Estímulos nos EUA faz BofA tomar risco e elevar exposição a commodities

Entretanto, analistas cortam recomendação para empresas de utilidade pública; Suzano passa a fazer parte de portfólio para América Latina

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SÃO PAULO – O anúncio de que o Federal Reserve irá comprar títulos lastreados em hipotecas por tempo indeterminado e com compras mensais de US$ 40 bilhões trouxe otimismo aos mercados na última semana, marcando o melhor período para a bolsa brasileira em cerca de um ano. Para os analistas do Bank of America Merrill Lynch, esse rali deverá continuar, fato que leva a equipe do banco a adicionar mais risco em suas recomendações.

Os analistas Felipe Hirai, Renato Onishi e Marina Vale destacam que nos três meses posteiores aos anúncios dos dois primeiros programas de compras de títulos o Ibovespa mostrou, em média, retornos de 17,8%, enquanto o S&P 500, nos EUA, obteve retorno de 4,4%.

Melhora em ações ligadas a matérias primas
Apesar de haver incertezas sobre a eficiência do programa, já que a segunda rodada de compra de ativos não foi tão eficaz quanto a primeira, os analistas elevaram a indicação das ações relacionadas a matérias primas para equalweight (desempenho em linha com o mercado), enquanto as ações de empresas de utilidade pública foram rebaixadas para underweight (abaixo do mercado). “Nossos setores preferidos permanecem o setor financeiro e industrial”, escrevem em relatório. 

A equipe do Bank of America Merrill Lynch ainda alerta que a decisão de reduzir exposição nas ações de empresas de utilidade pública, como as de energia elétrica, não teve como motivo a redução no preço da energia por aqui no Brasil, já que essa medida terá impacto concentrado em algumas ações e não deve ser vista como negativa para todo o setor.

Por outro lado, com base em dados históricos, o setor de matérias primas deveria ser avaliado em overweight, mas ele já mostrou forte alta nos últimos dias, ao passo que os múltiplos não são atrativos e alguma mlehora neles não virá de ganhos mais elevados, uma vez que o preço dos metais não deverá mostrar uma recuperação substancial, explicam.

Suzano entra em recomendações para América Latina
Dessa forma, a equipe do BofA realizou algumas mudanças em seu portfólio “LatAm Top 15”, que traz as melhoras opções na América Latina, com a intenção de obter retornos absolutos positivos. “Enquanto o apetite por risco aumenta, devido aos estímulos globais recentemente anunciados, os setores com beta menor [volatilidade de uma ação comparada à do mercado] devem underperformar no curto prazo”, afirmam.

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Nesse sentido, os analistas retiraram as ações da MPX (MPXE3) e da Kimberly Clark do portfólio, para darem lugar aos papéis da Suzano (SUZB5) e do Grupo Mexico.

Confira as 15 indicações do BofA para a América Latina:

Empresa Ação País
 
Cielo CIEL3 Brasil
Cosan CSAN3 Brasil
Embraer ERJ* Brasil
Itaú Unibanco ITUB* Brasil
Kroton KROT11 Brasil
Mills MILS3 Brasil
Pão de Açúcar PCAR4 Brasil
Queiroz Galvão QGEP3 Brasil
Sabesp SBSP3 Brasil
Suzano SUZB5 Brasil
Alfa ALFA México
Asur ASR* México
Grupo México GMEXICOB México
Pacific Rubiales PREC Colômbia
SQM SQM-B Chile

*ADR (American Depositary Receipt)

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Veja a explicação dos analistas para a inclusão de cada papel:

Cielo: Além de ser uma boa alternativa para os investidores que procuram por ações pagadoras de dividendos, a empresa possui uma perspectiva de preços e volumes melhor do que era estimado anteriormente.

Cosan: A empresa está melhorando a governança corporativa e são esperadas sólidas margens na Raízen.

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Embraer: Está bem posicionada para se beneficiar de uma melhora econômica global, já que a empresa demonstrou esforços em melhorar a execução e os produtos de seu portfólio.

Itaú Unibanco: Depois dos bons resultados do segundo trimestre o mercado pode elevar as projeções para a instituição. A constante melhora na eficiência também posiciona a companhia para atingir o guidance de 43% para a taxa de eficiência no último trimestre de 2013.

Kroton: As perspectivas de crescimento no ensino à distância, bem como mais alunos nos próximos anos e as sólidas margens de expansão são pontos positivos para a empresa.

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Mills: O papel está exposto aos investimentos em infraestrutura no Brasil, com diversificação das receitas e pedidos firmes de entregas, o que aumenta a confiança nas vendas e um ciclo positivo de ganhos, com as margens atingindo seu pico no último trimestre deste ano.

Pão de Açúcar: A empresa está bem posicionada para se beneficiar no mercado de varejo, além de contar com oportunidades de ganho de eficiência na ViaVarejo e a expectativa de exploração das franquias no País.

Queiroz Galvão: Um considerável upside potencial para a ação decorre de áreas-chave para a exploração da petrolífera, com explorações nos blocos BM-S-8 e B-S-4.

Sabesp: Um novo regime de tarifas, que será implantado em dezembro deste ano, deve levar a ação a novos múltiplos, enquanto uma expansão do capex (investimento em bens de capital), com a finalidade de aumentar a área de cobertura, deve guiar a empresa para um crescimento mais forte nos ganhos. 

Suzano: O papel oferece uma melhor relação risco-retorno depois da oferta de ações, permitindo a construção do projeto de celulose no Maranhão. Além do mais, ela oferece uma exposição ao mercado doméstico, que deve se beneficiar da recuperação econômica.