Elétricas voltam disparar na Bovespa, com Eletrobras subindo 18% em 3 dias

Nesta quarta, ações da estatal driblam dia volátil do Ibovespa e sobem mais de 7%; Light e Transmissão Paulista avançam 3,5%, mas Eletropaulo cai 1%

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SÃO PAULO – Mesmo com o Ibovespa perdendo força durante a tarde, o setor elétrico seguiu como o grande destaque positivo do dia. A Eletrobras (ELET3; ELET6) foi a que mais chamou atenção: liderando os ganhos do índice nos últimos dias, os papéis da estatal acumulam alta de quase 18% nos 3 pregões desta semana. Nos últimos 7 dias de negociação, a alta é ainda mais forte: 31%.

Nesta quarta-feira (22), os papéis preferenciais da companhia lideraram o índice com alta de 7,53%, cotados a R$ 10,85, enquanto os ordinários subiram 7,37%, aos R$ 5,97. Por trás deste rali de alta, os analistas consultados pela InfoMoney apontam fatores como a queda dos papéis nos últimos meses, o resultado melhor que o esperado no 1º trimestre – e a expectativa de retomada de dividendos mais “gordos” – e as possíveis mudanças na regulação do setor, só que, diferente do ano passado, essas alterações viriam para ajudar as elétricas. 

O movimento positivo das ações ganhou força com a divulgação dos resultados do primeiro trimestre, ocorrida no último dia 15 de maio e que trouxe um prejuízo líquido muito menor do que era esperado pelo mercado. Eduardo Morais, sócio integrante da equipe de gestão de fundos da Claritas Investimentos, aponta que os investidores estavam temerosos com os efeitos que a Medida Provisória 579 poderia ter sobre a empresa, mas o balanço mostrou que a companhia está em recuperação.

Dividendos, investimentos e nova MP
O sócio da Claritas e os analistas Bruno Piagentini e Marco Aurélio Barbosa, da Coinvalores Corretora também dão ênfase ao plano de investimentos da Eletrobras e aos dividendos a serem pagos. A dupla da Coin afirma que a projeção de redução de custos operacionais na casa de 30% ajuda a trazer confiança de que a empresa está evoluindo bem após os efeitos da MP 579.

Sobre os dividendos, o atual dividend yield (dividendo/preço da ação), que está em torno de 15%, já anima os investidores, e que mesmo assim, entende que a taxa deve ser ainda maior, destaca Morais. Para o sócio da Claritas, embora o preço da ação ainda esteja bastante deteriorado, a relação entre dividendo e cotação da ação ainda pode subir para 30%, tendo em vista a expectativa de maiores montantes a serem distribuídos aos acionistas.

Mais um fator que favorece a empresa é a Medida Provisória 615, que deu ao governo o direito de usar antecipadamente receitas da Usina de Itaipu. De acordo com notícia da Agência Estado, a medida pode evitar aumentos ou mesmo auxiliar em novos descontos na conta de luz. Hoje, os créditos de Itaipu somam cerca de US$ 15 bilhões.

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A MP permite a emissão dos títulos em favor da CDE (Conta de Desenvolvimento Energético). A conta é uma espécie de encargo protetor que, desde o fim do ano passado, passou a cobrir uma série de custos que incidiam nas contas de luz e eram pagos por distribuidoras e consumidores.

Outras altas no setor
Não é só a Eletrobras que se destaca: praticamente o setor inteiro fechou no positivo nesta quarta-feira. Dentro do Ibovespa, mais quatro ações de elétricas operam com alta acima de 2%: Transmissão Paulista (TRPL4) sobe 3,47%, cotada a R$ 37,61, Light (LIGT3), com valorização de 4,40%, a R$ 19,47.

Energias BR (ENBR3), Cesp (CESP6) e Cemig (CMIG4) tiveram altas de 3,46%, 2,56% e 1,84%, respectivamente, cotadas a R$ 13,14, R$ 22,40 e R$ 23,29.

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Enquanto fora do índice, destaque para a AES Tiête (GETI4), que fechou com alta de 1,04%, cotada a R$ 23,26, após chegar a subir 3,13%, a R$ 23,74, em sua máxima do dia.

Eletropaulo não acompanha o movimento
A única companhia do setor que não fechou em alta nesta sessão é a Eletropaulo (ELPL4), com os ativos acelerando as perdas durante a tarde e registrando desvalorização de 1,19%, para R$ 8,32.

Para os dois analistas da Coinvalores a Eletropaulo é a empresa que mais sofre desde a MP 579, sendo que o mercado parece ver melhores oportunidades em outras empresas do setor. Além disso, as altas apresentadas pelo papel nos últimos dias ajudam para um movimento de correção. Mesmo com a queda de momento, as ações acumulam alta de mais de 4% desde segunda-feira.


Repórter de mercados do InfoMoney, escreve matérias sobre ações, câmbio, empresas, economia e política. Responsável pelo programa “Bloco Cripto” e outros assuntos relacionados à criptomoedas.