Will Landers, da BlackRock: “Brasil é a nossa principal aposta”

Brasil concentra 65,9% de todos os investimentos na região, e 7 das 10 ações de maior exposição são negociadas na BM&FBovespa
Mapa do Brasil
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SÃO PAULO – A economia brasileira deve se recuperar no segundo semestre de 2012 e entrar acelerada em 2013, acredita Will Landers, gestor para América Latina da Blackrock. Por conta disso, o país é a principal aposta na região da gestora, uma das maiores do mundo. O Brasil concentra 65,86% de todos os investimentos, e sete das 10 ações de maior exposição são negociadas na BM&FBovespa. 

Para se aproveitar do momento, Petrobras (PETR3; PETR4) e Vale (VALE3; VALE5) são duas das três principais apostas de Landers, que também possui forte participação em Bradesco (BBDC4), Itaú Unibanco (ITUB4), CCR (CCRO3), Ambev (AMBV4) e Natura (NATU3). “O que garantiu o crescimento da região durante a última decáda está intacta, mas a bolsa está respondendo a movimentos macros, como as crises na Europa e EUA”, afirmou o gestor.

Para ele, a hiperinflação já é parte dos livros de história, mas as políticas monetárias tem garantido que a taxa de juros alcançe cada vez patamares cada vez mais baixo. “Como resultado, uma classe média forte tem emergido na maioria dos países da região, aumentando o consumo interno”, destaca Landers. A perspectiva é boa também por conta política econômica do governo, que visa estimular o crescimento econômico e reduzir os custos de se fazer negócios por aqui.

O crescimento deve ser elevado – os impactos das reduções de juros só está começando a ser sentido agora. Por isso, ele acredita que o ideal é tentar capturar as ações que deverão se beneficiar desse crescimento do consumo interno, além das financeiras, já que a penetração do crédito ainda é bastante. “Mais de 70% dos nossos investimentos são em companhias focadas na economia doméstica”, afirma.

Bolsa descontada
O mercado nacional também está barato, se comparado com o outro grande mercado latino-americano, o México – que concentra 21,18% dos investimentos da Blackrock na região. “As ações do México estão sendo negociadas aos preços-justos ou próximos deles por algum tempo, enquanto o Brasil é um dos mercados mais baratos do mundo”, destaca. Essa preferência por esses dois países fica claro quando vê-se que a terceira maior economia da região, a Colômbia, concentra 2,08% dos investimentos, e a quarta, a Argentina, concentra 1,05%.

Mesmo assim, ele acredita que o mercado deve demorar um pouco para reagir, já que no momento ele responde ao cenário europeu e a desaceleração chinesa. “Mas a América Latina deve ser uma das primeiras regiões a reagir, assim que os fundamentos tanto desses países quanto das companhias voltarem a mandar nos mercados novamente”, finaliza Landers.