Entre onda de protestos, aversão ao risco volta ao mercado internacional

Violentos protestos na Espanha e greve geral na Grécia dão o tom dos mercados, que caem forte na Europa; rendimento de títulos espanhóis disparam
(Shutterstock)
(Shutterstock)

Publicidade

SÃO PAULO – Em meio a uma nova onda de protestos na Europa, os mercados acionários registram fortes perdas. Por lá os índices Ibex 35 e FTSE MIB, que acompanham as negociações de Madri e Milão, despencam 3,07% e 2,69%, respectivamente.

Isso ocorre em meio a revoltas contra medidas de austeridade. Na Espanha, mais de 60 pessoas ficaram feridas após um violento protesto em frente ao Congresso, que terminou apenas durante a noite. Os gregos também embarcaram na onda de revoltas e tomam as ruas nesta quarta-feira durante mais uma greve geral no país.

Por lá, o governo tenta realizar acordos para cortar mais € 11,9 bilhões em gastos públicos, enquanto diversos rumores nos últimos dias dão conta que até mesmo este valor será insuficiente para atender às exigências da Troika – grupo formado por BCE (Banco Central Europeu), FMI (Fundo Monetário Internacional) e Comissão Europeia -, assim como diversas reportagens dizem que o país não conseguirá alcançar as metas fiscais propostas.

Espanha no limite
Na Espanha, a indecisão do primeiro-ministro em pedir por um resgate internacional continua. Em entrevista ao Wall Street Journal, Mariano Rajoy afirmou que certamente pedirá ajuda se isso for necessário. Entretanto, Rajoy também disse que, para isso, terá que saber se as condições da ajuda serão “razoáveis”.

Espera-se que na quinta-feira o governo espanhol apresente um amplo programa de reformas estruturais na economia, que estaria sendo elaborado em conjunto com autoridades europeias, conforme informado por jornais internacionais na semana anterior. A tensão pode ser vista não apenas nas ruas, mas também no mercado secundário de títulos públicos. Os papéis de dez anos da Espanha disparam 4,5% e superam novamente a marca dos 6%.

Também ajuda para aumentar as incertezas do mercado uma carta enviada em conjunto pelos ministros de finanças da Alemanha, Finlândia e Holanda, na qual colocam em dúvida a utilização dos fundos de resgate da Europa para recapitalizar diretamente as instituições financeiras. 

Continua depois da publicidade

Índices nas mínimas, investidores esperam novos sinais
Em meio a tudo isso, os contratos futuros dos EUA sugerem que o dia por lá também devem se iniciar no vermelho, apesar da queda ser bem mais modesta, próxima da estabilidade. No entanto, os índices norte-americanos caíram forte na véspera, levando o S&P 500 ao seu pior pregão em três meses. Na Ásia, o principal índice acionário da China encerrou as negociações desta quarta-feira no pior patamar em mais de três anos.

Para o restante do dia, os investidores ainda têm alguns dados para avaliar. Nos EUA serão anunciadas as vendas de novas casas para agosto, assim como os estoques semanais de petróleo. Por aqui o foco deve ficar na sondagem industrial, na nota de política monetária do Banco Central e no fluxo cambial.