Diferença entre ações PN e ON da Petro não durará muito tempo, diz Planner

De acordo com Planner Corretora, mercado precificou exageradamente diferença no pagamento de dividendos; em 2014, situação deverá melhorar e governo não deve ser prejudicado por muito tempo

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SÃO PAULO – Com a surpresa do mercado em relação ao pagamento de dividendos, as ações ordinárias da Petrobras (PETR3) passaram, pela primeira vez em 13 anos, a custar menos do que os ativos preferenciais (PETR4) da companhia. Isso acontece por conta da diferença entre o dividendo muito menor a ser pago para os ativos ON, de R$ 0,47, ante R$ 0,96 por preferencial, mas essa disparidade não deve permanecer por muito tempo.

Desde o dia 4 de fevereiro – dia de divulgação do resultado e do pagamento de dividendos – até o fechamento do pregão desta quarta-feira (20), as ações PETR3 caíram 11,88%, atingindo os R$ 15,95, ante R$ 18,00 na véspera da divulgação dos dividendos. Enquanto isso, os ativos PETR4 tiveram leve alta no mesmo período, passando de R$ 18,00 para R$ 18,10, com ganhos de 0,55%.

Entretanto, esta diferença não deve se sustentar por muito mais tempo, de acordo com a Planner Corretora. “Não cremos que as ONs devam custar mais que as PNs, mas a diferença atual superior a R$ 2 entre as ações, de 12%, não nos parece justificável”, avalia o analista Luiz Caetano, em relatório. De acordo com ele, esta diferença entre as cotações é muito maior do que o diferencial dos dividendos, o que indica que o mercado vê as preferenciais recebendo proventos bem maiores por um longo período.

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Contudo, Caetano discorda desta perspectiva, ressaltando que a diferença entre os pagamentos de dividendos das ações não se dará por muitos exercícios. Entre os motivos apontados para a queda dos dividendos dos papéis ON, está a economia de caixa da Petrobras ao pagar um menor valor.

A expectativa é de que a Petrobras tenha economizado R$ 3,6 bilhões ao pagar menos proventos, “o que faz todo o sentido para a companhia neste momento difícil”. Porém, a projeção é de dias melhores para a petrolífera a partir de 2014, o que não tornaria justificável a continuidade de pagamentos de baixos dividendos para os papéis PETR3. 

Governo não será prejudicado por muito tempo
Outro motivo apontado pelo analista é o fato de que, quando a Petrobras paga menos dividendos para os detentores das ações ordinárias, o maior prejudicado é o governo, uma vez que ele é o controlador da companhia ao deter 60,5% dos papéis ON.

Como o governo conta obviamente com estes dividendos para melhorar o seu orçamento, a expectativa de Caetano é de que o governo não deva renunciar a tão necessários recursos por um período longo de tempo. A projeção da Planner Corretora é de que a União tenha deixado de receber R$ 1,8 bilhão pela diferenciação de dividendos no exercício de 2012. “Assim, insistimos que não vemos as PETR4 custando mais que PETR3 por um longo período”, finaliza.

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.