Resumo Semanal

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Em uma semana marcada pela expectativa em relação ao discurso do presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, em Jackson Hole, que ocorreu apenas na sexta-feira, e pela decisão do Copom sobre a taxa básica de juros do Brasil, o Ibovespa registrou a sua terceira semana seguida de queda, fechando em baixa de 2,33%, aos 57.061 pontos. Com isso, o índice registrou sua pior queda desde meados de maio, quando recuou 2,26%.

A expectativa dos mercados, durante toda a semana, era de que Bernanke sinalizasse uma medida de estímulo mais efetiva para a economia norte-americana, com uma nova rodada de flexibilização monetária – como ele já havia anunciado no ano anterior. Com isso, durante toda a semana, o mercado reagiu timidamente durante toda a semana, à espera de novas medidas, só mostrando maior reação após o pronunciamento.

A possibilidade de novas medidas foi reforçada pelas indicações anteriores do presidente da autoridade monetária, com uma carta enviada ao republicano Darell Issa, indicando que haveria mais espaço para atuação. Além disso, a ata da última reunião do comitê responsável pelas decisões indicar mais uma rodada de estímulos – isso se a economia não mostrar sinais de melhora. Por fim, houve o Livro Bege, mostrando o desempenho da economia norte-americana, revelando um crescimento apenas “gradual” e reforçando a tomada de novas medidas.

Entretanto, no evento, apesar de Ben Bernanke ter dito que está pronto para agir, inclusive com mais compras de títulos, a fala não mudou substancialmente sobre eventos anteriores. O presidente do Federal Reserve reiterou que o mercado de trabalho representa uma grave preocupação, ao passo que a economia está em um crescimento longe do ritmo considerado satisfatório, mas não sinalizou de que modo irá agir.

Copom: quais são os próximos passos?
Já no Brasil, um importante vetor para os mercados no período foi a decisão do Copom. O Comitê decidiu por cortar o patamar da taxa Selic em 50 pontos-base, para 7,5% ao ano. Embora fosse esperado um corte em igual proporção, algumas casas estimavam corte de apenas 0,25 pontos-base, devido às perspectivas de retomada da aceleração da inflação e das indicações de aquecimento da economia no segundo semestre.

Após o corte, a discussão agora é sobre qual será o rumo da Selic na próxima reunião. Enquanto uma parte do mercado espera um corte mais ameno na taxa, de 25 pontos-base, há quem trabalhe com a expectativa de manutenção da Selic no nível atual.

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Além disso, a possibilidade de uma continuidade de cortes deve ser reforçada por um crescimento ainda fraco da economia brasileira. No segundo trimestre o PIB teve alta de 0,4% na comparação trimestral, o que foi próximo às projeções dos analistas.

Europa no radar
Outro vetor importante para a semana foi o relatório da Troika – grupo formado por BCE, FMI e Comissão Europeia – sobre a Grécia. A expectativa é de que ele deverá ficar pronto somente nas próximas semanas, disse o porta-voz da Comissão Europeia Simon O’Connor.

O BCE afirmou ainda que irá adequar seu novo plano de compra de títulos para dissipar qualquer preocupação de que ele irá financiar governos, disse Joerg Asmussen, integrante da autoridade monetária, em declarações que têm como objetivo amenizar a angústia do Bundesbank, banco central da Alemanha.

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Cenário Corporativo
A semana foi marcada ainda por diversos indicadores do cenário corporativo. Dentre os destaques negativos, estiveram as empresas de mineração, por conta do cenário bastante pessimista para os preços do minério de ferro. Nesse cenário, a Vale foi bastante prejudicada, registrando perdas de cerca de 2% para suas ações.

Enquanto isso, depois do anúncio de mudanças na diretoria. O diretor de exploração Paulo Ricardo deixa o cargo para dar lugar à Paulo de Tarso Martins Guimarães.

Liderando as perdas do índice, estiveram as ações das elétricas, com destaque para a Transmissão Paulista, Cesp, Eletrobras e CPFL Energia. Elas foram pressionadas pela medida provisória do Governo, que estipula que ele assumirá temporariamente as concessões que irão vencer nos próximos anos. Além disso, abriu possibilidade para intervir nos contratos que precisem melhorar a qualidade dos serviços.

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Dentre os destaques positivos, estiveram os papéis da PDG, que avançaram 11,58% no período – liderando os ganhos do Ibovespa na semana, amparada na oferta de ações que deverá tornar a Vinci Partners a sua maior acionista e o sumiço de PDGR3 do banco de aluguel de ações. Já as ações da Marfrig subiram 9,94% em meio à notícia publicada pela Bloomberg de que empresas norte-americanas estão interessadas em adquirir uma parte da empresa.

Agenda da próxima semana
Dentro da agenda para a primeira semana de setembro, os investidores conhecerão a ata da última reunião do Copom, bem como a pesquisa industrial de emprego e salário referente ao mês de julho. Durante a semana, teremos ainda os dados do IC-Br de agosto, divulgado pelo Banco Central.

Lá fora, a pauta econômica também mostra-se bastante agitada, com destaque para a medição da produtividade da mão-de-obra norte-americana e outros indicadores de produção industrial no país, além do relatório de emprego referente a agosto. Além disso, haverá as decisões de política monetária do BCE e do BoE. Contaremos ainda com os dados de atividade industrial da China e da Zona do Euro.

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Por fim, teremos diversos encontros entre as autoridades monetárias da Zona do Euro, com destaque para o encontro do presidente do BCE, Mario Draghi, o comissário europeu de assuntos econômicos, Olli Rehn, o presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker e o Comissário da União Europeia, Michel Barnier. As autoridades irão discutir sobre a União Bancária do bloco econômico na segunda-feira.

Durante a semana, também haverá a reunião dos ministros das relações exteriores da União Europeia, além do encontro entre a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, com o primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy.

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Lara Rizério
Mercados | Economia | Onde Investir

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.