BM&FBovespa quer listar fundos de índice na bolsa de Xangai

Segundo Edemir Pinto, a bolsa paulista pretende listar ETFs na bolsa chinesa, com possibilidade de que seja atrelados ao Ibovespa

Publicidade

SÃO PAULO – O presidente da BM&FBovespa, Edemir Pinto, afirmou nesta quinta-feira (30) que a bolsa paulista pretende listar fundos de índices (conhecidos como ETF, na sigla em inglês) na bolsa de Xangai, com o objetivo de incentivar os investimentos chineses nos mercados financeiros do Brasil, que ainda são considerados baixos.

Segundo ele, é possível que os ETFs sejam atrelados ao Ibovespa e a intenção é que o produto comece a funcionar em 2013, mas ainda depende de questões regulatórias. Também deverá haver algum produto do mercado acionário chinês, como ETFs, listado no Brasil.

Depois de anos de relacionamento com o país asiático, Edemir afirmou que o momento é de materializar estas conversações, com foco principalmente em produtos, como derivativos, além dos ETFs.

Continua depois da publicidade

“A gente aposta muito na China (…). Daqui a alguns anos, a China terá o maior PIB (Produto Interno Bruto) do mundo”, disse o executivo durante Fórum de Mercado de Capitais Brasil-China, realizado no Rio de Janeiro.

O volume de transações de chineses no mercado de capitais brasileiro ainda é considerado baixo, mas tem aumentado. “É preciso que bancos e corretoras se envolvam neste processo”, disse.

Em 2010, o volume transacionado pelas “contas 2.689” de chineses no mercado acionário brasileiro foi de 1,5 bilhão de reais e mais do que dobraram para 3,5 bilhões de reais em 2011, segundo BM&FBovespa. O mecanismo permite que não-residentes invistam no Brasil.

Continua depois da publicidade

Do total de investimento estrangeiro na bolsa paulista, a China representa menos de 1 por cento, segundo dados da BM&FBovespa. O país asiático se volta principalmente para investimentos nos Estados Unidos e na Europa.

As economias do Brasil e da China possuem características complementares que impulsionam as relações comerciais entre as duas nações, mas este avanço deve ser acompanhado pelo lado financeiro, disse o economista-chefe do Itaú Unibanco, Ilan Goldfajn, durante o fórum.

“Os modelos são tão complementares, mas vão além do ganho comercial. O avanço do comércio tem que ser acompanhado pelo lado financeiro. Esse tipo de iniciativa é o que está faltando”, afirmou.

Continua depois da publicidade

Já existe uma parceira entre as bolsas de valores dos cinco países que compõem os Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), que começaram em março deste ano a negociação cruzada de contratos de índices de ações dos mercados envolvidos na aliança. O objetivo da parceria, batizada de BRICSmart, é criar um canal que facilite o fluxo de recursos de investidores desses países para oportunidades em economias emergentes.

Edemir mencionou ainda que a BM&FBovespa continua trabalhando com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na questão da flexibilização do cadastro de investidores para facilitar o acesso de estrangeiros ao mercado de capitais brasileiros, o que já vem sendo feito há um ano, mas ganhou força nos últimos quatro meses.