Itaú: resultado decepciona mercado, mas queda pode abrir oportunidade

Corretoras e bancos se decepcionam com lucro, mas divergem sobre desempenho da inadimplência; desvalorização dos papéis nesta sessão pode ter deixado ações atraentes

Publicidade

SÃO PAULO – O resultado fraco do terceiro trimestre do Itaú Unibanco (ITUB4), relatado nesta terça-feira (23), desagradou o mercado. Instituições financeiras, no entanto, ressaltam diferentes pontos positivos e negativos sobre o desempenho apresentado.

Além do lucro abaixo do esperado, investidores frisaram o ROE (retorno sobre patrimônio) relatado, de 17,8% – o menor registrado em 15 anos. Para analistas, a desaceleração do crescimento de crédito, somado às reduções das tarifas cobradas sobre serviços prestados, contribuíram para que a receita do banco encolhesse. Instituições, porém, divergem sobre a inadimplência: enquanto para algumas o índice diminuiu, outras consideram que o número está praticamente estável.

Resultado:
O Itaú Unibanco divulgou nesta terça-feira lucro recorrente de R$ 3,412 bilhões no terceiro trimestre, queda de 13,4% contra igual etapa de 2011 e de quase 5% quando comparado ao segundo trimestre deste ano. A carteira de crédito do maior banco privado do país estava em  R$ 417,603 bilhões no fim de setembro, avanço de 9,3% em 12 meses e de apenas 1% no trimestre. O Itaú terminou setembro com R$ 960,216 bilhões em ativos totais, alta de 14,7% em um ano.

Continua depois da publicidade

Confira os comentários realizados sobre o resultado do Itaú Unibanco:

Instituição Comentários
Deutsche Bank O lucro veio 6% abaixo do esperado. O resultado fraco pode ser atribuído à fraca geração de receita, refletindo as taxas mais baratas dos serviços prestados. No lado positivo, as despesas surpreenderam positivamente e a qualidade dos ativos tem mostrado melhora.
HSBC Crescimento mais lento do crédito, combinado a pressões sobre as margens, causado por volume mais lento de distribuição de crédito ao consumidor, o que levou à uma retração no lucro por ação.
Safra

Resultado abaixo do aguardado, com destaque para o ROE (retorno sobre patrimônio) de 17,7%, o que deverá impulsionar reação negativa sobre as ações do ITUB4 no curto prazo.

Banco do Brasil Para os próximos resultados, aguardamos continuidade do ciclo de queda da inadimplência e pressão maior sobre a NIM (margem financeira líquida)
XP As provisões para devedores duvidores estão quase estáveis. Acreditamos, porém, que a desvalorização que deve pesar sobre os papéis do banco abrirá oportunidade de compra.
Concórdia O momento delicado do setor muda total o perfil de retornos bastantes elevados. Ainda assim, acreditamos que o setor tem condições de entregar resultados robustos no longo prazo.