Com importações, JP Morgan corta estimativas para Petro e diz preferir OGX

Banco reduz preço-alvo para ADR da Petrobras, mas potencial de valorização é de mais de 25%

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SÃO PAULO – O JP Morgan reduziu o preço-alvo para os ADRs (American Depositary Receits) da Petrobras (PETR3; PETR4), os papéis da companhia na Nyse (New York Stock Exchange) que são equivalentes às ações ordinárias negociadas na BM&FBovespa. A expectativa do banco norte-americano é que os papéis fechem 2013 aos US$ 25,00 – o que representaria um potencial de alta de 26,20% frente o fechamento da sexta-feira (25).

“Mantemos nossa recomendação neutra, acreditando que a produção do pré-sal pode começar a crescer e a nova capacidade de refino deverá oferecer um novo ponto de entrada em 2014”, afirmam os analistas Caio Carvalhal e Felipe Dos Santos. Apesar do viés negativo dado por um grande banco – algo que costuma ter bastante impacto nas ações de uma empresa – as ações preferenciais da estatal demoraram para operar no campo negativo: após chegarem a subir mais de 1% durante a manhã, os ativos PETR4 operam com desvalorização de 0,82%, segundo cotação das 14h28 (horário de Brasília).

No momento, os analistas dizem preferir os papéis da OGX Petróleo (OGXP3). “Vemos muitos catalisadores que podem oferecer valor à empresa em 2013”, alertam os analistas. Não são os primeiros a recomendar a petrolífera de Eike Batista no lugar da estatal neste ano: o Barclays e o Safra também já o fizeram.

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Petrobras pressionada pelas importações
Carvalha e Dos Santos salientam que a revisão do modelo se deu por conta das importações acima do esperado – já que a companhia continua a comprar derivados de petróleo para suprir a demanda interna. É a combinação disso com atrasos no aumento da capacidade de refino com forte demanda doméstica e uma política de preços pouco clara que continua a prejudicar a estatal.

“Ainda estamos relutantes em considerar altas no preço da gasolina e de diesel em nossos modelos, mas começamos a considerá-lo por conta do avanço da dívida da companhia e preocupações sobre a capacidade da empresa de pagá-la”, afirmam os analistas. Eles salientam, porém, que as pressões inflacionárias e o baixo crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) continuam apertando contra essa possibilidade.

Lucro de R$ 6,7 bilhões no 4º trimestre
Por conta da expectativa de maiores importações de derivados, Carvalhal e Dos Santos reduziram suas estimativas em relação ao resultado da Petrobras no quatro trimestre: receitas de R$ 74,6 bilhões, Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de R$ 15,3 bilhões e lucro líquido de R$ 6,7 bilhões.

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“Acreditamos que o mercado deve continuar focando os resultados do negócio de refinamento de petróleo, por conta dos altos níveis de importação e consumo de combustível doméstico”, destacam os analistas. 

O time do JP também reduziu as expectativas para o Ebitda para 2013 em cerca de 10%, para R$ 33,4 bilhões, acreditando que o nível de importações deve permanecer elevado. “Isso deve ser parcialmente contrabalançado por uma alta de 3% na produção doméstica e uma alta de cerca de 2% no valor do real frente o dólar”, dizem. 

Para a rentabilidade da empresa retornar é necessário um aumento no preço da gasolina e do diesel. Na avaliação dos analistas do JPMorgan, um cenário com um aumento de apenas 10% faria com que as receitas da companhia fossem 2% superiores ao cenário sem o reajuste, o Ebitda disparasse 15% e o lucro líquido tivesse crescimento de 21%.