Comércio de combustíveis quer redução da mistura de etanol na gasolina

Por outro lado, durante reunião na Câmara, parlamentares pedem um melhor planejamento para o setor de etanol

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SÃO PAULO – A Medida Provisória 532/11, que altera a política de combustíveis do País, está sendo debatida na tarde desta quarta-feira (25) pela Câmara dos Deputados e, enquanto os representantes do comércio de combustíveis defendem a redução da mistura de álcool na gasolina, parlamentares pedem um melhor planejamento para o setor de etanol.

A medida estabelece um aumento da margem de mistura, que hoje pode ser de no mínimo 20% e no máximo 25%, passando de 18% para 25%. O presidente da Fecombustíveis (Federação do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes), Paulo Miranda Soares, afirmou que o percentual ideal seria entre 10% e 25%.

Para o deputado Arnaldo Jardim (PPS-SP), por sua vez, o que precisa ser discutido é um melhor planejamento do segmento de etanol. “Os preços diminuíram agora, mas a situação pode se repetir. Estamos falando de um combustível que queremos que sobreviva e se desenvolva”, afirmou Jardim, de acordo com a Agência Câmara.

O deputado Dr. Aluizio (PV-RJ), por outro lado, cobrou a elaboração de um marco regulatório para o setor, a fim de garantir a competitividade do segmento.

Safra x flex
O crescimento da safra de cana-de-açúcar não acompanha o aumento da frota de veículos flex, disse durante a reunião o presidente da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), Marcos Sawaya Jank. “A desaceleração atingiu as indústrias. Em vez da construção de novas usinas, houve a compra de usinas em dificuldade. Usinas mudaram de mãos, mas não houve o plantio de novas canas. Temos que fazer a indústria voltar a crescer”, disse, de acordo com a Agência Câmara.

De acordo com ele, existe um deficit de 150 novas usinas até 2020, o que demandaria o investimento de R$ 80 bilhões. Porém, essas novas usinas não aparecem, por causa do aumento do custo de produção da cana.

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Jank ainda citou a baixa competitividade do preço do etanol em relação ao valor da gasolina. “Quando o preço ultrapassa 70% do preço da gasolina, o consumidor rapidamente migra para a gasolina. O preço da gasolina é o nosso teto. Mas, aqui no Brasil, a gasolina varia de preço. Dá a impressão que o problema está no etanol, mas a gasolina não varia conforme os preços internacionais do petróleo”, disse, ainda segundo a agência.

Abastecimento
O diretor da ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis), Allan Kardec Duailibe, reconheceu as diferenças entre a demanda de etanol e a produção de cana. Ele acredita que, de fato, os canaviais não acompanham a indústria automobilística.

Ele ainda ressaltou que pediu, por meio de carta, ao Ministério do Planejamento, rapidez no financiamento do estoque, a fim de garantir o abastecimento durante a próxima entressafra.