Gastos dos bancos com meios de pagamentos são de 3% do PIB; consumidor é onerado

De acordo com o BC, se o sistema fosse transferido apenas para meios eletrônicos, despesa poderia ser de 0,7% do PIB

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SÃO PAULO – Abandonar cheques, boletos de cobrança e outros meios de pagamento que utilizam papel pode fazer com que o sistema financeiro economize – e muito – nas autorizações de transações financeiras. Pesquisa divulgada nesta quinta-feira (12) pelo Banco Central mostrou que os gastos atuais somam 3% de toda a riqueza produzida no País, contra possível marca de 0,7% migrando o sistema para o meio eletrônico.

O que ocorre é que, quanto mais a instituição gasta, menos ela tem interesse em fornecer o produto. Recentemente, a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) assumiu que as instituições brasileiras participam de um movimento que visa a desestimular o uso de cheques por parte de seus clientes.

E isso consiste basicamente na cobrança de tarifas por emissão de folhas de baixo e alto valor e também pela concessão adicional de talões, que chega a custar até R$ 7,20. Estima-se que os pagamentos dos bancos seja de algo em torno de R$ 3 para cheques e R$ 1 para cartões e transferências.

Inadimplência

Além dos custos, o documento afirma que um dos grandes desmotivadores do uso das folhas são os altos índices de inadimplência.

Dados da Serasa embasam, de certa maneira, essa afirmação. Conforme pesquisa sobre desempenho de maio, houve alta de 13,1% na emissão de cheques sem fundo, sobre abril. Com isso, no mês, a cada mil folhas compensadas, 22,4 acabaram voltando mais de duas vezes por insuficiência de saldo.

Desempenho

O levantamento mostra que, enquanto com o passar dos anos aumentou a quantidade transacionada de TEDs, DOCs, cartões e boletos, caiu a de folhas. Veja:

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Comportamento das transações
Meio de pagamento 1999 2000
DOC 5 milhões 10 milhões
TED zero(*) 2 milhões
Cartões 101 milhões 230 milhões
Cheque 220 milhões 150 milhões
Boletos de cobrança 2 milhões 80 milhões

Fonte: BC
(*)início em 2002
(**) os números são aproximados

Em dinheiro

Por outro lado, no que diz respeito a movimentação de dinheiro, dados do Banco Central mostram que a parcela dos talões ainda é forte na economia. Para se ter uma idéia, em 2005, foram movimentados R$ 2,27 trilhões com esse meio de pagamento, o que representou 12% das movimentações totais.

Por sua vez, cartões de débito e crédito responderam por, respectivamente, R$ 53,2 bilhões e R$ 136,7 bilhões. A soma dos dois correspondeu a 1% das transações daquele período.

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O relatório do BC apontou que os motivos para haver relutância entre os consumidores ao abandono do cheque são a questão de aceitação praticamente geral desse meio de pagamento, a falta de percepção de um benefício para a migração e a idéia de que os talões ajudam a controlar os gastos.