Com sequência de quedas, ação da Gol volta aos níveis “pré-IPO” da Smiles

Euforia com avanço no processo de abertura de capital da empresa de fidelidade foi ofuscada pelos resultados de 2012 da companhia; ações desabaram 23% em duas semanas
Foto: Divulgação
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SÃO PAULO – Depois de desfrutar de um período bastante positivo na BM&Bovespa desde o final de 2012 até o início de fevereiro, refletindo o avanço no processo de abertura de capital da sua empresa de programa de fidelidade, as ações da Gol (GOLL4) deram início a um movimento forte de queda na segunda metade de março, devolvendo todos os ganhos acumulados nos pouco mais de dois meses de alta.

No começo de dezembro, as ações da Gol, que até o momento acumulavam perdas de quase 18% no ano, iniciaram um movimento de alta, intensificado no primeiro pregão após o feriado de Natal, quando no dia 26 os papéis subiram  16%, de R$ 11,25 para R$ 13,05, após anunciar o processo de separação entre a empresa e a Smiles. No último mês de 2012, as ações GOLL4 somaram ganhos de 25,85% – seu melhor mês na bolsa desde novembro de 2009. Somando com os ganhos de janeiro, os ativos da empresa saltaram de R$ 10,25 para R$ 14,40, valorização de 40,49%.

Entretanto, a tendência de alta observada pelos ativos GOLL4 se reverteu desde o início de fevereiro: desde 5 de fevereiro até o fechamento da última terça-feira (2), os papéis passaram de R$ 14,66 para R$ 10,98 – queda de 25,10% -, devolvendo todos os ganhos acumulados desde o anúncio da separação entre a Gol e a Smiles.

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IPO da Smiles sustentou rali de alta…
A expectativa pela abertura de capital da companhia de milhagens foi um dos catalisadores para as ações da companhia nos últimos meses. Em dezembro, a Gol anunciou ao mercado a segregação das atividades do Smiles, que passaram a ser conduzidas pela Smiles S.A.. As atividades do programa de milhagens eram conduzidas por sua controlada VRG. 

“No final de dezembro até o início de fevereiro, o mercado esteve mais atento ao IPO (Initial Public Offering) da Smiles, que foi visto com bons olhos pelos investidores, e deixou um pouco de lado o desempenho operacional bastante ruim da companhia”, avalia o analista da Amaril Franklin, Eduardo Machado. 

No final de fevereiro, a Gol pediu registro de companhia aberta da Smiles, o que impulsionou as ações na sessão posterior ao anúncio. A expectativa é de que o IPO possibilite a captação de mais de R$ 800 milhões. 

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…mas prejuízo bilionário e endividamento assustam
Contudo, o desempenho operacional da empresa, nada positivo, predominou sobre os papéis a partir de fevereiro, ainda mais com a proximidade dos resultados da companhia de 2012, que foram divulgados no último dia 26 de março.

A companhia não registra um lucro líquido no ano desde 2010 e encerrou o ano de 2011 com prejuízo de R$ 751,5 milhões. Em 2012, o prejuízo líquido praticamente duplicou, totalizando R$ 1,51 bilhão, um dos maiores registrados entre as empresas de capital aberto.

Machado destaca ainda o alto endividamento da companhia, que passou de 100% para 700% o patrimônio líquido em poucos anos, evidenciando a situação bastante complicada.

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Ação pode voltar a R$ 10
Com essas referências negativas ainda assombrando os planos da Gol de decolar no mercado brasileiro, o analista da Amaril Franklin avalia a possibilidade dessas quedas recentes se estenderem por mais um período. “A expectativa é de que as ações da Gol voltem para cerca de R$ 10,00”, avalia.

Ao comentar os resultados da Gol, a equipe de análise da XP Investimentos destaca que, mesmo com o esforço da companhia para recuperar a lucratividade, o cenário bastante desafiador para companhia torna a retomada de bons resultados uma tarefa bastante difícil, avaliando que “a empresa ainda não está perto da rentabilidade”.

O analista da Amaril Franklin reforça que as medidas para a redução dos custos é vista com bons olhos pelo mercado, uma vez que a empresa está procurando se voltar mais para dentro das atividades da própria companhia do que para o cenário setorial, como os temores com a maior concorrência.

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“Quando não há mais o que fazer para melhorar a situação da empresa, é mais fácil mexer nas questões de custos e despesas”, avalia Machado. O analista destaca as recentes medidas, caso da redução da oferta de voos e o início da cobrança por lanches em voos de curta duração. Entretanto, aponta, “se essas medidas surtirão o efeito desejado, só o tempo irá dizer”. 

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Lara Rizério
Mercados | Economia | Onde Investir

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.