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SÃO PAULO – Após uma análise do mercado de câmbio brasileiro, o Itaú projetou o futuro cenário para real, com expectativa de que a moeda se valorize nos próximos meses. Com isso, as perspectivas do banco são que o real chegue a R$ 1,95 por dólar no final de 2012 e caminhe para R$ 1,90 no fim do próximo ano.
A atual oscilação da taxa de câmbio, que tem variado entre R$ 2,00 e R$ 2,10, representa uma depreciação de 20% em relação ao valor negociado no fim de janeiro de 2012, quando a taxa estava um pouco acima de R$ 1,70 – lembra a economista Gabriela Fernandes. Entre os fatores que levaram a esse aumento da taxa estão o aumento na crise europeia, as intervenções no mercado cambial e o aumento do controle de capitais.
Nos primeiros meses do ano, as ações internas do governo guiaram o rumo da divisa, com o Banco Central comprando dólares e realizando swaps reversos. A partir de abril, o cenário no exterior passou a ditar as regras com a crise na Europa se agravando e especulações sobre o fim do euro se tornando mais fortes. Com isso, o BC precisou atuar com swaps cambiais tradicionais, mantendo a moeda norte-americana entre R$ 2,00 e R$ 2,10.
Com isso, Fernandes entende que em médio e longo prazo, as variáveis macroeconômicas que em teoria influenciam a trajetória do câmbio mostram uma tendência de queda no valor do dólar. Entretanto, a curto prazo, uma pressão inflacionária mais intensa ou uma piora na volatilidade global podem fazer com que o real fique fora do intervalo em que vem flutuando.
Futuro do câmbio
Para a análise sobre a trajetória que o câmbio terá o Itaú usou cinco variáveis: termos de troca, passivo externo líquido, taxa de juro real, volatilidade do cenário global e prêmio de risco-país, sendo que os dois primeiros afetam mais o longo prazo e os três últimos são determinantes em curto e médio prazo.
Para os termos de troca – razão entre preços de exportação e preços de importação -, a economista entende que irão se manter estáveis para os próximos meses. Nesse momento, os itens agrícolas empurram o índice para cima, mas o preço do minério de ferro segura os termos de troca com os preços mais baixos. Fernandes projeta uma inversão para essas variáveis, o que manteria a taxa estável e ainda garantiria os níveis mais consistentes.
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A taxa de juro real, medida de maneira ex-ante, ou seja, expectativa de juros menos expectativa de inflação para doze meses, impacta as projeções em curto e médio prazo. Nos últimos tempos, a taxa reduziu-se em 4 pontos percentuais, indo de 5,8% ao ano para 1,8% ao ano, como efeito, principalmente, do ciclo de afrouxamento da taxa de política monetária. Para os próximos períodos, o banco espera estabilidade do juro real em níveis baixos, com tendência de leve alta a partir da segunda metade de 2013.
Já a volatilidade do cenário externo, é relevante já que momentos de incerteza no mercado global costuma fazer com que os investidores retirem seu capital de mercados emergentes e coloquem em ativos considerados seguros, movimento chamado de flight-to-quality. Esse é o caso do dólar ou o iene japonês, gerando depreciação do real frente ao dólar.
Relacionado a isso está o prêmio de risco-país, pois é assim que se pode medir o quanto determinado país é considerado inseguro e, logo, seria mais intensamente afetado por um flight-to-quality. Nesse momento, essa variável está em um nível baixo, mas é díficil projetar o futuro, já que economia global passa por um momento bastante instável.
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A economista entende enquanto uma retomada da atividade econômica de forma mais rápida ou intensa do que a esperada pode provocar uma pressão inflacionária indesejada pode gerar um câmbio mais apreciado, caso a crise na Europa torne-se mais severa do que o antecipado, a expectativa passa a ser de um câmbio mais depreciado.