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SÃO PAULO – A Grécia deverá apresentar uma proposta nos próximos dias aos líderes da Zona do Euro, pedindo que o prazo de implementação do programa de austeridade seja estendido por mais dois anos, segundo informações de um documento do qual o jornal norte-americano Financial Times teve acesso.
O primeiro-ministro grego, Antonis Samaras, deve se reunir com a chanceler alemã, Angela Merkel, e com o presidente francês, François Hollande, nas próximas semanas para negociar o programa, adianta o jornal.
O pedido tem o objetivo de conseguir um ajuste mais lento, com cortes a serem diluídos pelos próximos quatro anos, em um momento no qual o governo grego está tentanto cortar € 11,5 bilhões dos gastos entre 2013 e 2014, o que representa 5% da produção nacional.
Samaras também vai propor que o corte do déficit público seja mais moderado. Ao invés de reduzir o déficit em 2,5 pontos percentuais ao ano, Atenas quer diminuir em apenas 1,5 ponto percentual ao ano. Com isso, o país vai precisar de mais de € 20 bilhões em financiamentos, tendo que vista que a redução anual do déficit entre 2013 e 2014 vai ser menor do que o previsto.
A proposta é que os recursos adicionais sejam levantados por meio do empréstimo existente do FMI (Fundo Monetário Internacional), emissão de títulos do Tesouro e, espera a Grécia, que também seja disponibilizado pelo adiamento do início do pagamento dos empréstimos realizados pela Troika – constituída pelo FMI, BCE (Banco Central Europeu) e União Europeia – de 2016 para 2020, ano em que está previsto o início dos pagamentos do segundo pacote de resgates.
Cabe agora esperar pela reação da Alemanha, que já mostrou que não vai apoiar qualquer outro empréstimo adicional ao país. Os políticos germânicos têm demonstrado cada vez mais disponibilidade para aceitar que a Grécia saía do euro. Com isso, aumentam as apostas para uma postura contrária da Alemanha, que não deve aceitar dar mais tempo a Grécia, comentou a equipe de análise da XP Investimentos.