Publicidade
SÃO PAULO – Petrobras (PETR3, PETR4) e OGX Petróleo (OGXP3), as duas empresas que mais costumam gerar polêmicas entre os investidores no passado recente, terminam o mês de janeiro dividindo uma conquista ingrata: as ações das duas empresas encerraram o mês entre as maiores perdas do Ibovespa, com quedas ao redor de 20%. Enquanto isso, o principal índice de ações da bolsa fechou em queda de 3,3%.
Apesar de serem companhias do mesmo setor de atuação, as fortes perdas do mês estão relacionadas a eventos específicos de cada uma.
Logo no primeiro dia do mês a equipe de análise do Santander já avisava para evitar as ações ordinárias da Petrobras, temendo um corte no pagamento de dividendos. Dito e feito. Na noite do dia 4 a Petrobras anunciou seu resultado trimestral, mas não foi o pior resultado desde 2004 que entrou no radar dos investidores.
Com uma distribuição muito abaixo dos dividendos para as ações ON – R$ 0,47, comparados aos R$ 0,96 por ação PN -, pela primeira vez desde 2000 as ações preferenciais se tornaram mais caras que as ordinárias. As ações ON fecharam o mês com perdas de 20,52%, enquanto as PN caíram 8,13%.
Apesar do pagamento de dividendos diferenciaidos entre as duas classes de ações estar previsto no estatuto, essa não era uma prática recorrente para a estatal, de modo que em teleconferência dos diretores da Petrobras um analista do Credit Suisse classificou essa mudança como um “retrocesso em termos de governança”.
As notícias sobre o resultado da empresa também repercutiram na imprensa internacional. O Financial Times disse que o fraco desempenho da Petrobras prejudica a imagem do Brasil, enquanto a Forbes chamou a empresa de “patinho feio” entre as multinacionais do setor.
Continua depois da publicidade
Equipes de análises conceituadas no mercado, como a do JPMorgan, também cortaram suas projeções para a Petrobras, dizendo que o momento não é de investimento no Brasil, enquanto a do Morgan Stanley apresentou diversos motivos para cortar o preço-alvo das ações da estatal. Além da diferença nos dividendos, eles citam o alto endividamento da empresa e as perdas no segmento de refinarias.
Incertezas e rumores continuam a rondar a OGX
A petrolífera de Eike Batista também não ficou fora das manchetes dos jornais, em um mês cuja ação fechou com perdas de 23,17%, aos R$ 3,15 e na lanterna do Ibovespa. Logo no último fechamento de janeiro a OGX Petróleo já atingia sua cotação mais baixa desde 2008, após a notícia de um poço seco no prospecto de Cozumel aumentar ainda mais as incertezas do mercado sobre a empresa.
Alguns dias depois, mais um dado ruim: a empresa produziu 16,4 mil barris de petróleo equivalentes por dia em janeiro, enquanto o mercado esperava por números mais elevados.
Continua depois da publicidade
Em meados do mês, Marcus Sequeira, analista do Deutsche Bank com o maior índice de acertos nas previsões da OGX Petróleo, segundo ranking da Bloomberg, ia na contramão do restante dos analistas e alertava que a ação podia cair ainda mais, mesmo que a ação já estivesse nas mínimas desde 2008 – atualmente ela continua nas mínimas de 2008, ano em que a empresa abriu capital. Para ele, a OGX ainda traz muitos riscos que não são precificados pelo mercado.
Nos últimos dias deste mês parecia que a situação poderia mudar para os investidores. No pregão do dia 21 as ações da OGX dispararam quase 12% depois de surgirem rumores de que Eike Batista estaria negociando a venda de parte da empresa para a Petronas, estatal da Malásia.
Mas a negativa de um acordo com a Petronas – ainda que a empresa mantenha “permanente contato com vários investidores sobre diferentes oportunidades de negócio”, segundo comunicado – fez os papéis devolverem todos os ganhos dos rumores logo em seguida e garantirem à empresa a última posição do Ibovespa no mês.