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SÃO PAULO – Se até o início deste ano o mercado cambial era bastante influênciado pelas decisões do governo – que realizava diversos leilões de dólar para controlar as cotações da moeda -, este não é o cenário ocorrido nas duas últimas semanas. Com sucessivas altas, o dólar comercial atingiu na última quarta-feira (29) alta de 1,90%, cotado a R$ 2,1136 na venda. Já nesta sexta-feira (31), a moeda segue o movimento ascendente e já chegou a bater os R$ 2,14, maior patamar desde maio de 2009.
Desde o início de março, a moeda oscilava entre patamares de R$ 1,95 e R$ 2,02, fato que ocorreu até as últimas semanas. No último dia 13 de maio, o dólar comercial encerrou cotado a R$ 2,0092, quando iniciou um rali de 5 dias até atingir R$ 2,0405 no dia 20, acumulando ganhos de 1,56% neste período.
Mas este foi apenas o começo. Com a proximadade da reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) e da divulgação do PIB (Produto Interno Bruto), ambos ocorrendo na última quarta, a divisa passou a ganhar força e apresenta forte alta desde o início da semana. Após encerrar a semana passada cotada a R$ 2,0525, a moeda acumula ganhos de 4,3% nesta semana e ultraparssa o patamar dos R$ 2,14.
Para o gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo, após o dólar romper diversas barreiras informais que os investidores acreditavam existir, o cenário agora indica que o Banco Central vai deixar a moeda flutuar de acordo com a vontade do mercado.
Galhardo não esperava nenhuma intervenção do Banco Central, mas a autoridade monetária brasileira interviu no câmbio nesta tarde, realizando o leilão de swap cambial – o primeiro desde 27 de março. Dos 30 mil contratos ofertados, o BC vendeu 17,6 mil, com vencimento em 1º de julho e taxa nominal de 4,8509%. O volume financeiro movimentado na oferta foi de US$ 876,7 milhões.
Câmbio não é mecanismo contra inflação
Já faz um tempo que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirma que para o câmbio não será usado como instrumento de combate à inflação. Até a última semana, o risco de intervenção do BC e as dúvidas quanto à elevação da taxa de juros na reunião do Copom evitavam que o dólar subisse com força.
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Embora não fossem a maioria, alguns analistas já apostavam na alta de 0,5 ponto percentual da Selic – o que de fato ocorreu na noite de qarta-feira, levando a Selic para 8,0% ao ano. Se por um lado a txa de juros subiu, o resultado desanimador do PIB do 1º trimestre, mostrando crescimento de apenas 0,6% na economia brasileira, ante expectativa de alta de 0,9%, serve de contraponto e ajuda o dólar a se manter em um patamar mais elevado.
O movimento mais forte do dólar ocorreu após Mantega afirmar que o câmbio não é uma preocupação para o governo, e que esta alta favorece as exportações do País. Galhardo ressalta, porém, que este é um discurso adotado pelo ministro já faz tempo, mas que não tem surtido muito efeito, já que as exportações de fato aumentaram com a alta do dólar, mas o movimento das importações também subiu.
O gerente ainda aponta para o mercado no exterior, que não favorece a queda da moeda norte-americana. Nos EUA, o Federal Reserve segue dando sinais de que pode ocorrer o corte dos estímulos à economia do país, o que faria com que US$ 40 bilhões deixassem de entrar no mercado, através do QE3 (Quantitative Easing 3), que é a compra bilionária de títulos feita pela autoridade monetária do país.