Resumo Semanal

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A semana começou otimista para o Ibovespa, mas alternou entre perdas e ganho no decorrer do período e terminou no positivo pela terceira vez seguida. O benchmark da bolsa encerrou o período em alta de 3,54%, aos 59.280 pontos.

Esse movimento ocorreu devido ao maior otimismo mundial em meio aos progressos em relação à crise na Zona do Euro e apesar das indicações de que a economia mundial ainda anda a passos lentos.

No início da semana o resultado da missão da Troika, formada por FMI, UE e Comissão Europeia na Grécia, animou o mercado. Por outro lado, os indicadores da economia no Velho Continente desanimaram o mercado. A Itália revelou que a recessão continua no segundo trimestre, enquanto as encomendas à indústria alemã caíram mais que o previsto em junho e a produção industrial britânica sofreu a maior queda desde novembro de 2008.

Já a maior economia da Europa, a Alemanha, teve seu rating triplo A reafirmado pela Fitch, com perspectiva estável. Contudo, o país recebeu um alerta da agência de que os bancos do país podem ter dificuldade em alcançar as exigências de Basileia III . Além disso, as expectativas para a Alemanha se mostraram piores no final da semana, quando o ministério da Economia alertou que há riscos significativos para a economia do país. 

Enquanto isso, o banco central da França já prevê uma recessão do país no terceiro trimestre, assim como a autoridade monetária da Inglaterra revisou para baixo a projeção de crescimento no médio prazo. Porém, entre as boas notícias, a Grécia ganhou destaque, ao anunciar que conseguiu reduzir seu déficit nos sete primeiros meses de 2012 e deixá-lo abaixo das metas.

Gigante em desaceleração
A China também desapontou nesta semana, com indicações de que sua atividade econômica está desacelerando. Em meio aos indicadores ruins, o Banco Central chinês deve acelerar o ajuste da política monetária, como forma de impulsionar o desempenho da sua economia.  

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A atividade mais fraca da China vêm gerando desconforto também no mercado de commodities. Os preços do minério de ferro caíram para sua mínima de dois anos e meio, pressionados pela fraca demanda da segunda maior economia do mundo.

Entretanto, as referências mais negativas se deram no final da semana. Na quinta-feira, o gigante asiático reportou números do mês de julho mais fracos do que se imaginava, reforçando a expectativa por novas medidas do governo. Já na sexta-feira, os números apresentados para a balança comercial foram muito abaixo do esperado, com crescimento tanto para as importações quanto para as exportações menor do que o projetado. Diante disso, analistas já afirmam que o país precisa de alguma ação urgente para evitar uma desaceleração mais forte da economia.

Estados Unidos anima, mas afasta possibilidade de QE3
Os Estados Unidos estiveram no radar, registrando menos pedidos semanais de auxílio-desemprego do que o esperado. Além disso, a balança comercial norte-americana mostrou um déficit de US$ 42,9 bilhões em junho, menor do que os US$ 47,5 bilhões que eram projetados. Por fim, os estoques no atacado em julho caíram 0,2%, contrariando a expectativa de uma alta de 0,3%. 

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Embora os números tenham vindo predominantemente melhor do que o esperado pelos analistas, os investidores reagiram com pouco otimismo às notícias, visto que elas podem esfriar as expectativas por mais injeções monetárias e rodadas de estímulo, fatos que têm sustentado o recente rali do mercado acionário, segundo avalia Daniel Cunha, da equipe de análise da XP Investimentos.

Semana intensa para a Petrobras
A semana foi bastante agitada para a gigante de petróleo brasileira, a Petrobras. Na sexta-feira, após o fechamento do mercado, a companhia registrou resultados negativos, apontando o maior prejuízo da história da petrolífera.

Entretanto, se o noticiário da petrolífera não havia ajudado até então, na quarta-feira o mercado recebeu com positividade um provável reajuste nos preços da gasolina ainda neste ano. A afirmação foi feita pelo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão. Porém, o ministro reiterou não saber quando o reajuste ocorrerá, já que o Governo ainda avalia qual o melhor momento para que não ocorra um impacto na inflação.

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Resultados movimentam mercados
Além da Petrobras, outras empresas que divulgaram seus resultados na última sexta-feira viram seus números influenciarem no desempenho das ações. Dentre elas, a Eletropaulo registrou uma forte queda em suas ações na segunda-feira após reportar um lucro 77,8% menor no segundo trimestre e afirmando que não irá distribuir dividendos no primeiro semestre. Do lado oposto, esteve a AES Tietê, que registrou alta de 43% no lucro líquido.

Nessa semana, a agenda foi recheada de resultados. A Marcopolo, CPFL, Itaúsa, Amil, Anhanguera Educacional, Mills, Cosan, Estácio, Multiplan, Time for Fun, Panamericano, Fras-le, Lojas Renner e Sonae Sierra reportaram seus números.

Já a Even , registrou queda de 26,3% no seu lucro líquido e desanimou o mercado, mesmo movimento negativo da Unicasa, após registrar queda de 50% no mesmo indicador. Enquanto isso, a Raia Drogasil reportou alta de 5,3% no seu lucro líquido, enquanto a Lojas Renner  e o BTG Pactual registraram lucro 8,78% menor e mais de 200% maior respectivamente. Por fim, esteve o resultado da Gafisa, que recebeu destaque por apresentar números melhores do que o esperado pelo mercado, além da HRT.

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Também esteve entre os destaques corporativos, mais uma vez, a TIM. A companhia viu seus papéis recuarem novamente durante a semana, após ação do MP e acusações da Anatel de que estaria derrubando chamadas de clientes de propósito.

Além disso, a notícia de que o empresário Abílio Diniz notificou ao Casino que deverá exercer sua opção de venda na Wilkes, holding que controla o Pão de Açúcar, também repercutiu no mercado. O empresário deve vender 2,4% do capital social total da Wilkes aos seus sócios franceses por cerca de U$ 10,5 milhões, segundo acordo firmado entre as duas partes em 2005.

Altas e baixas
Nas pontas do Ibovespa, estiveram as ações da Gafisa e da Souza Cruz, liderando as baixas e as perdas do índice, respectivamente, durante a semana. A primeira, por ter registrado forte desempenho positivo em seus resultados, levando a ganhos de 24,65% de suas ações no período. Enquanto isso, os papéis da Souza Cruz tiveram um movimento de realização em meio ao cenário positivo do período, fechando em queda de 3,55%.

Agenda da próxima semana
Dentro da agenda da terceira semana de agosto, destaque para os indicadores sobre a atividade industrial norte-americana durante o último mês e aos dados sobre a inflação ao produtor de julho. Os dados do setor varejista também devem chamar a atenção dos investidores, assim como a demanda estrangeira por títulos e ativos norte-americanos em junho.

No cenário doméstico, investidores devem ficar atentos para os indicadores de inflação, assim como a pesquisa de comércio referente ao mês de junho, que devem movimentar o mercado.

O Banco Central, por sua vez, reporta ainda nessa semana o IBC-BR referente ao mês de junho. Este indicador tem a função de tentar antecipar o resultado do PIB e ajudar a autoridade monetária na definição da taxa básica de juros.

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Lara Rizério
Mercados | Economia | Onde Investir

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.