Gafisa despenca 8% e MMX atinge mínima desde 2009; veja destaques

Brookfield acompanhou desempenho da Gafisa, enquanto a CCX registrou a 8ª queda nos últimos 9 pregões

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SÃO PAULO – Mais um pregão volátil na BM&FBovespa. O Ibovespa inverteu sinal seis vezes antes de terminar esta quinta-feira (4) em queda de 0,28%, aos 58.458 pontos. Puxando o desempenho negativo do principal índice da bolsa nacional esteve a ação da Gafisa (GFSA3), que caiu 8,05%, para R$ 3,77, enquanto a Cielo (CIEL3) liderou os ganhos com alta de 4,91%, fechando a R$ 52,77. 

O papel da construtora parece ter invertido a tendência de ganhos dos últimos meses: GFSA3 saiu da região dos R$ 2,20 em julho para R$ 4,80 em agosto – uma impressionante alta de 120% sem grandes explicações. “Esse papel parece estar bastante volátil ultimamente”, avalia Henri Evrard, analista da Infinity Asset.

O papel, que chegou a registrar queda de 8,29% no intraday, se isola na liderança da ponta negativa do setor, que viu a Brookfield (BISA3) recuar 5,46% – a segunda posição do benchmark – chegando aos R$ 3,46. Enquanto isso, o IMOB, que acompanha as empresas do setor imobiliário e de shopping centers, caiu apenas 0,62%, amenizado pela alta das ações de administradoras de shopping.

Alguns fatores estariam pesando sobre o desempenho da Gafisa na visão de Evrard: além da fortíssima alta, a empresa passa por uma pesada especulação sobre o futuro da Alphaville – sua operação voltada para o mercado de alta renda. Essa subsidiária pode ser vendida, e o resultado ainda é fruto de dúvida no mercado.

“Alguns analistas acham que isso seriam bom para a empresa, mas quem sabe? É um dos poucos negócios da Gafisa que dá lucro”, afirma Evrard. Se o resultado da venda da “galinha de ovos de ouro” não é consenso, há uma percepção de que a queda do primeiro semestre foi exagerada, de acordo com o analista da Infinity, o preço praticado precificava uma possível quebra da Gafisa.

“E se a empresa não vai quebrar, havia potencial para alta”, afirma. Para ele, conforme os investidores tentam descobrir qual a melhor faixa, é capaz que o acionista da Gafisa tenha que arcar com um alto grau de incerteza e insegurança em relação à ação, já que esta deve apresentar movimentos fortes tanto para cima quanto para baixo.

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Cielo na liderança do Ibovespa…
As ações da Cielo lideraram os ganhos do Ibovespa, se recuperando frente da forte queda das últimas sessões, percebida como “exagerada” por boa parte do mercado. Refletindo as pressões governamentais, o papel CIEL3 caiu de R$ 61,68 em meados de setembro para R$ 49,10 no começo de outubro – uma queda de 20,40%.

“Acredito que isso seja um ajuste técnico”, avalia Ivanor Torres, analista da Geral Investimentos. Ele lembra que algumas casas de research, como o HSBC e o Safra, vieram a recomendar a compra dessas ações recentemente por conta desse exagero. “É possível que tenhamos tido uma avaliação errada por parte do mercado”, afirma. Não é a primeira vez que isso acontece: os papéis da Cielo caíram bastante no segundo semestre de 2010 por temores de aumento da concorrência no setor de credenciamento de cartões – e uma subsequente piora nos resultados, que não se concretizou. 

Para ele, a empresa ainda é um bom investimento para investidores focados em receber bons dividendos. “É uma excelente geradora de caixa e paga bons proventos”, avalia o analista. Um alerta, porém: o setor tem sido bastante questionado por conta da qualidade do serviço duvidosa por parte dos consumidores e pela demora em disponibilizar a quantia movimentada pelo comércio aos lojistas. “E isso tudo encarece os custos da empresa, talvez esse movimento de quedas seja o mercado tentando antecipar uma queda mais expressiva”, finaliza o analista. 

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…mas Magazine Luiza subiu mais
Impressionante, porém, foi a alta de 5,84% das ações da Magazine Luiza (MGLU3), que terminaram o pregão aos R$ 12,50. Isso pode ser fruto da perspectiva positiva para o setor de consumo na bolsa. “Os estrangeiros parecem estar se preparando , e eles não veem muitas alternativas de investimento se não no setor de consumo voltado para o mercado interno”, avalia Evrard, lembrando que outros papéis – como Lojas Americanas (LAME4), Arezzo (ARZZ3) e Lojas Renner (LREN3) também tem apresentado fortes altas nos últimos dias. 

“O governo tem dado o tom em alguns setores, como o de energia elétrica, e isso pesa para o estrangeiro”, afirma. O investidor de fora é extremamente importante para o desempenho da bolsa nacional, acostumada a cair quando os estrangeiros retiram seu capital e a subir quando há injeção de novos capitais no Brasil. É válido destacar que o governo Dilma Rousseff tem tentado estimular o consumo, o que pode beneficiar empresas como a Magazine Luize. 

MMX: nova queda e patamar mínimo desde 2009
Por sua vez, os papéis da MMX Mineração (MMXM3) caíram 4,68%, atingindo os R$ 4,48. O Morgan Stanley cortou as recomendações para o papel da mineradora de Eike Batista, avaliando novas quedas para o preço do minério de ferro, principal commodity exportada pela empresa, por conta do desempenho da economia chinesa.

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Assim, MMXM3 atingiu o pior patamar desde 20 de abril de 2009 – mais de três anos atrás. Naquela época, a empresa se recuperava dos efeitos da crise financeira de 2008, que derrubou todas as principais ações da bolsa – incluindo a MMX, que naquela época era apenas pré-operacional. 

Marfrig continua rali altista
As ações da Marfrig (MRFG3) voltaram a destacar na ponta positiva, com alta de 3,78%, atingindo os R$ 12,34. Enquanto MRFG3 continua seu rali altista, dois fatores que podem estar impulsionando o papel, de acordo com os analistas: a queda no Boi Gordo e a elevação do preço-alvo das ações pelo Bank of America Merrill Lynch – que vê perspectivas mais positivas para o frigorífico.

Por enquanto, o papel acumula ganhos de 20,16%, depois de sair do patamar de R$ 10,27 no dia 20 de setembro. A queda do boi gordo é fundamental para melhorar a situação da Marfrig nas últimas semanas, já que o boi gordo tem recuado consistemente na BM&F. “Isso é positivo, já que as margens dos frigoríficos aumentam. Além disso, está previsto um repasse de preços de alimentos ao consumidor”, destaca o analista da Infinity Asset.  

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CCX registra 8ª queda em 9 pregões
Já a CCX Carvão (CCXC3) registrou queda de 4,85%, aos R$ 2,55. Essa foi a 8ª queda dessas ações em 9 regões, reflexo dos rumores de que o presidente da companhia havia sido demitido por Eike Batista, o controlador. Essa sequência já fez CCXC3 cair 22,32%. 

Embora os rumores tenham sido negados pela CCX, ainda persiste no mercado uma insegurança em relação ao desempenho da empresa. O próprio presidente assinou o comunicado em que a empresa desmentiu tais rumores.