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SÃO PAULO – Para a população brasileira, uma das conseqüências da crise que afetou a economia do mundo todo em meados de 2008 foram as mudanças no prazos de financiamento.
Enquanto em 2007, de acordo com a Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), os prazos para financiamento de veículos, por exemplo, ficavam entre a média de 42 meses e a máxima de 84 meses, em 2008, auge do período de instabilidade, os prazos terminaram o ano entre 33 meses (média) e 60 meses (máxima).
Passado o período de incertezas e confirmando que o Brasil havia saído da crise de uma forma mesmo traumática do que muitos países desenvolvidos, ao final de 2009, os prazos de financiamento já voltavam aos patamares pré-crise, fechando o ano entre a média de 42 meses e a máxima de 80 meses para veículos.
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Retomada
De acordo com a Anefac, entre janeiro e abril do ano passado, as financeiras ainda estavam contidas, segurando o número de parcelas das operações de crédito, mas, a partir de maio, a situação foi voltando ao normal, como mostra a tabela abaixo:
| Prazos de financiamento | |||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Mês | Veículos | Outros | Mês | Veículos | Outros | ||
| Janeiro | Máximo | 60 meses | 24 meses | Julho | Máximo | 80 meses | 36 meses |
| Médio | 33 meses | 12 meses | Médio | 39 meses | 16 meses | ||
| Fevereiro | Máximo | 60 meses | 24 meses | Agosto | Máximo | 80 meses | 36 meses |
| Médio | 33 meses | 12 meses | Médio | 41 meses | 16 meses | ||
| Março | Máximo | 60 meses | 24 meses | Setembro | Máximo | 80 meses | 36 meses |
| Médio | 33 meses | 12 meses | Médio | 42 meses | 16 meses | ||
| Abril | Máximo | 60 meses | 24 meses | Outubro | Máximo | 80 meses | 36 meses |
| Médio | 33 meses | 12 meses | Médio | 42 meses | 16 meses | ||
| Maio | Máximo | 80 meses | 36 meses | Novembro | Máximo | 80 meses | 36 meses |
| Médio | 36 meses | 16 meses | Médio | 42 meses | 16 meses | ||
| Junho | Máximo | 80 meses | 36 meses | Dezembro | Máximo | 80 meses | 36 meses |
| Médio | 37 meses | 16 meses | Médio | 42 meses | 16 meses | ||
| Fonte: Anefac | |||||||
Cuidados na tomada de crédito
Prazos mais longos facilitam a tomada de crédito, pois oferecem ao consumidor parcelas mais acessíveis mensalmente. No entanto, é importante frisar que, na hora de contratar um financiamento, olhar apenas o valor da parcela e o impacto dela no orçamento mensal pode fazer com que um determinado item custe, ao final do parcelamento, muito mais do que o seu valor original.
Assim, variáveis como taxa de juros, prazo, valor inicial e final do bem devem fazer parte da análise antes da contratação do crédito. A principal dica é avaliar se não vale a pena esperar, poupar e comprar o item à vista.
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A tabela abaixo mostra o impacto no orçamento de uma compra financiada:
| Compra financiada | |
|---|---|
| Valor do produto à vista | R$ 5.000 |
| Prazo do financiamento | 12 meses |
| Taxa de juros (mês) | 2% |
| Valor da parcela (mês) | R$ 472,80 |
| Valor final do produto parcelado | R$ 5.673,58 |
| Fonte: InfoMoney | |
Como mostrado na tabela acima, o consumidor teria de dispor de mais de R$ 470 por mês, durante 12 meses, para pagar o financiamento, considerando um juros hipotético de 2% ao mês. O item, que inicialmente custava R$ 5.000, sairia por R$ 5.673,58 no final do parcelamento.
Caso seja possível adiar a compra do bem, o consumidor pode guardar a quantia que teria de dispor mensalmente para o pagamento do financiamento e pagar o item à vista. A próxima tabela mostra a economia que esse planejamento representaria, imaginando que a pessoa aplique o valor, mensalmente, em uma modalidade conservadora de investimento e que possa ser resgatada facilmente, como a caderneta de poupança.
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| Compra planejada | |
|---|---|
| Poupança mensal | R$ 472,80 |
| Rendimento mensal | 0,5% |
| Prazo de investimento | 12 meses |
| Montante no final do período | R$ 5.832,25 |
| Fonte: InfoMoney | |
Comparando as duas tabelas, é possível observar que, além de evitar pagar mais pelo item, já que a compra à vista não tem a incidência de juros, ao final do mesmo período destinado ao financiamento, a pessoa compraria o produto e ainda sobraria dinheiro, que poderia servir como “pontapé” inicial para uma reserva de emergência.