China decepciona mercado e juros sobre bônus alemães despencam

Temor com sinais de desaceleração da economia mundial sustenta a demanda do mercado por títulos considerados mais seguros

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SÃO PAULO – O rendimento exigido pelos investidores para comprar títulos públicos de dez anos do governo da Alemanha tem forte queda nesta sexta-feira (10). Números fracos sobre a economia da China alimentaram os receios de que a economia global está enfraquecendo, o que sustenta a demanda do mercado por ativos mais seguros, como os bônus alemães.

Na agenda econômica, o superávit comercial chinês registrou uma forte redução em julho, mês em que as exportações aumentaram apenas 1% na comparação com 2011 e as importações subiram 4,7%. O crescimento das exportações de julho ficou bem abaixo da estimativa do mercado, de alta de 8%, e do avanço de 11,3% visto em junho. Analistas previam um ganho de 7% nas importações depois de um aumento de 6,3% em junho.

Números oficiais, publicados na véspera, já haviam mostrado que a expansão da produção industrial na China caiu inesperadamente e a inflação arrefeceu em julho, enquanto as vendas do varejo ficaram abaixo do previsto.

País Rendimento Variação Spread vs. Bund*
Grécia 24,35% +0,86% +21,99
Portugal 9,99% -0,38% +9,36
Itália 5,88% +0,38% +3,58
Espanha 6,86% +0,18% +2,97
França 2,07% -1,80% +0,81
Alemanha 1,38% -3,91% –

* Diferença calculada em pontos percentuais. Fonte: Bloomberg

Entenda: quanto maior, pior
Os títulos públicos são uma das maneiras que os governos possuem para se financiar, enquanto a variação diária dos rendimentos decorre das negociações no mercado secundário. O juro pago pelo governo e o valor do papel são definidos no momento da emissão dos títulos, mas este último sofre variação no mercado secundário.

Assim, quanto mais arriscado um investimento, maior será o prêmio demandado pelos investidores no mercado secundário. Portanto, o valor do título recua e, consequentemente, o rendimento no mercado secundário aumenta. Tal variação positiva é uma indicação de que caso o governo opte por emitir novos papéis o custo para se financiar deverá ser maior.