Dirigir e falar ao celular ao mesmo tempo: uma combinação perigosa

Ao desviar o olhar para atender o celular, motorista inicia voo cego, afinal, 90% da atenção para evitar riscos vem com a visão

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SÃO PAULO – Utilizar o celular e dirigir um automóvel são duas ações que definitivamente não combinam e, quando executadas juntas, chegam a causar acidentes sérios.

De acordo com o oftalmologista e diretor do IMO (Instituto de Moléstias Oculares), Virgilio Centurion, é necessário desligar o aparelho ao assumir o volante, afinal, quando se guia, entre 90% e 95% das informações necessárias para administrar riscos de acidente estão relacionadas à visão.

“Ao desviar o olhar para atender o celular ou tocar o visor do aparelho, o motorista inicia um voo cego. O celular distrai tanto, que dificilmente o motorista consegue se lembrar do que aconteceu no trânsito e, às vezes, esquece até por onde passou enquanto estava telefonando”, alerta o especialista.

Atenção sensorial

Além disso, ao atender o celular enquanto guia, o condutor usa a audição e deixa de lado a atenção para dirigir. “Dizer que é fácil fazer as duas coisas ao mesmo tempo não é verdade: o cérebro precisa fazer contas, calcular ações e desviar a atenção do controle visual e motor para o auditivo”, explica o oftalmologista Eduardo de Lucca, que também integra o corpo clínico do IMO.

Ele completa dizendo que as reações ficam mais lentas e isso propicia a ocorrência de acidentes. “A audição é decodificada em uma área no cérebro e a visão em outra, ou seja, ele faz duas coisas quando deveria fazer uma só”, ressalta.

Perigos!

Mesmo sabendo que se trata de uma infração, os motoristas insistem em atender o telefone por acreditarem que isso não é nada demais e que vão desligar logo. Porém, com o aparelho no ouvido, eles reagem de forma mais lenta.

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“Dificilmente olha para o retrovisor, assume uma trajetória errática na via, reduz ou ultrapassa a velocidade compatível com o tráfego. Avança sinal, tem dificuldade para trocar marchas e não vê as placas de sinalização. Cada situação dessas já poderia desencadear um acidente, agora, imagine o potencial do estrago com a combinação delas”, indaga Centurion.

Para o diretor do IMO, “a atitude pode mudar quando as pessoas reconhecerem que o que está em jogo é a vida delas e de outras pessoas. Só uma maior fiscalização pode modificar um mau hábito social, mas, no âmbito do indivíduo, impõe-se mudança de cultura”.

Pare e atenda

Caso o condutor não possa desligar o celular, primeiro, ele não deve fazer uma ligação. Mas, ao receber uma, o mais prudente é estacionar o veículo, atender e só depois continuar o caminho.

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“Parar o carro em um local seguro, atender ao telefone e em seguida concentrar-se novamente na direção”, diz Eduardo Lucca.