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SÃO PAULO – Um brasileiro teve seus ativos congelados pela corte de Nova York à pedido da SEC (Securities and Exchange Commission, a CVM dos Estados Unidos), acusado de usar informação privilegiada para ganhar com ações da Burger King há dois anos. Segundo o órgão regulador, Waldyr Da Silva Prado Neto, o investidor denunciado, lucrou US$ 175 mil com a operação, no período de 17 de maio a 1º de setembro de 2010.
A SEC acusa que o brasileiro, que trabalhava na Wells Fargo em Miami, soube que o fundo de private equity 3G Capital Partners planejava comprar a cadeia de fast-food, por meio de um cliente envolvido com a transação.
De acordo com a autoridade regulatória, o congelamento foi feito para evitar que Prado Neto transfira seus ativos para fora dos Estados Unidos, e diz que recentemente ele abandonou um emprego no Morgan Stanley, pôs sua casa em Miami à venda e começou a transferir suas riquezas para o exterior. “Ele pode ter saído do país para se livrar da Justiça, mas caso queira seus bens desbloqueados, terá de voltar aos EUA”, disse a SEC.
Prado e o cliente acusado mantêm contato há cerca de dez anos, e trocaram informações com frequência durante o período das operações com a Burger King, por telefone, emails e pessoalmente, com o pacto de que o sigilo seria preservado, conforme afirma a SEC.
De acordo com a autoridade regulatória, as negociações ilegais começaram em uma viagem de negócios de Prado Neto ao Brasil na qual ele escreveu a um amigo que “estou no Brasil com uma informação que não pode ser dita por e-mail, você não pode perder isso”. Mais tarde, ele contou a operação ao amigo dele, um gestor de fundo hedge em Miami. Segundo a SEC, o lucro total do amigo de Prado Neto com a operação foi sperior a US$ 1 milhão.
O órgão norte-americano relatou que teve apoio da CVM no caso e que continuará a investigação.