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SÃO PAULO – Com a surpresa do mercado em relação ao pagamento de dividendos, as ações ordinárias da Petrobras (PETR3) passaram, pela primeira vez em 13 anos, a custar menos do que os ativos preferenciais (PETR4) da companhia. Isso acontece por conta da diferença entre o dividendo muito menor a ser pago para os ativos ON, de R$ 0,47, ante R$ 0,96 por preferencial, mas essa disparidade não deve permanecer por muito tempo.
Desde o dia 4 de fevereiro – dia de divulgação do resultado e do pagamento de dividendos – até o fechamento do pregão desta quarta-feira (20), as ações PETR3 caíram 11,88%, atingindo os R$ 15,95, ante R$ 18,00 na véspera da divulgação dos dividendos. Enquanto isso, os ativos PETR4 tiveram leve alta no mesmo período, passando de R$ 18,00 para R$ 18,10, com ganhos de 0,55%.
Entretanto, esta diferença não deve se sustentar por muito mais tempo, de acordo com a Planner Corretora. “Não cremos que as ONs devam custar mais que as PNs, mas a diferença atual superior a R$ 2 entre as ações, de 12%, não nos parece justificável”, avalia o analista Luiz Caetano, em relatório. De acordo com ele, esta diferença entre as cotações é muito maior do que o diferencial dos dividendos, o que indica que o mercado vê as preferenciais recebendo proventos bem maiores por um longo período.
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Contudo, Caetano discorda desta perspectiva, ressaltando que a diferença entre os pagamentos de dividendos das ações não se dará por muitos exercícios. Entre os motivos apontados para a queda dos dividendos dos papéis ON, está a economia de caixa da Petrobras ao pagar um menor valor.
A expectativa é de que a Petrobras tenha economizado R$ 3,6 bilhões ao pagar menos proventos, “o que faz todo o sentido para a companhia neste momento difícil”. Porém, a projeção é de dias melhores para a petrolífera a partir de 2014, o que não tornaria justificável a continuidade de pagamentos de baixos dividendos para os papéis PETR3.
Governo não será prejudicado por muito tempo
Outro motivo apontado pelo analista é o fato de que, quando a Petrobras paga menos dividendos para os detentores das ações ordinárias, o maior prejudicado é o governo, uma vez que ele é o controlador da companhia ao deter 60,5% dos papéis ON.
Como o governo conta obviamente com estes dividendos para melhorar o seu orçamento, a expectativa de Caetano é de que o governo não deva renunciar a tão necessários recursos por um período longo de tempo. A projeção da Planner Corretora é de que a União tenha deixado de receber R$ 1,8 bilhão pela diferenciação de dividendos no exercício de 2012. “Assim, insistimos que não vemos as PETR4 custando mais que PETR3 por um longo período”, finaliza.