Setor de bebidas sofrerá mais do que o de proteínas com inflação, diz BTG

Segundo equipe de análise, historicamente, em momentos de forte inflação, volume de vendas de bebidas é menor do que o de carnes

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SÃO PAULO – Os papéis de companhias de alimentação serão menos impactados do que as de bebidas por conta do avanço de preços, avalia o BTG Pactual em estudo reportado nesta terça-feira (21). Segundo a equipe do banco, a previsão é de que a alta do preço das commodities alimentícias puxem ainda mais IGP-M (Índice Geral de Preço do Mercado) deste ano.

A previsão deles para a corrida inflacionária aumentou de 5,3% para 7,7%. Para 2013, a estimativa da equipe é de alta de 5,7% do índicador oficial de inflação. “Papéis atrelados a consumo discricionário (como cerveja) podem sofrer maiores impactos num cenário de inflação, enquanto que os atrelados a consumo de carnes sofreriam menos, dado que o consumo aqui aponta inelasticidade de preços”, escreveram os analistas da instituição Thiago Duarte, Fabio Monteiro e Enrico Grimaldi.

Tendo em vista esta expectativa, os analistas reforçam que preferem ações ligadas às vendas de proteínas, como as de Brasil Foods (BRFS3), Minerva (BEEF3), Marfrig (MRFG3) e JBS (JBSS3) às da Ambev (AMBV4) e M.Dias Branco (MDIA3). De acordo com eles, os papéis com upside mais interessante no momento são os da JBSS3, que possuem potencial de alta de 34,62% até R$ 7,70.

Juntamente com Minerva e Brasil Foods, os papéis da JBS recebem recomendação de compra pela equipe do BTG. Já os papéis de Marfrig, M.Dias Branco e Ambev possuem recomendação neutra. 

Histórico
Os analistas lembram que, em 2008, no período pré-crise, quando o preço dos alimentos estava bastante elevado, o volume de vendas sentiu efeitos da inflação, em detrimento do montante de proteína comercializado.

A relação de volatilidade dos preços dos alimentos para o BTG, porém, não é novidade. De acordo com a equipe de análise, os preços dos alimentos são, historicamente, bastante voláteis, mas isso tem sido sentido com maior relevância devido ao incremento do consumo deles.

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Reajuste já pode ser sentido
Refletindo a confiança dos investidores de que as ações da companhia se beneficiarão com a elevada de preços dos alimentos, as ações da BR Foods avançaram 5,02% nesta sessão, terminando aos R$ 32,45.

Segundo matéria publicada pelo jornal Valor Econômico, o preço médio da carne de frango pode subir mais de 40% nos próximos 40 dias. Na semana passada, a companhia anunciou que reajustará imediatamente o preço de produtos para compensar o aumento de custos, especialmente a alta nos grãos que servem de ração para os animais.

A Marfrig também comentou sobre a revisão dos preços de seus itens. “Buscando minimizar esses efeitos, a companhia já vem trabalhando no reposicionamento dos preços, tanto nos mercados internos quanto nas exportações, buscando sempre a melhor rentabilidade dos mercados e dos canais de venda trabalhados”, disse a empresa em seu balanço.