Vale cai para a mínima desde 2009 e Marfrig dispara; veja mais destaques

Imobiliárias voltaram a liderar o Ibovespa; CSN cai mais de 5% e Renner se manteve entre as principais quedas do Ibovespa difíceis

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SÃO PAULO – Em dia instável para o Ibovespa, que chegou a operar em alta durante a tarde, as ações das empresas de mineração e siderurgia chamaram atenção ao lideraram as perdas do índice, em reflexo das perpectivas cada vez mais evidentes de enfraquecimento da economia global. Na ponta positiva, destaque para as imobiliárias novamente – fazendo com que liderassem o índice na semana. Ao final do dia, o índice teve leve variação negativa de 0,15%, aos 58.425 pontos. 

Dias difíceis para as mineradoras
Colaborando para o dia negativo do Ibovespa, a Vale (VALE3; VALE5) viu suas ações ordinárias recuarem 0,78% para os R$ 34,53, enquanto as preferenciais caíram 0,78% e terminaram a R$ 33,92 cada. Os ativos VALE5 ainda por cima tiveram o maior volume da Bovespa ao movimentarem R$ 922 milhões nesta sessão – acima da média dos 21 pregões anteriores de R$ 652 milhões. A empresa já vinha de uma sessão bastante negativa na véspera – quando os ativos ordinários recuaram 3,87% e os preferenciais caíram 3,17%. 

Nesta sessão, a gestora BlackRock afirmou estar “neutra” nas ações da mineradora – depois de anos de exposição acima da média nos papéis da mineradora. Essa decisão, de maior pessimismo em relação à Vale é baseada na queda dos preços do minério na China – muito mais rápida que o esperado. 

Recentemente, o preço do minério de ferro rompeu importante patamar e está cotado abaixo dos US$ 100,00 a tonelada. Também pesa a declaração feita pelo ministro de Recursos Naturais da Austrália, de que o boom do setor de mineração do país estaria no fim, um dia depois que a maior mineradora do mundo, a BHP Billiton, engavetou dois planos de expansão que somariam pelo menos US$ 40 bilhões.

A desaceleração desses preços é causada pelo mau momento vivido pela indústria chinesa. Divulgado na véspera, o PMI (Índice Gerente de Compras) de indústria da China mostrou que a produção industrial continua se contraindo – o que pode diminuir a demanda e continuar pressionando os preços da commodity. Nesse cenário, as ações da BHP Billiton caíram 1,73% em Londres, enquanto a Rio Tinto teve queda de 1,85%.

Siderúrgicas sofrem junto
Os papéis das siderúrgicas também sofrem nesse cenário. Os papéis da CSN (CSNA3) recuaram 5,45%, terminando a R$ 10,92 – maior queda do Ibovespa nesta sessão. A empresa possui 50% do seu Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) atrelados à sua atividade de mineração – embora uma queda agressiva do preço do minério também atrapalhe seu segmento de aço. “O mercado também não acha que os preços do aço devam se manter se o minério cair forte”, afirma Rafael Weber, analista da Geração Futuro.

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Os papéis da Usiminas (USIM3; USIM5) também caíram – os ordinários recuaram 3,49% e os preferenciais tiveram queda de 3,33%, terminando a R$ 9,94 e R$ 8,41, respectivamente. A empresa também possui exposição à extração de minério de ferro, e já vem de quedas nos últimos dias. Apesar de ser em menor intensidade, as ações da Gerdau (GGBR4) também fecharam no negativo. Os papéis da companhia recuam 1,00% aos R$ 18,79. Ainda acompanham o movimento os papéis da Metalúrgica Gerdau (GOAU4), com queda de 0,5% aos R$ 23,72.

Imobiliárias: destaques positivos da semana
Novamente foram as imobiliárias que lideraram os ganhos desta sessão. A Gafisa (GFSA3) viu suas ações avançarem 6,23% e terminarem a R$ 4,09, enquanto os papéis da Rossi Residencial (RSID3) tiveram alta de 2,00% e fecharam aos R$ 6,10. Por fim, os ativos da Brookfield (BISA3) tiveram ganhos de 0,97% – aos R$ 4,16 – levando os ganhos da semana para 18,18%. 

Essas empresas viveram ótimos pregões desde a divulgação de seus balanços trimestrais. Embora os resultados tenham sido um “desastre” para Henri Evrard, analista da Infinity Asset, ele acredita que os números já estavam precificados nestas ações – lembrando também da dificuldade que tem sido operar vendido nestes papéis. Também se aventou a possibilidade da Caixa Econômica Federal assumir a gestão da Tenda, subsidiária voltada para o segmento de baixa renda da Gafisa.

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Marfrig sobe com interesse gringo
As ações da Marfrig (MRFG3) apresentaram forte valorização nesta sexta-feira, repercutindo notícia publicada pela Bloomberg de que empresas norte-americanas estão interessadas em comprar uma fatia da empresa. Os papéis do frigorífico avançaram 3,97% e terminaram valendo R$ 10,46.

Vale mencionar que esses ativos chegaram a subir quase 6% no começo do dia, quando bateram sua cotação máxima do dia em R$ 10,63. Foram movimentados R$ 88,5 milhões nesta sessão – bastante acima da média de R$ 28,8 milhões das 21 sessões anteriores.

De acordo com a Bloomberg, a Marfrig tem atraído o interesse da Blackstone Group e da Tyson Group. A primeira empresa é uma gestora de investimentos, enquanto a segunda é uma das maiores processadoras de carne do mundo. Fundos de private equity do Bradesco e do JPMorgan também estariam interessados. Procurada pelo Portal InfoMoney, a companhia disse que não iria se pronunciar sobre o assunto.

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Lojas Renner também recua
Por fim, a Lojas Renner (LREN3) teve queda de 1,90% – terminando aos R$ 65,05. A varejista passou o dia todo entre as piores quedas, e chegou a apresentar recuo de 3,20% durante o dia, quando eram cotadas a R$ 64,19. Um dos motivos para a queda pode estar associada à notícia divulgada no jornal O Estado de S. Paulo, falando que indústria têxtil brasileira solicitou ao governo que coloque uma barreira contra a importação de roupas, o que pode impactar a empresa.

Contudo, os analistas acreditam que o fator que mais pesou para a queda das ações foi a realização dos ganhos recentes – desde meados de julho até agora, o papel LREN3 apresenta alta de cerca de 30%.