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SÃO PAULO – O corte de 0,5 ponto percentual na taxa básica de juro nacional, a Selic, para 7,5% ao ano, pode ter sido o último do atual ciclo, acredita William Alves, analista da XP Investimentos, após leitura do comunicado emitido pelo Copom (Comitê de Política Monetária) no fim da reunião desta quarta-feira (29). O comunicado do comitê mostrou maior cautela ao afirmar que qualquer novo corte deve ser realizado com parcimônia.
“Ao destacar que os efeitos da política monetária começaram a fazer efeito e destacar que um novo ajuste só será realizado com máxima parcimônia, o comunicado pode ter indicado que o fim chegou, ou ao menos que o corte deva ser menor na próxima vez”, afirma o analista. Os efeitos da política monetária geralmente demoram algum tempo para começarem a ser traduzidos na economia – e o excesso de cortes pode trazer o dragão inflacionário de volta.
Além disso, é possível que o ciclo já tenha feito com que a taxa atingisse os níveis desejados pelo governo. “A Dilma Rousseff (presidente do Brasil) tinha como meta não-oficial trazer a taxa básica de juro para um patamar real de 2%, considerado a inflação, é o que devemos ter agora”, destaca Alves. Para se obter a taxa real, basta subtrair a taxa nominal pela inflação, que atualmente está por volta dos 5,5%.
Entenda os comunicados do Copom:
| Reunião 11/07 | O Copom considera que, neste momento, permanecem limitados os riscos para a trajetória da inflação. O Comitê nota ainda que, até agora, dada a fragilidade da economia global, a contribuição do setor externo tem sido desinflacionária.Diante disso, dando seguimento ao processo de ajuste das condições monetárias, o Copom decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa Selic para 8,00% a.a., sem viés. Votaram pela redução da taxa Selic para 8,00% os seguintes membros do Comitê: Alexandre Antonio Tombini, Presidente, Aldo Luiz Mendes, Altamir Lopes, Anthero de Moraes Meirelles, Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo, Luiz Awazu Pereira da Silva, Luiz Edson Feltrim e Sidnei Corrêa Marques. |
| Reunião 29/08 |
Considerando os efeitos cumulativos e defasados das ações de política implementadas até o momento, que em parte se refletem na recuperação em curso da atividade econômica, o Copom entende que, se o cenário prospectivo vier a comportar um ajuste adicional nas condições monetárias, esse movimento deverá ser conduzido com máxima parcimônia.Votaram pela redução da taxa Selic para 7,50% os seguintes membros do Comitê: Alexandre Antonio Tombini, Presidente, Aldo Luiz Mendes, Altamir Lopes, Anthero de Moraes Meirelles, Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo, Luiz Awazu Pereira da Silva, Luiz Edson Feltrim e Sidnei Corrêa Marques. |