvida, fique de fora
Embora esteja mais do lado da HRT, Müller diz que no momento não é válido apostar em nenhuma das duas ações, seja em posições compradas ou vendidas – quando se lucra com a queda dos papéis.
“Eu não compraria nenhuma das duas no momento, as duas estão em posição desconfortável, mas o acionista da HRT pode ficar mais tranquilo que o da OGX, ela é mais novata, não é tanto um risco consolidado quanto a petrolífera do Eike”, afirma o analista-chefe da Geral Investimentos.
Ele afirma que a situação destas empresas pode mudar drasticamente da noite para o dia. Foi o que houve recentemente com a HRT: de um dia para o outro, o mercado foi pego de surpresa com o pedido de renúncia de Marcio Mello, CEO (Chief Exective Officer) e criador da empresa. No dia seguinte da renúncia, as ações HRTP3 caíram 17,39%, após terem subido 10,84% no pregão anterior.
Continua depois da publicidade
| Resultados | OGX | HRT |
| Prejuízo Líquido 1º Trimestre | R$ 805 milhões | R$ 99 milhões |
| Produção de Petróleo (abril) | 1,8 mil barris/dia | Não houve |
| Caixa | R$ 1,14 bilhão | R$ 829 milhões |
| Dívida Líquida | R$ 5,68 bilhão | Não tem |
Parcerias contam bastante
Brugger lembra que as parcerias são grandes para ambas: enquanto a OGX tem parceria com o BTG Pactual (BBTG11) para a área financeira e com a Petronas, a HRT conta com o expertise da TNK-BP, fusão de duas das maiores petrolíferas do mundo.
Mesmo assim, ele lembra que ambas estão iniciando suas operações nos últimos anos, o que as torna empresas muito voláteis do que outras mais consolidadas no setor, como a QGEP (QGEP3) e a própria Petrobras (PETR3; PETR4).
“É um risco extremo, são empresas novatas, elas podem fazer toda a avaliação geológica possível e a coisa não vingar, é um risco inerente do negócio delas”, afirma o analista da Geral. “As duas estão em situação difícil e possuem um futuro muito incerto”, complementa o analista da Leme.
Prioridades distintas
Mesmo assim, para Müller a petrolífera de Eike Batista conta com dificuldades maiores que a HRT, que perdeu recentemente seu CEO no momento em que precisa arranjar caixa e melhorar a vazão de petróleo nos poços que já produzem. “Mas isso não quer dizer que a HRT não esteja em uma situação complicadíssima. Está, mas a OGX tem missões mais complexas”, destaca.
Encontrar petróleo é prioridade para a HRT, o que a fez mudar um pouco sua estratégia – adquirindo o Campo de Polvo por US$ 135 milhões no início de maio. “O diferencial da HRT, no Solimões e na Namíbia, não está se concretizando. A companhia parece ter entendido que essa é a hora de mudar a estratégia”, finaliza Brugger.