Juro sobre dívida grega cai apesar de decisão da S&P

Com exceção de Espanha, rendimentos de títulos públicos de principais países europeus também têm queda

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SÃO PAULO – O rendimento exigido pelos investidores para comprar dívida de dez anos da Grécia tem queda moderada nesta quarta-feira (8), apesar da decisão da agência de classificação de risco Standard & Poor’s. Após o fechamento dos mercados, na quarta-feira, a agência revisou a perspectiva do rating grego para negativa, afirmando que o país poderia precisar de mais ajuda de seus credores internacionais. Contudo, a nota de crédito CCC do país foi mantida. 

Enfraquecimento europeu
Com exceção dos papéis espanhóis, o juro da dívida dos principais países da Europa segue o movimento de baixa registrado em Atenas. No entanto, o maior declínio parte da remuneração dos bônus alemães, o que sinaliza a forte demanda pelos papéis.

Depois de sinais de enfraquecimento da economia do Velho Continente, os investidores preferem fugir para investimentos considerados mais seguros, como é o caso dos títulos públicos da Alemanha. Nesta quarta-feira, dados fracos da indústria alemã, além de perspectivas pessimistas dos bancos centrais de França e Inglaterra sobre o desempenho econômico desses países, afetam o humor dos investidores. 

País Rendimento Variação Spread vs. Bund*
Grécia 24,45% -0,63% +23,02
Portugal 10,04% -0,09% +8,61
Itália 5,96% -0,17% +4,53
Espanha 6,94% +1,11% +5,51
França 2,12% -1,49% +0,69
Alemanha 1,43% -3,77% –

* Diferença calculada em pontos percentuais. Fonte: Bloomberg

Entenda: quanto maior, pior
Os títulos públicos são uma das maneiras que os governos possuem para se financiar, enquanto a variação diária dos rendimentos decorre das negociações no mercado secundário. O juro pago pelo governo e o valor do papel são definidos no momento da emissão dos títulos, mas este último sofre variação no mercado secundário.

Assim, quanto mais arriscado um investimento, maior será o prêmio demandado pelos investidores no mercado secundário. Portanto, o valor do título recua e, consequentemente, o rendimento no mercado secundário aumenta. Tal variação positiva é uma indicação de que caso o governo opte por emitir novos papéis o custo para se financiar deverá ser maior.