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SÃO PAULO – Após voltar de férias, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, terá que enfrentar diversos problemas, de acordo com a revista alemã Der Spiegel. Além de ter que lidar com questões internas – como fazer campanha de seu partido, o CDU (democratas-cristãos), para as eleições do ano que vem – Merkel continua enfrentando uma situação difícil na Zona do Euro, que estão se tornando cada vez piores de lidar, de acordo com a matéria.
As principais autoridades do país defendem que a Grécia – a nação que mais sofreu com a crise da dívida soberana no continente – não deve ser resgatada. O ministro da Economia, Philipp Rösler, líder do partido de coalizão ao governo – o FDP (Partido Democrático Livre – reiterou que o país dos Balcãs ultrapassou todos os limites. Já o ministro das Finanças do estado da Baviera, Markus Söder, este integrante do também aliado CSU (União Social Cristã), disse que ajudar a Grécia é “como jogar água no deserto”.
Enquanto isso, a chanceler espera que o Tribunal Constitucional Federal entregue sua decisão em 12 de setembro para saber se o ESM (Mecanismo Europeu de Estabilidade) é compatível com a lei alemã. “Enquanto uma decisão desfavorável do tribunal provocaria consequências imprevisíveis, a aprovação também não garantiria a sobrevivência do euro”, aponta a reportagem.
Política interna e externa conflitam
Na frente política interna, os conflitos persistem. Merkel terá que lidar com a transição lenta para a energia renovável – após implementar a política de abandono progressivo da fonte nuclear -, além de discussões se casais homossexuais devem ter direito a benefícios fiscais iguais. Essas questões vem provocando uma série de discussões e conflitos dentro do próprio FDP, indicando uma fraqueza na coalizão de apoio ao governo.
Com isso, esse arranjo político pode deixar de existir entre os partidos em eleições futuras, mostrando uma fraqueza do próprio FDP nas intenções de voto dos eleitores. Além deste partido, o CSU da Baviera também está complicando a vida de Merkel, segundo a revista, já que vem adotando um tom mais populista por meio de seu líder e governador, Horst Seehofer, ao se manifestar contra os pacotes de apoio à Grécia devido ao processo eleitoral no próximo ano.
No início de julho, Seehofer até ameaçou romper o apoio à chanceler em meio aos pacotes de ajuda para o euro. Entretanto, não é somente o governador que vem contra os movimentos da chanceler: os membros da própria CDU também são céticos em relação às táticas da chanceler para salvar o euro do chanceler de resgate. Alguns também dizem que o partido foi infeliz ao abrir caminho para eliminar a energia nuclear e o fim do serviço militar obrigatório.
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Outro fato é que outros partidos vem complicando a vida de Merkel. Os ambientalistas e o SPD (Partido Social Democrata), que ofereceram seu apoio no passado, ao votar a favor dos pacotes de ajuda para a Grécia e para a Espanha, não devem oferecer seu apoio por muito mais tempo. “Essa era a única maneira de ter certeza do apoio em meio a presença de rebeldes nos próprios partidos de coalizão”, afirma a reportagem.
O ex-ministro das Finanças, Peer Steinbrück, ressaltou que Merkel deve oferecer concessões caso queira manter esses partidos na base aliada. Entretanto, a aprovação de um terceiro pacote de resgate para a Grécia sem uma forma estruturada para tirá-la da crise parece improvável, aponta o ex-ministro.