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SÃO PAULO – A temporada de balanços corporativos do 3° trimestre nos Estados Unidos começa a deixar sinais claros de que a crise econômica anda afetando as projeções dos executivos para os próximos períodos, principalmente em virtude do temor do mercado quanto ao aumento dos impostos, recessão na Europa e desaceleração na China.
Das 20 companhias que divulgaram resultado e estão no índice S&P 500, 18 cortaram suas estimativas para o próximo trimestre, apontou um estudo do Goldman Sachs, divulgado pela CNBC. Diante do pessimismo em relação ao guidance das companhias, o estrategista David Kostin, do banco de investimentos, vê uma queda de 14% no S&P 500 nesse trimestre.
A Caterpillar foi uma das últimas companhias a reduzir suas projeções ao longo de 2013, tendo em vista um cenário econômico incerto e aumento de estoques. De olho no “fiscal cliff” (abismo fiscal), muitas companhias estão optando por reduzir suas metas, reforçou Mike Murphy, da Rosecliff Capital.
Um dos principais tópicos discutidos na temporada está sendo o perigo do abismo fiscal no final do ano, quando as reduções dos impostos dos governos Bush e Obama chegarão ao fim e, ao mesmo tempo, entrará em vigor um corte automático de gastos. Isso pode tirar 3,3% do PIB (Produto Interno Bruto) de recursos da economia norte-americana. Os executivos temem que isso pode ocorrer mesmo se o atual presidente Barack Obama ganhar pela segunda vez a eleição presidencial no país ou o Mitt Romney for eleito em 6 de novembro.
Em teleconferência, o CEO (Chief Executive Officer) da Alcoa, Klaus Kleinfled, disse que dentre os fatores para a diminuição da demanda estão as “mensagens sobre ‘fiscal cliff’, China e Europa, pondendo influenciar o sentimento (do consumidor)”. No mesmo sentido, o executivo da General Electric, Jeff Immelt, disse que “não está assumindo nenhuma melhora econômica na Europa”.
Apesar dessas previsões negativas, o S&P 500 caiu menos do que 1% nos últimos cinco dias e registra avanço de quase 13% no acumulado do ano, deixando muitos investidores incertos sobre o mercado. “Se o mercado não entrar em um rali com as reuniões dos principais bancos centrais nessa semana, então nós poderemos entrar no risco de um processo reverso”, avalia Brian Kelly, da Shelter Harbor Capital.