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SÃO PAULO – O grande aumento dos juros bancárias pode vir a frear a evolução futura do crédito. A previsão foi divulgada na última terça-feira (27) pelo Iedi (Instituto para Estudo do Desenvolvimento Industrial), que analisou informações liberadas no mesmo dia pelo Banco Central em sua Nota de Política Monetária.
Conforme o BC, em janeiro o custo médio dos empréstimos destinados a pessoas físicas interrompeu sua seqüência de queda verificada desde fevereiro de 2007, aumentando 4,9 ponto percentual, para 48,8% ao ano.
Crise internacional
“Os dados mostram que a crise internacional teve impacto sobre o mercado de crédito doméstico”, citaram especialistas do Iedi no documento de divulgação do estudo, referindo-se à crise norte-americana dos créditos imobiliários de auto risco, o subprime, que leva o país a uma recessão.
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De acordo com a análise, a elevação dos spreads* foi a primeira reação dos bancos ao contexto de maior incerteza no cenário exterior. Entre dezembro de 2007 e janeiro de 2008, essa diferença de captação média subiu 3,3 pontos percentuais – de 22,4% para 25,7%. Dessa forma, houve um reflexo para a taxa de juros média incidente sobre as operações de financiamento, que passou de 33,8% para 37,3%.
IOF
O chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, anunciou ainda que os aumentos do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) também acabaram por influenciar nas taxas cobradas dos mutuários.
Em 3 de janeiro, o Decreto 6.339/08 reajustou o imposto em 0,38 ponto percentual para todas as operações nas quais o tributo incidia. Especificamente a pessoas físicas, foi dobrada sua incidência diária, de 0,0041% para 0,0082%, e estabelecida uma cobrança extra de 0,38% sobre o valor contratado.
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A alíquota diária do tributo é limitada a 365 dias. Portanto, se a pessoa toma um crédito por um período superior a esse, pagará apenas pelo prazo de um ano. Dessa forma, a alíquota geral passou de 1,5% para 3,88%.
Expansão
Ao menos por enquanto, os juros maiores não desestimularam a tomada de crédito. O Iedi lembrou que o volume concedido elevou-se 22,3%, em média, em termos reais frente a janeiro de 2007 – a quinta alta consecutiva acima de 20%, nessa mesma base de comparação. Por outro lado, no segmento de pessoas físicas a expansão foi um pouco menos intensa do que na média, com alta de 20,1%.
“A disposição dos bancos de sustentarem a oferta de recursos para as famílias e empresas certamente está associada à evolução bem comportada da taxa de inadimplência“, adicionaram especialistas do Iedi.
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Segundo o BC, o índice de não-pagamento das pessoas físicas teve, em relação a dezembro de 2007, uma leve elevação de 0,1 p.p., terminando janeiro em 7,1%.
*diferença entre a taxa que o banco cobra ao emprestar os recursos ao cliente e a taxa que ele paga ao adquirir o dinheiro