Em meio à crise, crédito se expande com recursos internos em setembro

Participação de recursos internos no crédito cresceu 2,8% em reais nos 11 primeiros dias úteis de setembro, em relação a agosto

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SÃO PAULO – Em meio a um cenário de crise no mercado financeiro internacional, a expansão do volume de crédito concedido no Brasil foi sustentada, em setembro, por recursos captados no mercado interno, conforme revelou o Banco Central nesta sexta-feira (26).

Dados preliminares mostraram que, nos 11 primeiros dias úteis deste mês, o crédito referencial (usado para cálculo de taxa média de juros) avançou 2,6%, na comparação com o mesmo período de agosto. O volume para pessoas físicas aumentou 0,9%, enquanto, para as pessoas jurídicas, houve alta de 3,9%.

Na análise entre os períodos, o BC percebeu que a participação dos recursos internos no crédito cresceu 2,8% em reais. Os recursos externos recuaram 2,6% em dólares, o que indica “algum impacto” da crise, uma vez que o balanço se refere a um período anterior ao agravamento dela, de acordo com o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes.

Crédito e PIB

Mesmo com este possível impacto no mercado de crédito brasileiro, Lopes acredita que a projeção de que o crédito chegue a 40% do PIB (Produto Interno Bruto) neste ano deve se consolidar, conforme informou a Agência Brasil.

De acordo com a Nota de Política Monetária do Banco Central, divulgada nesta sexta, até agosto, o volume de crédito chegou a R$ 1,110 trilhão, o que corresponde a 38% do PIB. Segundo Lopes, a projeção para o ano já levava em consideração a crise externa iniciada no ano passado.

Crédito no País

Nesta semana, para evitar o efeito da crise financeira internacional, o BC resolveu adiar o cronograma de recolhimento de compulsório das empresas de leasing. O compulsório para esta modalidade começou a valer em 9 de maio, com o recolhimento de 5% dos recursos. O percentual cresceria de cinco em cinco pontos percentuais, até chegar a 25% em janeiro de 2009.

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A medida anunciada adia o recolhimento com alíquota de 20%, que passaria a vigorar em 14 de novembro, para 16 de janeiro de 2009. A alíquota de 25%, por sua vez, entrará em vigor em 13 de março, mais tarde. Recolhendo uma parcela menor do dinheiro disponível, o BC deixa mais para ser emprestado, o que segura as taxas de juros.

Além disso, com a crise externa, a demanda interna por crédito, por parte das instituições financeiras, tem crescido, o que também colabora para o aumento dos custos. A conseqüência da medida do BC, anunciada na quarta-feira (24), é que sobram mais recursos para empréstimos feitos pelo sistema financeiro.