Resumo Semanal

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O Ibovespa não registrou nenhuma sessão no vermelho nesta semana e, após sete altas seguidas, fechou com ganhos acumulados de 6,49% nestes últimos cinco dias de pregão. Esta foi a melhor semana do ano para o benchmark da bolsa, que não subia tão forte  desde a semana de 24 a 28 de outubro de 2011, quando teve ganhos de 7,71%.

O movimento seguiu as principais referências internacionais, que levaram as bolsas a subirem forte lá fora, depois que o Fomc, que decidiu realizar compras de US$ 40 bilhões em títulos segurados por hipotecas nos EUA por mês. O índice já havia mostrado bom humor após a corte constitucional alemã julgar legal o ESM – embora tenham imposto algumas condições, como a de não elevar a parcela de € 190 bilhões da Alemanha no fundo.

O front doméstico também chamou atenção. Na terça-feira, o mercado nacional repercutiu o anúncio da presidente da República, Dilma Rousseff, sobre o detalhamento do pacote de energia elétrica feito pelo governo. A presidente afirmou que o custo da energia elétrica deve ser reduzido a partir de fevereiro de 2013, além de ter confirmado o novo programa de renovação de concessões de energia.

Por consequência, as ações do setor de energia sofreram bastante durante a semana, assim como as de concessões rodoviárias e de saneamento básico, em meio aos receios de que mudanças no setor de energia também contaminem os outros segmentos de infraestrutura devido ao maior risco de intervenção do governo. Papéis do setor indústrial e siderúrgico, porém,apresentaram forte alta, contrapondo o movimento, já que são beneficiados por essa medida.

Cenário internacional também anima…
Outra referência importante foi o discurso do presidente do Fed, Ben Bernanke, ressaltando que a situação da economia norte-americana ainda é de fragilidade, sendo a principal preocupação o mercado de trabalho do país. Além disso, Bernanke ressaltou que a solução para a economia do país não é só através de política monetária. O Fed afirmou que irá observar atentamente a economia e só encerrará os estímulos quando a situação mostrar melhorias.

Já no final da sexta-feira, o rebaixamento do rating dos Estados Unidos pela Egan Jones chamou a atenção dos mercados. A agência de classificação de risco cortou a nota de crédito do país de AA para AA-, afirmando que justamente o evento que havia animado os investidores na véspera irá ser ruim para a economia; apesar da medida ter sido refletida negativamente pelo mercado, logo o mercado reverteu as perdas durante a sessão.

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…mas indicadores econômicos preocupam
Apesar da forte alta do benchmark da bolsa, tanto no Brasil quanto no resto do mundo, a situação econômica ainda não é tranquilizadora. Os indicadores da China seguem preocupando, uma vez que as suas importações caíram pelo terceiro mês consecutivo em agosto e que a produção industrial desacelerou em agosto para o nível mais baixo em mais de três anos.

De acordo com a OCDE, a desaceleração nas economias emergentes da China, Índia e Rússia vai persistir nos próximos trimestres, enquanto as perspectivas para a zona do euro permanecem fracas. No Velho Continente, o BCE afirmou que o crescimento econômico do bloco econômico deve permanecer fraco e de que “altas incertezas” estão pesando sobre a confiança.

No Brasil, o governo federal reduziu para 2% a projeção de crescimento do PIB deste ano, afirmando ainda que a inflação está sob controle: “Com todas estas medidas, teremos inflação bem comportada no Brasil em 2013”, completou o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

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Cenário corporativo
Além das expressivas quedas das ações das companhias de energia elétrica, com destaque para a Cesp, que chegou a perder cerca de um terço de seu valor de mercado nesta semana, com baixa de 31,90%, aos R$ 21,65 e a forte alta das ações da CSN, com alta de 30,23%, aos 13,70, outras notícias agitaram o cenário corporativo durante a semana.

Após o feriado nacional, em que a BM&FBovespa ficou fechada, as ações da Vale – que representam a maior participação no índice teórico – e da CSN registraram fortes altas, refletindo as medidas de estímulo vindas da China, anunciadas na última sexta-feira. Além disso, a companhia discute com o DFEM, conhecida com royalty de mineração.

Dentre os destaques da semana, também esteve o empresário Eike Batista, que cancelou a OPA dos papéis da LLX Logística. Na última quinta-feira, repercutindo a notícia, os papéis chegaram a cair 12,62%; entretanto, na semana, o desempenho foi positivo em 4,95%.

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Outra notícia que abalou o mercado ficou com a notícia de que a Gol venderia seu controle para a Qatar Airways, o que foi desmentido pela companhia. Outra companhia que teve rumores de mudança de controle foi a B2W Varejo, após fontes indicarem que à Infomoney que a companhia de e-commerce seria comprada pela Amazon.

Por outro lado, o Banco Cruzeiro do Sul não recebeu nenhuma oferta de compra. Sendo assim, a negociação de seus ativos foi interrompida na bolsa, minutos antes do BC decretar a liquidação extrajudicial do banco e do banco Prosper, que é instituição financeira que detém aproximadamente 0,01% dos ativos do sistema bancário e 0,01% dos depósitos.

Agenda da próxima semana
Dentro da agenda do investidor para a terceira semana de setembro, o destaque internacional com os dados de transações correntes norte-americanas e de atividade industrial no país, além do Quadruple Witching, vencimento de vários contratos futuros e opções nos EUA.

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Já na Europa, atenção para a a minuta da última reunião do Banco da Inglaterra, realizada em setembro, assim como para as sondagens industrial e de serviços na zona do euro. A China também revelará os dados da indústria referentes ao mesmo mês.

No cenário doméstico, atenção para a Pesquisa Mensal do Emprego, formulada pelo IBGE. O instituto também divulga o desempenho da inflação referente ao terceiro trimestre do ano. No mercado acionário, destaque para o vencimento de opções sobre ações negociada na Bovespa.

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Lara Rizério
Mercados | Economia | Onde Investir

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.