Recuperação do crédito e queda da inadimplência tendem a continuar, diz BC

Um dos aspectos para essa previsão é a queda na taxa de juros, que possibilita às famílias honrar seus compromissos

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SÃO PAULO – Após o anúncio da Nota de Política Monetária e Operações de Crédito, nesta quarta-feira (27), o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, afirmou que a tendência é de continuidade da recuperação do crédito e redução da inadimplência, principalmente para as pessoas físicas, que é o primeiro segmento a reagir.

“Com a volta das linhas de crédito para esse segmento, a própria inadimplência tende a cair. Outro aspecto é a queda na taxa de juros, que também possibilita às famílias honrar seus compromissos”, explicou.

Por outro lado, Lopes destaca que, para as empresas, essa recuperação será “algo mais lento”.

Influência sobre o crédito

Segundo o chefe de departamento, o crédito para pessoas físicas é “puxado pelos financiamentos habitacionais e consignados“, conforme publicado na Agência Brasil.

Tanto é que os dados do BC revelam que o empréstimo consignado teve saldo de R$ 73,648 bilhões, alta de 3,8% entre março e abril e de 21,1% em 12 meses. Já o financiamento habitacional concedido para pessoas físicas ou por meio de cooperativas de crédito, teve saldo de R$ 69,6 bilhões em abril, aumento de 2,6% no mês e de 40% em 12 meses.

No caso das empresas, Lopes afirmou que o crédito é influenciado pelo câmbio. “Temos parcela significativa do crédito que é indexada ao câmbio”.

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Para se ter uma ideia, se for desconsiderado o efeito do câmbio em abril, o crédito para pessoas jurídicas subiria 1% em vez de cair 0,1%, afirma Lopes.

Selic e spread

Ainda segundo Lopes, a redução na taxa básica de juro, a Selic, tem reflexo nos juros cobrados das pessoas físicas e também há influência da redução do spread (diferença entre a taxa de captação e a cobrada do tomador).

Para as pessoas físicas, diz o chefe de departamento, o spread não caiu e o motivo pode ser o aumento da inadimplência para esse segmento.

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Acrefi

A Acrefi (Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento) seguiu o otimismo do BC, e afirmou que mantém a estimativa de crescimento de 10% no crédito para 2009 e de queda da Selic para os próximos meses.

“Os volumes e a oferta de crédito estão aumentando, e o consumidor está alerta à toda a movimentação do mercado e está aproveitando as promoções de venda e a redução do IPI [Imposto sobre Produtos Industrializados], que acaba em junho”, destacou o presidente da entidade, Adalberto Savioli.

Sobre o incremento de 1,1% no mês e de 18,7% em 12 meses nas carteiras vinculadas a pessoas físicas, Savioli afirma que “se deve à melhora na liquidez e maior oferta de crédito, aliado à maior confiança do consumidor e queda nas taxas de juros”.