Haddad passa Serra em pesquisas e pode estar pressionando ações da Sabesp

Para analistas, substituição de ex-vice de Serra por um petista na prefeitura de São Paulo poderia trazer incertezas quanto ao processo de renovação de tarifas da empresa

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SÃO PAULO – Ao longo da semana, as ações da Sabesp (SBSP3) acumularam perdas de 4,42%, terminando esta quinta-feira (11) aos R$ 86,50. Os papéis da companhia, que já estavam pressionados recentemente por conta do adiamento da nova metodologia de cobrança de tarifas para novembro, podem estar sofrendo também influências negativas de aspecto político, diante da possibilidade de mudanças de partido na prefeitura de São Paulo.

As eleições da capital paulista serão definidas no segundo turno entre o candidato do PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira), José Serra, e o candidato do PT (Partido dos Trabalhadores), Fernando Haddad. Pesquisa recente do Datafolha mostra que Haddad possui 47% das intenções de voto, contra 37% de Serra, que possui ligação direta com o atual prefeito da cidade, Gilberto Kassab (PSD – Partido Social Democrático) – embora não seja do PSDB, Kassab era vice-prefeito da gestão de Serra em São Paulo, e assumiu o cargo em 2006 quando o tucano foi disputar as eleições para o governo do estado.

Segundo analistas consultados pela InfoMoney, a entrada do petista na prefeitura da capital paulista pode trazer incertezas quanto a alguns processos que estão em andamento no governo atual, como é o caso da renovação das tarifas cobradas para serviços de água e esgoto. A revisão tarifária, que ocorreria nesta terça-feira, foi adiada para daqui 30 dias – ou seja, após as eleições municipais.

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Em relatório divulgado no final de setembro, Sérgio Tamashiro, analista do J. Safra, avaliava que as ações Sabesp estariam pressionados caso o candidato José Serra não fosse para o segundo turno. Embora ele esteja no segundo turno, as pesquisas eleitorais iniciais indicam que o petista deve ser o vencedor da eleição. Isso traria uma consequência indesejada para a empresa: a possibilidade de uma revisão tarifária menor que a esperada. Isso se Haddad não ouvir o que outros setores da esquerda desejam e pressionar a Sabesp para cuidar das represas da cidade.

Vitória de Haddad não seria ruim
Contudo, o fortalecimento do PT no estado de São Paulo, não é algo necessariamente ruim para a Sabesp. Um partido de cunho mais estatista pode elevar as obrigações da Sabesp, fazendo-a tomar mais mercado. “Tem que ver se as novas obrigações não vão fazer a empresa ganhar mais dinheiro ainda, e isso pode até ser bom para a Sabesp”, avalia Henri Evrard, da Infinity Asset.

O mais provável, para Evrard, é que esse movimento seja uma correção das altas recentes. “A alta da empresa foi muito esticada, isso pode ser uma mera realização”, afirma. O risco político existe, mas o analista recomenda olhar a composição da câmara de vereadores para ver se Haddad realmente pode indicar um problema futuro para SBSP3 – nem sempre o que os políticos do executivo querem, o legislativo aprova.