Estrangeiros temem novas interferências do governo Dilma, diz BTG

Receio dos investidores de fora do País recai sobretudo nas empresas de energia, saneamento, telecomunicações e bancos

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SÃO PAULO – Os investidores estrangeiros estão cautelosos em relação a colocarem mais capital em determinados setores da bolsa brasileira por conta das inteferências do governo de Dilma Rousseff, alerta o BTG Pactual após reunião com empresas e investidores em Nova York. Esse medo atinge sobretudo as empresas de utilidades públicas – como energia e saneamento -, telecomunicações e bancos, três dos setores onde o governo recentemente interviu e que devem seguir apresentando novas mudanças de regras.

“Os estrangeiros estão céticos com o mercado acionário brasileiro, especialmente após a última rodada de medidas governamentais”, alertam os analistas Carlos Sequeira, Bernardo Miranda e Fabio Levy, do banco de investimentos brasileiro. Embora a expectativa ainda é que a economia nacional venha a se recuperar, eles destacam que a sustentabilidade do crescimento e a lucratividade das empresas brasileiras ainda são causas de grandes preocupações.

Energia é um dos setores mais afetados
As elétricas são vítimas dessa falta de interesse, já que diversas empresas do setor viram suas ações despencarem após o governo soltar uma MP (Medida Provisória) para baixar o custo da energia – e que acabou retirando a previsibilidade das empresas de energia. “Alguns investidores estão esperando o resultado final da MP, enquanto outros estão ignorando o setor”, afirmam os analistas.

Eles, porém, destacam esperar algumas melhoras para o setor em relação ao primeiro pacote de medidas. “Algumas companhias devem receber alguma quantia para operar suas concessões”, afirmam. Além disso, o valor residual por esses ativos pode ser maior que o esperado, e alguns investidores esperam que as concessões que estavam programadas para renovação automática podem ser deixadas fora do pacote. “Com a decisão final no dia 4 de dezembro, ainda esperamos forte volatilidade no setor”, avalia o time do banco.

Financeiras: estrangeiros fora do setor por enquanto
Na reunião, o BTG notou que os investidores devem ficar de fora das empresas financeiras – os bancos, operadoras de cartões, bolsas e seguradoras. Além das medidas governamentais para baixar os spreads, as taxas de cartões e as tarifas, o fraco crescimento do crédito e a alta inadimplência.

“A forte queda também não fez os investidores estrangeiros se posicionarem mais agressivamente nessas empresas, já que eles tem medo de mais notícias ruins para o setor”, avaliam. Os dois principais assuntos que chamam a atenção os estrangeiros são o crescimento das receitas e o ROE (retorno sobre capital) dessas empresas – duas incógnitas sob esse novo cenário. Se os bancos estão em má situação, os analistas ressaltam que os investidores acreditam que isso pode respingar nas outras empresas financeiras. 

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Telecomunicações, pressões regulatórias são chave também para o setor
O último setor que chama a atenção pelas medidas governamentais é o de telecomunicações, também bastante afetados pelo governo. Para o BTG, as pressões regulatórias fizeram os investidores esquecerem o setor, conforme a concorrência atinge os resultados. “E eles não estão vendo nenhuma melhora para esse setor”, alertam os analistas do BTG Pactual.