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SÃO PAULO – O ICC (Índice de Confiança do Consumidor) da Fundação Getúlio Vargas revelou que os consumidores estão bastante otimistas quanto à compra de bens duráveis nos próximos meses, mesmo que não acreditem em uma melhora econômica significativa no período. “O consumidor não acredita em uma melhora na situação econômica porque ele já viu a situação melhorar nos últimos 12 meses, no entanto, ele não está pessimista, ele acha que a situação vai se manter e isso é um ótimo sinal”, afirma o responsável pelo estudo, Aloísio Campelo.
Campelo ressaltou também que, apesar do ímpeto de comprar dos consumidores, o índice de inadimplência não deve aumentar. “Isso significa que o consumidor está fazendo compras dentro de seu poder aquisitivo, dentro do que ele consegue pagar. Ele pode até parcelar a compra, mas faz parcelas que consegue pagar”.
Para o economista, é comum nos brasileiros não ficar inadimplente. “Os números da inadimplência mostram que o brasileiro não é acostumado a se endividar e a pegar crédito. Hoje o crédito no Brasil representa 1/3 do PIB (Produto Interno Bruto) o que é relativamente pouco. A pesquisa, no entanto, também não mostra que a inadimplência vá baixar, mas isso não quer dizer que o consumidor não tenha condições de comprar mais”, garante.
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Para Campelo, a vontade de comprar é uma mistura da realidade econômica atual e do incentivo psicológico dessa situação. “O consumidor viu que, nos últimos 12 meses, o número de empregos aumentou e a renda familiar também, e isso o deixa otimista para sair às compras. Como ele vê uma situação boa, é comum que, psicologicamente, ele se disponha mais para a compra”, explica.
Além disso, Campelo afirma que um cenário assim é meio raro de acontecer. “Essa é a 3ª vez, em quase três anos da nossa série histórica, que o número de brasileiros que afirmam que comprarão mais é maior que o número que afirma que comprará menos. É costume o brasileiro sempre dizer que comprará menos, porque mesmo quando ele ganha mais, prefere poupar do que gastar”.
Mas o economista afirma que esse mês a situação foi diferente. “Os entrevistados para o estudo de março demonstraram que querem mesmo é comprar”.