Reação do mercado nas ações da Santos Brasil é exagerada, diz BofA

Analistas ressaltam que fatores como eficiência da logística são mais levados em consideração na hora da decisão sobre qual porto será escolhido para operar do que tarifa barata
Navio no Porto de Santos (Foto: Divulgação)
Navio no Porto de Santos (Foto: Divulgação)

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SÃO PAULO – A forte queda que as units da Santos Brasil (STBP11) têm registrado desde que foi divulgada a intervenção do governo no setor portuário é exagerada, na visão do Bank of America Merryll Lynch.

Na semana passada, o CEO da EPL (Empresa de Planejamento Logístico), Bernardo Figueiredo, declarou que espera mais investimentos, maior produtividade e competição para reduzir em cerca de cerca de 30% as tarifas portuárias nos próximos anos.

A cautela do mercado acelerou após o ministro da SEP (Secretaria Especial de Portos), Pedro Brito, dizer que a administração estadual dos portos continuará, mas terá participação do governo federal. “Vamos tratar como se fosse uma administração feita pela União”, explicou o ministro. Quando questionado se isso sinalizava uma federalização, Brito negou: “Os portos já são federais”, enfatizou, na última segunda-feira (24). No dia, os ativos da empresa retrocederam até 10% na sessão.

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“Enquanto vemos o discurso como um fator negativo para a Santos Brasil, ressaltamos que o governo não pode mediar ou intervir em tarifas portuárias (a regulação não permite isso)”, explicam analistas do BofA.

Segundo eles, a possibilidade de maior flexibilização dos custos e migração do volume operado para portos menores não significa que os usuários migrarão do porto de Santos para outros com custos menores, pois isso poderá trazer menor eficiência e pior logística para quem transaciona as mercadoria. “Essa notícia é negativa, claro, mas o mercado está exagerado”, avalia a equipe do banco.

Receio de maior competição
O mercado já está cauteloso com a possibilidade de acirramento no setor portuário há um bom tempo, na visão do BofA, desde o início das atividades do Embraport e do BTP. Eles não veem, contudo, que a Santos Brasil venha a perder fatia do montante negociado por conta do aumento da capacidade de operação de outros portos assim como a diminuição de tarifas.

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De acordo com o BofA, a decisão de usar um ou outro porto não é definida apenas pela tarifa, mas também na produtividade do terminal. Os analistas frisam que fatores como tamanho do porto e movimentos por hora, velocidade para embarque e desembarque de mercadorias e profundidade da água acabam por trazer maior escala e aumento da diluição de custos altos acabam sendo os pontos-chaves na hora de decidir em qual porto determinada carga será operacionada.