Onde investem os melhores

A revista InfoMoney teve acesso às estratégias dos gestores dos fundos mais rentáveis de ações, renda fixa e multimercados

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SÃO PAULO – Com a dificuldade de encontrar boas oportunidades nos mercados, tanto de renda fixa quanto de renda variável, muitos investidores optaram por terceirizar a gestão de seus recursos e aplicar via fundo de investimentos no ano passado. Com isso, essa indústria registrou crescimento significativo. Segundo dados da Anbima (Associação das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capital), os depósitos superaram os saques em R$ 114,3 bilhões até novembro de 2012 (dado mais recente até o fechamento desta reportagem), elevando o patrimônio líquido para R$ 2,18 trilhões.

Muitos gestores de todas as categorias conseguiram rentabilidades bastante expressivas no ano que passou. A Revista InfoMoney ouviu as estratégias de gestores de fundos de ações, renda fixa e multimercados que mais trouxeram retornos em 2012 e suas perspectivas para o ano que se inicia.

Ações
Quem olhou apenas para o Ibovespa (principal índice da BM&FBovespa) em 2012 viu novamente uma Bolsa com desempenho médio pífio e com muita volatilidade, mas sem tendência definida. Os problemas econômicos globais, principalmente a crise da dívida europeia, ditaram o rumo dos mercados e influenciaram as empresas brasileiras que possuem relação com o mercado externo, que representam a maior parte do índice.

No entanto, gestores de fundos de ações conseguiram garimpar boas oportunidades, comprando papéis que, na maioria das vezes, estão fora do Ibovespa. Esta foi a aposta da Equitas, gestora do Equitas Selection FIC FI de Ações, que, em 30 de novembro de 2012, liderava o ranking de fundos InfoMoney, com retorno de 56,89% nos 12 meses anteriores. “Buscamos posicionamento de longo prazo e uma carteira relativamente concentrada, de 15 a 20 papéis”, diz o sócio-diretor da Equitas, Luis Felipe Amaral. Entre os cases de sucesso em 2012, o gestor destaca Abril Educação e Estácio, duas empresas do setor de educação que tiveram excelente desempenho em 2012 – enquanto a primeira subiu 82% no ano, a segunda valorizou-se 117% até o final de novembro.

Para 2013, Amaral indica que as ações voltadas para o mercado doméstico devem continuar trazendo retornos melhores. “Estamos muito mais confortáveis em montar posições de médio e longo prazo em empresas direcionadas para o mercado interno” afirma.

Alexandre Silvério, gestor da Quest, que ocupa o quarto lugar do ranking de ações com seu fundo de small caps, também acredita que, no próximo ano, os setores que se beneficiam do crescimento da renda da população brasileira devem continuar fazendo parte da carteira dos investidores. “Não compramos um negócio só porque está barato, olhamos os triggers [gatilhos] e o potencial de crescimento”, explica.

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Para Werner Roger, gestor do Victoire Small Caps Ações FI, fundo da Victoire Investimentos que figura na terceira posição do ranking InfoMoney, o setor industrial traz boas perspectivas. Mesmo com um PIB (Produto Interno Bruto) menor em 2012, o fundo tem mais de 40% de exposição no setor, de olho nos próximos anos. “Essa posição foi montada olhando para frente, para o final de 2013 e 2014”, afirma Roger.

A gestora possui ações da Metal Leve, que fabrica peças para caminhões, e Marcopolo, fabricante de carrocerias de ônibus. “O setor automobilístico pesado historicamente cresce mais que o PIB. A produção de caminhões aumentou, nos últimos 18 anos, cerca de 9,5% ao ano, enquanto a de ônibus cresceu em média 6,5%. Se o PIB crescer 3,5% ou 4% nos próximos anos, esperamos um crescimento ainda maior desses setores”, diz.

Fundos de renda fixa
A história se repetiu em 2012, e os fundos de renda fixa que investem em títulos atrelados à inflação foram novamente os responsáveis pelos maiores retornos da categoria – como já havia acontecido um ano antes. No Ranking InfoMoney, o fundo da Bram (Bradesco Asset Management) Bradesco FI RF IMA B 5+ acumulou rentabilidade de 31,35% nos 12 meses encerrados em novembro. O diretor de renda fixa e multimercados da Bram, Reinaldo Le Grazie, indica que, com a queda dos juros e o aumento da expectativa de inflação, os títulos mais longos atrelados ao IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) trouxeram retornos bem acima da média do mercado, favorecendo fundos como o da Bram.

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No entanto, o executivo acredita que em 2013 esse movimento não deve ser tão forte. “Tivemos uma mudança de patamar importante nos juros [que inflou os prêmios de títulos indexados à inflação], o que não vai se repetir em 2013”, diz.

A gestora trabalha com uma perspectiva de inflação de 5,5% neste ano, em linha com as projeções do mercado – já precificada nos títulos de inflação. “Existe uma pressão inflacionária, mas o governo tem vários instrumentos para fazer com que a inflação fique mais comportada. Não vemos nenhum descontrole”, aponta.

Já na opinião do vice-presidente da SulAmérica Investimentos, Marcelo Mello, mesmo que 2013 não reserve ganhos tão acentuados com esses títulos como nos dois anos anteriores, os fundos de inflação ainda devem continuar se destacando na indústria de renda fixa brasileira. “Com a atividade crescendo, a inflação pode mostrar alguns níveis de estresse. Nesse cenário, os papéis que melhor podem proteger o portfólio do investidor seriam de novo papéis indexados à inflação, desta vez os mais curtos. Como há dúvidas sobre a Selic neste ano, os papéis longos devem trazer uma volatilidade indesejada”, afirma.

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Para ele, o investidor também pode olhar para fundos de renda fixa com crédito privado, mas com uma atenção especial para o portfólio. “A demanda por crédito privado deve aumentar, e isso atrai produtos bons e ruins para o mercado”, conclui.

Multimercados
Diante de uma Bolsa de Valores pouco atrativa em 2012, os fundos multimercados destacaram-se entre os investidores que procuravam um retorno maior que o da renda fixa sem precisar se expor exclusivamente à volatilidade do mercado acionário. E justamente apostando na queda da Bolsa, o fundo Momentum Private, da BBDTVM (Banco do Brasil Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários), liderou o ranking InfoMoney dos últimos 12 meses encerrados em 30 de novembro. Com uma estratégia de comprar opções de venda do Ibovespa, as chamadas “puts”, o fundo trouxe retorno de 65,55% aos investidores. “Oferecemos uma proteção para o investidor que acredita que a Bolsa vá recuar”, afirma o gerente executivo de Fundos Multimercado e Offshore da BBDTVM, Marcelo Pacheco.

Para ele, no próximo ano, os fundos multimercados continuarão sendo atrativos para o investidor. Isso porque o mercado acionário ainda está repleto de incertezas, principalmente vindas da Europa, e os juros seguem pouco atrativos para o investidor de renda fixa. “Nestes altos e baixos, você dá ao gestor profissional do multimercado a possibilidade de entrar e sair de cada mercado no momento certo. Imaginamos que 2013 oferecerá boas oportunidades”, diz Pacheco.

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O diretor de renda fixa e multimercados da Bram, Reinaldo Le Grazie, tem opinião parecida. Na opinião do executivo, os gestores desse tipo de fundo terão boas oportunidades para operar arbitragens em diversos mercados, oferecendo retornos atrativos para o investidor. “Além do mercado de juros, os gestores vão operar dólar e outras moedas que estão voláteis. Além disso, podem negociar todos os lados das Bolsas (comprados ou vendidos) no exterior e no Brasil, além de fazer arbitragem com crédito, tipo de operação que está crescendo bastante no Brasil e que pode trazer bons retornos”, acredita.


Coordenador de conteúdo educacional do InfoMoney, ganhou 3 vezes o prêmio de jornalismo da Abecip