Resumo Semanal

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Com um cenário em que tanto a Europa quanto os EUA e o Brasil estiveram em destaque, a semana terminou com a queda do Ibovespa. Em meio ao impasse sobre o “fiscal cliff” nos EUA, os avanços sobre a negociação da dívida soberana na Grécia, a revisão do governo brasileiro sobre as indenizações das elétricas e o PIB abaixo do esperado pelo mercado, o ritmo ditado pelos mercados foi de alta volatilidade.

Com isso, o benchmark da bolsa encerrou com leve baixa de 0,17%, aos 57.474 pontos, após ter registrado forte alta de 3,91% na semana anterior.

No início da semana, após ter encerrado a segunda-feira em queda em meio ao cenário de cautela global, o mercado mostrou-se mais animado após o acordo estabelecido na noite de segunda-feira entre os ministros da zona do euro e o FMI, que facilitaram os termos de ajuda à Grécia. O acordo abriu caminho para o desembolso da nova parcela do empréstimo internacional ao país, em dezembro.

Desta forma, houve um alívio temporário dos mercados. Entretanto, a crise da dívida na zona do euro está longe de terminar, uma vez que ainda é improvável que a Grécia siga as novas determinações de endividamento, mesmo que elas sejam mais brandas. E ainda, para desanimar mais os investidores, esteve a forte revisão para baixo das perspectivas da OCDE para a economia mundial.

Abismo fiscal no radar
Já no meio da semana, a Europa deixou de ser o foco, passando a ser os Estados Unidos e a questão do “fiscal cliff”. Caso não seja realizado um acordo para evitar o abismo fiscal a partir de 2013, que constitui numa forte queda nos gastos e alta dos impostos, a maior economia do mundo pode enfrentar uma recessão econômica. Entretanto, o caminho para um acordo para estar longe de ser concretizado, uma vez que as discussões entre republicanos e democratas segue acalorada.

Na quinta-feira, os mercados estiveram em alta tanto no Brasil quanto no exterior, tendo como principal vetor o discurso do republicano e presidente da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, John Boehner, que mostrou otimismo que um acordo possa ser alcançado. Entretanto, na véspera, Boehner afirmou estar “desapontado” com a falta de progresso nas conversações com a Casa Branca para evitar o abismo fiscal, lançando um tom nitidamente negativo sobre as perspectivas de um acordo.

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Pouco tempo depois, o líder da maioria no Senado, o democrata Harry Reid, afirmou que Geithner não fez nenhuma oferta aos republicanos. Isso porque o presidente Barack Obama já teria feito a sua oferta e os democratas “estão todos na mesma página” na questão do “abismo fiscal”. Reid disse que não entende o pensamento de Boehner e que se não houver acordo será culpa dos líderes republicanos. “Não há outra oferta a ser feita”, assegurou.

As discussões continuaram na sexta. A fala do presidente norte-americano, Barack Obama, em uma fábrica, chamou a a atenção, alertando à imprensa internacional que a economia vai parar se um conjunto automático de aumento de impostos e corte de gastos entrar em vigor em janeiro, referindo-se ao “fiscal cliff”.

Logo após as falas de Obama, Boehner, afirmou que o aumento das taxas, uma das propostas do presidente eleito durante a campanha, é uma “abordagem errada”. Ele criticou a defesa do presidente, dizendo que: “não é uma proposta séria” e ainda existe um impasse muito grande nas convesações sobre a dívida.

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Brasil: revisão de indenizações, Copom e PIB abaixo do esperado
No cenário interno, as elétricas se recuperaram da forte queda das últimas semanas, sustentadas principalmente pela possível revisão dos valores das indenizações de concessões de elétricas, que foi confirmada na última sexta-feira.

O governo elevou o valor das indenizações para algumas hidrelétricas e ofereceu um ressarcimento adicional às transmissoras de energia de até R$ 10 bilhões. Desta forma, a expectativa do governo é que todas as empresas aceitem a renovação antecipada e condicionada das concessões que vencem entre 2015 e 2017, tais como Eletrobras, Light, Cemig e Copel e Cesp.

Entre essas, o destaque ficou com a Eletrobras que, na semana passada, tinha registrado o pior desempenho desde o início do plano real em meio às indenizações bem abaixo do esperado pelo mercado, fazendo com que ela tivesse os maiores ganhos da semana.

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Já nas decisões de política monetária, o destaque ficou com o Copom, que optou por manter a taxa básica de juro da economia, a taxa Selic, em 7,25% ao ano, sinalizando a possibilidade de novo corte caso a economia mundial continue se deteriorando. Com essa medida, o Copom encerra um ciclo de cortes iniciado na reunião de agosto de 2011. Deste então, a Selic já caiu 525 pontos-base, com nove cortes sucessivos.

Entretanto, as possibilidades de cortes adicionais na taxa básica de juro aumentaram, uma vez que o PIB do terceiro trimestre divulgado pelo IBGE registrou um desempenho bem abaixo do esperado pelo mercado. Esse desempenho abaixo poderia inclusive influenciar negativamente nas negociações das indenizações pagas às elétricas.

De acordo com o divulgado pelo IBGE, a economia brasileira avançou apenas a metade do projetado pelos analistas, isso é, 0,6% no terceiro trimestre deste ano, na comparação com o período de abril a junho. Já há quem diga que o PIB do ano terá que ser revisto para algo em torno de 1,2% a 1,3%.

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Cenário corporativo
Dentre os maiores destaques da bolsa, estiveram as ações da LLX, que registraram forte alta de 27,59% no pregão de quinta-feira, após anunciar acordo com a General Electric para instalar uma unidade industrial da companhia no Superporto de Açu, com contrato firmado por 30 anos. Entretanto, a sexta-feira teve uma forte volatilidade dos papéis da companhia, após anúncio do novo presidente, fazendo com que as ações tivessem forte alta mas, posteriormente, registraram baixa.

Também do grupo EBX, mais uma empresa recebeu destaque na semana. A construção do estaleiro da OSX Brasil no superporto do Açu, na região norte do Estado do Rio de Janeiro, conta com trabalhadores da empresa em condições subumanas, segundo o noticiado a rede Globo de televisão na quinta-feira.

Já no começo da semana, o destaque ficou ainda com a forte movimentação no mercado de petróleo. A OGX Petróleo adquiriu 40% do Bloco BS-4 na segunda-feira, por US$ 270 milhões. Esses valores deverão ser pagos à Petrobras, que era a operadora do bloco e liquidou a sua posição – embora a venda esteja sujeita à aprovação da ANP.

Enquanto isso, a HRT Participações assinou um contrato de farm-out com a Galp Energia em referência à 14% de suas participações em três PEL na Namíbia – as PEL 23, em Walvis, 24 e 28, em Orange.

Agenda da próxima semana
Dentro da agenda doméstica para a primeira semana de dezembro, destaque para o IPCA e o INPC de novembro, que servem como base para o Banco Central acompanhar a inflação.

O instituto ainda irá apresentar as Pesquisas de indústria tanto regional quanto nacional. Enquanto o Dieese revela o ICV referente ao mês de novembro. O relatório contém informações a respeito do custo de vida dos moradores do município de São Paulo.

No mercado norte-americano, destaque para os números revisados do Productivity & Costs do terceiro trimestre, índice que mede a produtividade da mão-de-obra da economia norte-americana, excluída a agropecuária. Além disso, será divulgado o relatório de emprego do mês de novembro, composto por: taxa de desemprego, número de postos de trabalho, ganho por hora trabalhada e média de horas trabalhadas. Além disso, o mercado ficará atento ainda às reuniões de política monetária na zona do euro e do BoE.

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Lara Rizério
Mercados | Economia | Onde Investir

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.