Na volta do feriado, Ibovespa fecha em queda de 0,37%

Mercado repercutiu noticiário europeu, com impasse sobre resolução da crise; Eletrobras segue em forte queda

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*Atualizado às 19h09

SÃO PAULO – Após a alta de 1,81% na sessão da última segunda-feira (19), o Ibovespa não sustentou os ganhos e voltou a fechar em queda, repercutindo o noticiário internacional. Com isso, o índice fechou com queda de 0,37% aos 56.242 pontos. O giro financeiro foi de R$ 7,11 bilhões.

Como o mercado ficou fechado na terça-feira, por conta do feriado do Dia Nacional da Consciência Negra, os investidores precificam o noticiário internacional. Vale ressaltar que, na véspera, houve queda do índice de ADRs (American Depositary Receipts) brasileiros negociados na Nyse (New York Stock Exchange) na terça-feira. 

Na véspera, o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, afirmou que a autoridade monetária não pode compensar o dano potencial do “abismo fiscal”, decepcionando os investidores e contribuindo para um pregão quase estável nos mercados lá fora.

No cenário interno, uma boa notícia. A agência de classificação Moody’s confirmou o rating do Brasil em Baa2, mantendo a perspectiva positiva para a nota, apesar de ter indicado que haverá uma elevação apenas quando o Brasil tiver um crescimento econômico menos volátil e mais robusto.

Destaques corporativos
As ações da Eletrobras (ELET3; ELET6) foram mais uma vez o destaque de queda na sessão. Os papéis ordinários despencaram 15,73%, aos R$ 6,75, enquanto os preferenciais classe B recuaram 20,08%, aos R$ 7,84 – figurando entre as maiores quedas do Ibovespa. Na segunda-feira (19), as ações ELET3 já haviam caído 13,41% e as ELET6 em 15,43%, refletindo o corte de preço-alvo pelo Barclays para apenas R$ 1. 

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Já na ponta positiva, os papéis ordinários da Marfrig (MRFG3), da CESP (CESP6) e da Suzano(SUZB5), com ganhos respectivos de 4,78%, 3,35% e 2,86%. Os papéis da Brasil Foods (BRFS3) também tiveram ganhos, de 2,32%, em meio ao bom momentum vivido pelas ações, após a divulgação dos resultados em 12 de novembro. 

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 ELET6 ELETROBRAS PNB 7,84 -20,08 -68,21 93,44M
 ELET3 ELETROBRAS ON 6,75 -15,73 -58,80 82,86M
 TRPL4 TRAN PAULIST PN 29,70 -6,75 -45,90 11,93M
 LLXL3 LLX LOG ON 2,01 -5,63 -40,36 21,89M
 SBSP3 SABESP ON 80,54 -5,55 +61,13 110,73M

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

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 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 MRFG3 MARFRIG ON 12,05 +4,78 +41,10 56,23M
 CESP6 CESP PNB 16,35 +3,35 -48,36 10,52M
 SUZB5 SUZANO PAPEL PNA INT 5,76 +2,86 -14,54 20,90M
 EMBR3 EMBRAER ON 14,17 +2,61 +21,96 45,39M
 GOAU4 GERDAU MET PN EJ 23,15 +2,57 +31,57 19,33M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Neg 
 VALE5 VALE PNA 35,44 +1,06 748,47M 28.926 
 PETR4 PETROBRAS PN 18,62 -2,67 601,66M 35.957 
 VALE3 VALE ON 36,45 +1,39 294,62M 14.032 
 OGXP3 OGX PETROLEO ON 4,65 -4,91 257,78M 25.869 
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN 31,35 +1,23 253,44M 20.297 
 BBDC4 BRADESCO PN 34,18 +2,03 227,35M 18.373 
 PETR3 PETROBRAS ON 19,20 -2,78 185,33M 14.714 
 BBAS3 BRASIL ON ED 21,00 +0,29 149,14M 11.249 
 BRFS3 BRF FOODS ON 38,88 +2,32 146,34M 11.344 
 BVMF3 BMFBOVESPA ON 12,54 -2,26 135,14M 19.442 

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)
 

EUA e Europa: cenário ainda é de cautela
Apesar da recuperação do mercado, o foco dos investidores segue ainda no impassepara a resolução de problemas no mercado internacional. Além da fala do presidente do Fed, a Europa seguiu no radar, com a demora em liberar nova tranche do pacote de ajuda à Grécia.

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Após 12 horas de reunião entre os ministros de finanças da zona do euro, com a participação da diretora-gerente do FMI (Fundo Monetário Internacional), Christine Lagarde, e do presidente do BCE (Banco Central Europeu), Mario Draghi, mas sem chegar a um acordo, um novo encontro foi agendado para a próxima segunda-feira, 26. Contudo, dentre as boas notícias, esteve o acordo entre a zona do euro e o FMI para um programa de recompra da dívida grega.

Minuta do BoE
Já nesta quarta-feira, o destaque no Velho Continente fica com a ata da última reunião do BoE (Bank of England). Pelo documento, apenas um dos nove membros do comitê de política monetária discordou da decisão tomada no início deste mês, de manter o programa de compra de títulos inalterado, em £ 375 bilhões, votando por uma aumento de £ 25 bilhões.

Agenda cheia
Nos EUA, a agenda econômica esteve repleta de indicadores antes do feriado de Dia de Ação de Graças, que manterá as bolsas de Nova York fechadas na quinta-feira e com horário de negociação reduzido na sexta-feira. O Initial Claims veio melhor do que o esperado pelos analistas. Na passagem semanal, foram observados 410 mil novas solicitações de auxílio-desemprego no país, contra expectativa de 435 mil. Já a confiança do consumidor no país, apesar de uma leve alta, ficou abaixo do esperado no mês de novembro, passando para 82,7 pontos ante expectativa de 84 pontos.

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O Leading Indicators, com a compilação dos mais importantes indicadores do país, ficou em linha com o esperado ao apresentar alta de 0,2% em outubro.

No mercado brasileiro, por outro lado, o dia foi fraco. A agenda teve apenas a divulgação da nota de mercado aberto pelo Banco Central, revelando o aumento da dívida pública federal em outubro com a emissão de títulos públicos, além do fluxo de câmbio, que mostrou um saldo positivo de US$ 3,5 bilhões na entrada de dólares até o dia 16 de novembro.

Bolsas Internacionais
No mercado internacional, as bolsas registraram leve alta. O índice Dow Jones, que mede o desempenho das 30 principais blue chips norte-americanas, fechou em leve alta de 0,38% e atingiu 12.837 pontos. Seguindo esta tendência, o índice Nasdaq Composite valorizou-se 0,35% a 2.926 pontos, da mesma forma, o índice S&P 500, que engloba as 500 principais empresas norte-americanas, subiu 0,23% a 1.391 pontos.

Na Europa, o índice CAC 40 da bolsa de Paris registrou leve alta de 0,44% e atingiu 3.477 pontos; no mesmo sentido, o índice DAX 30 da bolsa de Frankfurt valorizou-se 0,16% chegando a 7.185 pontos e o FTSE 100, da bolsa de Londres, subiu 0,07% a 5.752 pontos.

Dólar
O dólar comercial fechou em alta de 0,68% terminando a R$ 2,0952 na venda, testando o maior patamar em quase três anos. A expectativa de analistas do mercado de câmbio é de que a moeda não deve passar muito o valor observado na sessão, uma vez que o Banco Central atua de modo a manter o câmbio entre R$ 2 e R$ 2,10.

Renda Fixa
As taxas dos principais contratos de juros futuros fecharam em rumos opostos na sessão, em meio aos temores de maior inflação com a alta do dólar. O contrato de juros de maior liquidez nesta sexta-feira, com vencimento em janeiro de 2014 registrou alta de 0,02 ponto percentual, com taxa de 7,35%.

No mercado de títulos da dívida externa, o título brasileiro mais líquido, o Global 40, fechou com baixa de 0,03%, a 127,07% do valor de face. Já o indicador de risco-País fechou em queda de 6,75%, aos 152 pontos ante 163 pontos do fechamento anterior, com baixa de onze pontos-base.

Agenda da próxima sessão
Sem a divulgação de dados econômicos nos EUA, os olhos se voltarão aos indicadores internos. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) revelará o IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo – 15) de novembro. Esse índice é calculado segundo a mesma metodologia do IPCA, mas a coleta dos dados é feita entre os dias 15 de cada mês. O instituto reporta ainda a Pesquisa Mensal de Emprego referente ao mês de outubro, documento que descreve o mercado de trabalho no País.

Já o BC divulga a Nota do Setor Externo de outubro, contendo informações sobre o balanço de pagamentos e as reservas internacionais computadas no período.

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Lara Rizério
Mercados | Economia | Onde Investir

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.