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SÃO PAULO – Mais um dia de volatilidade na BM&FBovespa. O índice chegou a flertar com o campo negativo perto do fim do pregão, mas virou para o campo positivo nos minutos finais e fechou com alta de 0,19%, aos 58.571 pontos. O destaque da ponta positiva ficou com as ações da Cemig (CMIG4) que subiram 5,51% aos R$ 24,53, enquanto a ponta negativa foi ocupada pela B2W Varejo (BTOW3), que perdeu 5,95% de valor de mercado, fechando aos R$ 11,06.
Essa alta da estatal mineira segue a elevação de recomendação por parte do BTG Pactual, de neutra para compra, após a performance fraca registrada pelo ativo. Para os analistas, há um boa relação entre risco e retorno nos níveis atuais de preço e eles decidiram manter o preço-alvo em R$ 28, o que representa um potencial de 15,65% de alta para as ações.
Segundo os analistas, há três possíveis cenários para a Cemig: o primeiro é que a MP (Medida Provisória) sobre o setor seja aprovada sem mudança – a considerada menos provável -, e o preço justo cairia para R$ 23. No segundo panorama, considerado mais provável, o valor residual dos ativos de transmissão chegariam a R$ 1 bilhão com taxas para operadores das plantas, o que levaria o preço-alvo para R$ 26. Se a as plantas com renovação automática forem excluídas, contudo, o target subiria para R$ 38 – evento considerado pouco provável.
Empresas de Eike perdem quase R$ 1 bi de valor
O destaque da bolsa, porém, ficou com as ações das empresas do Grupo EBX, presidido por Eike Batista. Apenas a MPX Energia (MPXE3) apresentou alta em uma sessão extremamente negativa para o homem mais rico do Brasil, ao subir 0,99%, terminando aos R$ 10,25. Os papéis da OGX Petróleo (OGXP3) recuaram 3,65% aos R$ 5,55 – perdendo mais de R$ 600 milhões em valor de mercado. Já a OSX Brasil (OSXB3) caiu 0,75% aos R$ 11,91.
Enquanto isso, os papéis da MMX Mineração (MMXM3) tiveram queda de 3,57% aos R$ 4,32 e a LLX Logística (LLXL3) teve queda 4,24% aos R$ 2,71. As ações da CCX Carvão (CCXC3) recuaram 3,53% aos R$ 2,46, registrando sua nona queda nos últimos dez pregões. Assim, o valor de mercado das empresas de Eike caiu de R$ 28,9 bilhões para R$ 28,0 bilhões.
Imobiliárias lideram altas
As imobiliárias tiveram forte alta em reflexo a notícia de que o governo ajustou o limite do programa Minha Casa Minha Vida em dois estados brasileiros, São Paulo e Rio de Janeiro, além do distrito federal. No dia anterior, as ações da MRV Engenharia (MRVE3) dispararam 1,63% no período de pós-negociações na BM&FBovespa, o after hours, atingindo a região dos R$ 12,45. Nesta sessão, as ações MRVE3 registraram valorização de 2,78%, negociadas a R$ 12,59.
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Outras imobiliárias responderam positivamente ao anúncio nesta sexta. Os papéis da Cyrela (CYRE3) subiram 4,32% aos R$ 18,10, superados apenas pelos da Brookfield (BISA3) – que avançaram 4,34% aos R$ 3,61. Já o papel da Gafisa (GFSA3) terminou o dia em alta de 2,90%, aos R$ 3,90.
O analista Erick Scott Hood, da SLW Corretora, afirmou que o comunicado explica o desempenho positivo dos papéis. “Com os ajustes no programa Minha Casa Minha Vida, deve aumentar a demanda para as construtoras que atuam principalmente no setor de baixa renda”, explica. Além disso, ele reforça que a última sessão foi de forte queda para o setor de construção, o que deve contribuir com o movimento positivo nesta sessão.
Banco do Brasil se destaca entre quedas
O posicionamento do governo afirmando que pretende cumprir a meta do PIB (Produto Interno Bruto) para o ano, e que para isso as taxas de juros podem novamente ser reduzidas, pressiona as ações do Banco do Brasil (BBAS3) nesta sexta-fera (5), que operam bastante descoladas do setor.
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As ações da instituição financeira registravam queda de 4,16%, terminando a R$ 23,50. Esse movimento esteve descolado dos papéis de Itaú Unibanco (ITUB4), que subiram 0,79% aos R$ 30,79, mas alinhados com o do bradesco Bradesco (BBDC4), cujos ativos recuaram 0,46% para R$ 32,35.
Para o operador da Renascença Corretora, Eric Martins, o desempenho negativo dos papéis do Banco do Brasil reflete a preocupação dos analistas de que o banco seja utizado para novos cortes. “A desconfiança do mercado é que o governo utilize o Banco do Brasil para aplicar essas quedas nas taxas de juros”, afirma o analista.
As desconfianças do mercado ganham força com as medidas anunciadas recentemento pelo banco. Na última quarta-feira (4) o Banco do Brasil anunciou medidas para reduzir os juros em linhas de crédito para pessoas físicas e micro e pequenas empresas. O banco vai elevar em R$ 26,8 bilhões os limites de crédito para micro e pequenas empresas, e em R$ 16,3 bilhões os limites para pessoa física. No total, serão R$ 43,1 bilhões de aumento no limite de empréstimos.
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Não é a primeira vez que o governo utiliza os bancos públicos como ferramenta para intervir no setor financeiro privado. Em meados de abril, o BB anunciou redução nos juros de diversas linhas de financiamento, fazendo com que as instituições privadas também reduzissem as taxas de juros cobradas para diferentes modalidades para pessoas físicas e jurídicas como forma de manter a competitividade no mercado.
B2W volta a cair forte
Os papéis da B2W Varejo também tiveram um dia bastante negativo. “Não tem nada de novidade, a não ser o que já é conhecido do mercado”, afirma Sandra Peres, analista da Coinvalores. Ela ressalta que a empresa teve expressiva alta nos últimos meses, e podem estar realizando um pouco conforme a expectativa pelos resultados futuros segue bastante pessimista – assim como foi visto nos trimestres anteriores.
“Ela subiu muito por conta de boatos que ainda não se concretizaram”, avalia a analista, lembrando que recentemente a B2W foi alvo de rumores sobre uma possível venda ou fechamento de capital. Desde o começo de junho, os ativos BTOW3 chegaram a subir mais de 140%, mas já chegam ao segundo pregão seguido de forte queda.
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Compra da BR Foods agrada e ação sobe
Após o anúncio de compra da Federal Foods, distribuidora de alimentos nos Emirados Árabes Unidos pela BRFoods (BRFS3), por US$ 36 milhões, o BTG Pactual elogia o modelo de estratégia internacional da empresa e reitera recomendação de compra para a ação. As ações da empresa avançaram 2,31%, para R$ 36,75.
Segundo o banco, a ação é uma das preferidas da equipe para o setor, pois é esperado incremento nos lucros neste trimestre. O preço-alvo estipulado é de R$ 40,00, o que representa um potencial de 8,84% de alta.
“Vemos com bons olhos que a BRFoods está aumentando suas operações no segmento de distribuição, onde avaliamos que há retornos maiores, que antes ficavam apenas com o distribuidor”, disse o time de análise. Segundo os analistas, a operação fortalece as marcas do grupo e os leva a mercados locais.
HRT sobe mais de 4%
As ações da HRT (HRTP3) registraram alta de 4,17%, aos R$ 4,25. “A empresa ainda sobe por expectativa quanto a potencial monetização do gás no Solimões, uma vez que a empresa suportamente finalizou ontem seu projeto, para apresentar às autoridades da região e ao conselho”, afirma Roberto Altenhofen, analista da casa de research Empiricus.
Já Nataniel Cezimbra, analista do BBInvestimentos, vê a possibilidade da empresa divulgar seu plano de negócios. “E isso a gente tem que botar na conta e usar como métrica, além de dar uma dimensão de como anda o caixa da empresa”, afirma o analista, destacando que o mercado tem aguardado essa divulgação para
Amil na máxima histórica
As ações da Amil (AMIL3) atigiram sua máxima histórica neste pregão, com a possível venda de parte ou totalidade para a maior empresa de seguro de saúde dos Estados Unidos, a UnitedHealth, conforme apurou a agência de notícias Bloomberg. Segundo notícia da agência, pessoas familizaridas com o assunto informaram que a UnitedHealth está em negociações para a aquisição da Amil. Os papéis da companhia registravam valorização de 1,24% aos R$ 25,30. Na máxima do dia, as ações chegaram a atingir alta de 3,32% sendo cotadas a R$ 25,82.
O analista da Geral Investimentos, Carlos Müller, acredita que a venda é interpretada como um fator positivo, tendo em vista que vai entrar um player relevante no mercado, com boa expertise, embora ainda não se saiba sobre o valor dessa oferta. Outro ponto que deve ser considerado é que pode haver algum prêmio para os acionistas minoritários, avalia.
Vale mencionar que a Amil, que contratou o Credit Suisse para assessorá-la na venda de uma participação da empresa, conversa também com outros investidores em potencial, embora um acordo com a UnitedHealth seja considerado mais provável e pode ser anunciado já na semana que vem, de acordo com a Bloomberg.
Ação da Viver sobe forte
As ações da Viver (VIVR3) subiram forte, amparadas na aprovação do conselho de administração para um aumento de capital de R$ 50 milhões. A valorização chegou a 3,20%, aos R$ 1,29. Entretanto, a ação chegou a alcançar ganhos de até 8,00%, aos R$ 1,35.
Neste processo de aumento de capital, os atuais acionistas podem subscrever as novas ações ao preço de R$ 1,00, um grande desconto sobre o preço no fechamento. No entanto, a ação se torna ex-subscrição nesta sexta-feira, isto é, quem comprar a ação nesta data não tem mais direito a participar da subscrição.
Quando a companhia anunciou a proposta do aumento de capital, em 24 de setembro, o papel se valorizou em 8,77%, para R$ 1,24, e desde então variou pouco, encerrando a última sessão a R$ 1,28. Para um analista que preferiu não se identificar, esse processo de aumento de capital costuma deixar a ação “travada”, dificilmente variando muito sobre o preço da subscrição. Com a perda desse direito, a ação também perde essa trava, explica.
Paranapanema: rumores fazem ação subir 7,7%
Por fim, as ações da Parapanema (PMAM3) subiram 7,72%, terminando aos R$ 2,93. “Operadores me falaram que essa alta pode estar associada à volta de rumores sobre o interesse da Vale (VALE3; VALE5), o que eu não acredito”, afirma Altenhofen, da Empiricus. Uma venda geralmente inflaciona os ativos em bolsa por conta do prêmio pago para os acionistas aceitarem abrir mão da empresa.
Além disso, há também expectativas quanto à divulgação dos termos financeiros de venda da Cibrafértil, subsidiária da empresa. Na máxima do dia, os papéis da empresa subiram 8,82%, tocando nos R$ 2,96. O volume movimentado por PMAM3 impressionou: os R$ 9,19 milhões foram quase quatro vezes do que a média dos últimos 21 pregões, que ficava em R$ 2,65 milhões.