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SÃO PAULO – O brasileiro pode esperar taxas de juros em patamares mais elevados para os próximos meses, mas o crédito deve continuar crescendo, mesmo que em menor ritmo.
“Acredito que o crédito vai continuar crescendo, entretanto, num ritmo menor, mas ainda forte. Em vez de crescer cerca de 2,5% ao mês, como vinha acontecendo, vai crescer cerca de 1% a 1,5% ao mês”, estima o vice-presidente da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), Miguel José Ribeiro de Oliveira.
Alta da Selic x Crédito
De acordo com o relatório Focus, divulgado na segunda-feira (4), a estimativa do mercado é que a taxa básica de juro, atualmente em 13% ao ano, encerre 2008 a 14,50% a.a., ante os 14,25% anuais mostrados no relatório anterior.
De acordo com Oliveira, mesmo com as altas da Selic, na tentativa de retrair o consumo e, assim, trazer a inflação de volta ao centro da meta, as operações de crédito devem continuar crescendo.
“Diferentemente do que acontecia no passado, quando as elevações dos juros realmente eram suficientes para desacelerar a economia, com o objetivo de conter a demanda e, com isso, reduzir a inflação, hoje tal medida tem pouco impacto”, afirma.
Prazos alongados
Segundo o economista, os tempos são outros. Além de as taxas estarem em patamares mais baixos do que no passado, a economia está mais estabilizada e níveis de emprego e renda estão mais fortes, sem previsão de desaceleração.
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Além disso, os prazos mais alongados de financiamento tornam o crédito mais acessível ao tomador, mesmo com aumento das taxas. Segundo estudo do economista Domingos Rodrigues Pandeló Júnior, professor do Ibmec São Paulo, as pessoas, mesmo com os juros altos, não consideram as taxas na hora da compra, ficando atentas apenas ao valor das prestações, mais baixo por conta do maior tempo para o pagamento.
Crescimento
Segundo a Agência Brasil, o Banco Central afirmou que, nos 13 primeiros dias úteis de julho (até o dia 17), na comparação com o mesmo período de junho, o volume de crédito referencial para taxas de juros (operações consideradas para cálculo das taxas médias de juros das modalidades de crédito) cresceu 1,6% no total, 0,2% para as pessoas físicas, excluídas operações de leasing, e 2,7% para as empresas.
A taxa média subiu 1,3%, chegando a 39,3%. Para pessoas físicas, a taxa aumentou 2,1% (51,2% ao ano) e para as empresas, 0,9% (27,4% ao ano). No caso do cheque especial, os juros chegaram a 162,4% ao ano.