Volume de ADRs das empresas brasileiras sofre forte queda em 2012

Giro médio dos papéis negociados em Nova York despenca 26,7% no último ano e fica, pelo terceiro ano seguido, abaixo do volume médio negociado na BM&FBovespa

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SÃO PAULO – Os papéis de empresas brasileiras negociados em Nova York despencaram em 2012. O volume médio negociado por dia foi de US$ 1,99 bilhão, bem abaixo dos US$ 2,72 bilhões vistos no ano anterior. Ou seja, essa variação representa uma queda de 26,68%, mostra pesquisa da consultoria Economática.

Com isso, o volume médio desses papéis negociados nos EUA, conhecidos por ADRs (American Depositary Receipts), ficou pelo terceiro ano seguido abaixo do volume médio negociado na BM&FBovespa, de US$ 3,18 bilhões.

Apesar dessa forte queda, apenas duas ações negociadas na BM&FBovespa tiveram volume superior ao de seus ADRs, conforme comparação levando em conta os 10 papéis mais líquidos. São eles os ativos preferenciais da Vale (VALE5, US$ 343,6 milhões na bolsa local contra US$ 152,5 milhões dos ADRs) e da Petrobras (PETR4, US$ 268,2 milhões, contra US$ 176,3 milhões).

Mas, na linha contrária, os ativos ordinários da petrolífera e da mineradora viram uma negociação muito maior de seus ADRs do que de suas ações no Brasil.

Em Nova York, o volume médio dos ativos PETR3, da Petrobras, foi de US$ 327,8 milhões e o volume dos ativos VALE3, da Vale, foi de US$ 378,0 milhões. Estes são bem superiores aos US$ 73,4 milhões da petrolífera e aos US$ 94,2 milhões da mineradora negociados na bolsa brasileira.

Apesar de não tão intensa quanto a queda no volume médio dos ADRs, o volume das ações negociadas na BM&FBovespa também caiu, passando de US$ 3,39 bilhões em 2011 para US$ 3,18 bilhões no último ano.

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Um dos motivos pelos quais o volume financeiro do mercado local ter sido menor em 2012 é o fato do dólar ter tido valorização de 8,94%, aliado à queda do preço das ações de alguns setores como o de energia elétrica e petróleo e gás”, explica a pesquisa.

Elétricas e petrolíferas sofrem em 2012
Na tentativa de reuzir o custo da energia no país, o setor elétrico foi fortemente marcado pela medida do governo que antecipa as renovações de concessões em distribuidoras e geradoras com vencimentos entre 2015 e 2017. Por meio das novas regras, as empresas perdem receitas, o que levou Armando Casado de Araújo, diretor de relações com investidores da Eletrobras (ELET3, ELET6), a alertar que o Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) deve zerar neste ano.

Uma das mais prejudicadas no setor, o ativo ELET3 despencou 61,35%, trajetória semelhante seguida pelo ELET6, que amargou perdas de 57,5%.

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No setor de petróleo e gás, algumas empresas com importante participação na bolsa, como Petrobras e OGX Petróleo (OGXP3) também foram marcados por eventos negaitvos. A estatal, que teve o primeiro prejuízo trimestral desde 1999, foi prejudicada pela diferença nos preços da gasolina no mercado internacional e nacional, enquanto a petrolífera de Eike Batista sofreu após divulgar uma produção decepcionante nos poços de Tubarão Azul.

As ações ordinárias da estatal caíram 12,99% no ano, enquanto as preferenciais caíram 6,91%. Já os papéis da OGX despencaram 67,84%.